segunda-feira, 9 de novembro de 2009

VAMOS COMER CAMARAO


‘Vamos comer camarão’
Estacios Valoi Foto:Ismael Miquidade
21/10/09
Tanta correria que por vezes os únicos sons que se ouvem é embater do peão com o carro no passeio, o som dos passos a rasgar a calcada solando o chão em viagens vertiginosas, parecia o ‘Speed Gonzales num arriba, arribaa’, só que desta vez foi o som de um violinismo ali naquele canto de nome instituto cultural Moçambique Alemanha em que uma vez por mês a poesia é cantada, tocada, declamada, só que naquela noite autentica carregada de muitos anos de estrada nestas coisas de tocar e cantar e ate dançar, e porque ‘Chico esperto’ dançou não deixei de presenciar aquela viagem que só ele sabe contar ou cantar melhor.
Estávamos num dia de concerto do Paulo Macamo ou a Banda Nbilo e ‘Chico, Guru ou Rasta de cabelo branco’ tocou a convite deste grupo musical. já chegamos lá ! mas disse o líder da banda Macamo ou Paulo Macamo
‘Hoje mudei o pensamento, o formato das coisas é outra maturidade, canto musica que é uma simbiose de diferentes ritmos e trago um elemento que é o resultado dessas muitas coisas da música tradicional, o que nós chamamos música simbiótica ou talvez ‘tradmodel’ tradicional moderno que é a interligação científica a investigação neste campo e cada vez mais vai trazendo uma nova vertente que nunca deixa de ser a música tradicional moderna.
‘ Preocupo me com alguma forma de pensar das pessoas, umas negam as mudanças, outras usam na para se manter estáticas, não aceitar que é possível trazer coisas novas, isso me assusta. Assusta me pensar que as pessoas não estão preparadas para viver com a diferença’.
Mas a minha viagem ainda estava por começar porque de tantas vezes que Chico convida me para comer camarão só e só vejo de binóculos. Porque não trazer o próprio Chico e ver que filme nos vai contar já que de binóculos vejo aquele camarão, o branco aquele pequeníssimo ‘Mundle’ o outro só o Patacóncio e a turma nada nele!
Chico António cortaste o cabelo e voltou a crescer pela segunda 2 vez porque?
Epa estava muito desorganizado, desorganizadas mesmo estas a ver, estava a cair. Mas também porque comecei a fazer em 1993 e acho que cortei em 20003/4 no sentido de dar nova forca ao cabelo
Outra dinâmica, nova forma de estar então andas a dar nova forca a tua música. Não?
Não. As pessoas chegaram a pensar que ficaria definitivamente sem rasta, mas o mais curioso é que quando me olhei ao espelho não me reconheci, mas não só não me reconheci como também já tenho essa imagem exposta pelos 4 cantos do mundo. Então não é possível mudar de repente para os fans para as pessoas que me conhecem, porque elas gostam de me ver como me apresentei e como contínuo me apresentando.
Em termo discográfico que novidade?
Entrei no estúdio a sensivelmente uma semana onde me encontro a trabalhar num roteiro cujo historial começa de 1984 ate 2009, isto é, um roteiro que marca este périplo todo em que já toquei ritmos tradicionais, modernos, musica ligeira portanto este disco vira carregado com um pouco de tudo aquilo que as pessoas gostaram durante estes anos mas também para que possam ter em suas casas um pouco de tudo daquelas músicas que fiz dos 35 aos 40 anos.
Qual será o titulo do álbum?
O título fica para o fim, e a ultima coisa a escolher.
Essa imagem reconhecida nos 4 cantos do mundo. Como é que ela é conhecida em Moçambique?
Bom, em Moçambique, é o Chico do Chico, e o Chico António da terra, alguns chamam me ‘Guru’ e outros de príncipe, atribuem me muitos nomes, na Europa nas Américas chamam me o rasta de cabelos brancos que canta blues, blues man de rasta branca.
Em Moçambique como é que as pessoas olham para ti, falam e em termos apoio para o Chico que já vem desde longa data gastando sola e rebentando muitas cordas e levando a musica feita no pais alem fronteiras?
É difícil. Bom Aqui em Moçambique é muito difícil conseguir ver como é que as pessoas me tratam em termos de financiamento porque penso que as pessoas todavia não estão preparadas melhor não temos pessoas vocacionadas que se dediquem a essas artes das artes, da música, teatro, dança, pintura, fotografia, cinema então penso que é preciso consciencializar as pessoas para que possam valorizar as artes porque estas representam um povo assim como a cultura.
Contudo penso que a passo de camaleão as pessoas vão despertando, infelizmente as apostas são direccionadas para aquelas obras que surgem de imediato ‘como cogumelos’ e que provavelmente numa fracção de segundos, meses desaparecem do mercado enquanto existem aquelas dos grandes artistas moçambicanos isto em todas a áreas as quais consigo ver, são pessoas que fazem algo para perdurar que vai ficar e que faz parte da história da história, que representa o país.
Então nesse âmbito penso que pouco se faz, partindo da própria inexistência de uma base de apoio financeiro. Mas não se trata apenas de ajudar mas também de desenvolver e manter a própria cultura isto porque as pessoas pensam que quando financiam, estão apenas a investir no indivíduo mas eu penso que quando uma pessoa tem valor, o apoio não só beneficia ao tal individuo mas também a cultura do próprio país.
Então queres dizer com isto que te encontras mais a margem distante de Moçambique?
Não. Sou Moçambicano e sempre serei moçambicano. As pessoas que me convidam para actuar nestes quatro cantos do mundo conseguem reconhecer e valorizar o meu trabalho, coisa que muito rara neste meu pai, portanto essa é a diferença e não porque as pessoas que me valorizam no exterior que me dão essas oportunidades de estar em vários sítios de aprender e conviver com outros artistas é que eu vou deixar de ser moçambicano! Infelizmente aqui as pessoas ainda não despertaram, ainda estamos naquele tempo em que a música, o futebol, a dança é não é valorizada, ainda não começamos a valorizar as artes não falo apenas da música, mas de todas as elas e penso que um dia essa isso possa vir a acontecer para que através da cultura as pessoa aproveitem fazer deste Moçambique um lugar de referência e com essas boas cabeças que estão a nascer, pessoas que trabalham para que elevem o pais a um outro panorama promovendo o artista nacional, as artes no pais e no continente.
Pelo menos a zona da praia da costa do sol é uma referência. Isto porque a maioria dos turistas que passam por Maputo dão um salto ate lá para comerem camarão. E outros como a turma do patacóncio vão nadando nele.
Numa das tuas músicas sempre das de comer camarão ao público. É tanto que te farta?
Hii! Bom, eu não como camarão faz tempo digo camarão comprado por mim, é muito raro. E se como esse camarão comprado por mim é aquele filho de camarão, filhote de camarão o pequeníssimo ‘munhe’
Mas na sua música sempre das de comer camarão pessoas. Não?
Vamos comer camarão. Isso é uma mensagem que envio as pessoas sem ter que as dizer abertamente que é muito difícil de comer camarão, uma questão de lembra lás que temos um oceano indico que ‘começa aqui ‘ e cruzam outras paragens, que temos um mar tão grande mas que não temos oportunidade de usufruir dessas riquezas que temos no mar, a gente só encontra isto nas festas de burgueses, nas recessões, mas para o povo que é povo que nasceu em Moçambique raramente tem a oportunidade de comer essas lagostas, lulas camarão, então é uma chamada de atenção também para muitas outras coisas mais. Não estou a falar mal de ninguém é uma questão de, tipo humor, um humor sarcástico, mais ou menos assim.
As pessoas vão perguntar porque é que o Chico manda no comer camarão se nós nem temos dinheiro para chapa! É um despertar de consciência para que elas possam perceber e provavelmente vão agir e fazer alguma coisa para que nós tenhamos acesso a essas coisas.

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