quarta-feira, 15 de março de 2017

Caça furtiva o desmoronar dos castelos !






Texto e fotos: Estacio Valoi
Dados disponíveis decorrentes da caça furtiva, sobretudo para obtenção de troféus de rinocerontes e elefantes, são de deixar qualquer mente sã em estado total de choque. Esta indústria sindicalizada de crimes “rende’ entre 10 a 17 milhões de dólares por ano segundo números avançados durante a 17 Cop- Convenção Internacional sobre espécies em via de extinção (CITIES) realizada em Johannesburg em 2016.

Segundo o Serviço Nacional Sul Africano de Parques (SNAP), de 2007 a Setembro de 2016 a Africa do Sul perdeu cerca de 6000 rinocerontes e elefantes devido escassez e a crescente demanda de cornos e pontas de marfim para alimentar a maioria dos mercados chineses e vietnamitas. No meio deste negócio sujo, um padre também amealha os seus quinhões!

Tráfico transnacional
Os Estados Unidos da América, também fazem parte do mercado dos ‘trofeus’ originários das espécies ao tiro chacinadas no Kruger Nacional Parque, onde na mesma moeda, furtivos são abatidos a tiro pelos fiscais do Kruger, que primeiro disparam e depois perguntam. Também fazem parte do sindicato do crime jovens moçambicanos caçadores furtivos que, sem se despedirem de seus familiares, são levados ‘pela ganância, dinheiro fácil,’ muitas das vezes numa viagem única, sem volta! Ou voltam mortos. A Fundação Joaquim Chissano fala em cerca de 500 nacionais.

Do lado moçambicano, exactamente no Parque Nacional transfronteiriço do Limpopo, dos milhares de rinocerontes outrora existentes, em 2015 o numero desta espécie quase “extinta” era menos que duas dezenas segundo, Celso Correia Ministro da Terra, Ambiente e desenvolvimento Rural.
Naquela manha deixamos Sandton, a Convenção e as centenas de dignatários, organizações que se fizeram ao encontro para trás e rumamos ao distrito de Massingir num percurso de 545 quilómetros de Johannesburg, via Pretoria, Npolokwana, descendo pelo asfalto e a terra batida do Kruger Nacional Parque e, Massingir adentro.

O Kruger ia destapando suas paisagens a mistura do castanho do capim, terra, planícies exibindo as várias espécies, Hipopótamo, Búfalos, Leões, elefantes e outros. Menos o rinoceronte que com as actividades dos furtivos, mesmo ‘protegido’ a ferro e fogo, achou melhor permanecer escondido. Afinal todo cuidado é pouco! São espécies condenadas a sua inexistência por redes organizadas da caça furtiva apadrinhadas por líderes Moçambicanos, sul-africanos coniventes nesta indústria do crime sindicalizado que aufere uma quantia de 65.000 dólares americanos por quilo.

 Estamos na linha de fronteira, zona limítrofe entre Moçambique e Africa são separados pelas suas linhas de fronteira numa extensão de cerca de 210 quilómetros e, o nosso ponto de entrada é o distrito de Massingir na Província de Gaza onde levados pela imponente barragem construída sob o rio dos elefantes nos seus 2000 metros de extensão, enquanto o sol ia mais pelo poente, a mesma punha nos em solos cinzentos, avermelhados da vila. Dava a sensação de uma viagem sem fim, afinal de contas a maratona seria longa, carregada de muita adrenalina, certeza e incertezas.



 Nympine’s mansion along the main road to Chokwe district remains half-built. Photos: Estacio Valoi

 Desde do encontro com Justice Nyimpine e seus correligionários, nomeadamente Simon Ernesto Valoi “Navarra”, Chuire, chefes, mandantes de jovens que levados pela “ganancia, dinheiro fácil,” atraídos pelas mansões, carros “fácil riqueza, rápida, ” ostentada pelos famosos chefes sindicalistas da caça furtiva, coniventes com o sistema de quem “solicitam armas de fogo para a caca”, fazem se ao interior do Kruger Parque na caça do rinoceronte. “ Até o governo conhece todos os chefes envolvidos no negócio.”

La estava em Massingir, mas desta vez como tradutor, com claro objectivo de sentar-me com todos os furtivos da zona, dos mais aos menos famosos, mas nem tudo saiu como previsto. Nem todos! Apenas Chiure, o primeiro e mais antigo caçador furtivo de todos, seguido do Nyimpine, e Navarra o mais novo dos mais famosos do sindicato, que na sua Land Cruiser branca, ia saindo da sua casa num vai e vem.

"Navara é uma pessoa muito perigosa. Se você investigá-lo a população irá denunciá-lo à polícia como o que aconteceu com os jornalistas holandeses que estavam aqui à procura de Navara foram quase mortos pela população.” De acordo com a edição "Spiegel Online", o repórter alemão Bartholomaus Grill eo fotógrafo sueco Toby Selander foram presos pela polícia moçambicana no distrito de Massingir, no sul do país. Assim, sem nenhuma proteção, Grill e Selander foram e bateram na porta da frente de Navara em 2016. http://allafrica.com/stories/201503150383.html

Segundo autoridades sul-africanas e Moçambicanas, de 2011 a 2013, o extermínio de rinocerontes devido a caca furtiva, atingiu níveis alarmantes com uma ligeira descida em 2014,‘devido a redução do movimento de caçadores furtivos dentro do parque transfronteiriço do Limpopo, Kruger Parque, devido ao reforço das operações, intensificação das actividades dos ficais na detenção e baleamento de furtivos facto corroborado pelo administrador cessante do Parque transfronteiriço de Limpopo, António Abacar. 

“Lei é fraca, frágil”
Contudo, Abacar reconhece que muito tem que ser feito sob ponto de vista do sistema judicial e de justiça, que ainda beneficia os sindicatos do crime, um Governo com uma legislação que apenas puni os furtivos, deixando os mandantes a solta, contrastando com a sul africana, num propósito que se julga comum, combater a caca furtiva, visto pelas lacunas, buracos. “ Há diferença de legislação entre os dois países, a nossa lei é fraca, frágil.”
Enquanto isso, comunidades- famílias, número de crianças órfãs, mulheres sem maridos, meios de sustento, vai aumentando, fiscais mortos, milhares de rinocerontes abatidos, tecido social, cultural, económico desestruturado, aumento do nível de pobreza. “Em 2013, foram mortos dois fiscais do Limpopo envolvidos na caça furtiva, baleados pelos seus consignatários do Kruger, deixando três viúvas e dose filhos órfãos.” Diz Abacar 


As incursões dos jovens rumo a Kruger, não surpreendem Massingir. São vários os casos contados a nossa reportagem por famílias, parentes de algumas vítimas numa vila em que as condições de vida de 2013 a esta fase “ mudaram para uma minoria,” os chefes do contrabando. Era necessário ouvir mais testemunhas. Deslocamo-nos a casa de Jaime Cumbane, líder comunitário do Bairro Eduardo Mondlane recentemente criado a luz do processo de reassentamento das pessoas retiradas de dentro do parque do Limpopo.

Sentados, ao mesmo tempo que íamos conversando com Cumbane, os olhos dele pareciam camaras ocultas monitorando tudo em volta do seu quintal, as actividades dos seus filhos, já que a partida ao campo da morte de Kruger nunca é anunciada. São jovens que na procura do “ dinheiro rápido, mansões” não tem hora de saída, do adeus e muito menos de volta na expectativa de trazer cornos de rinoceronte ou dentro de um caixão no jogo de escondida com os fiscais. “ Dentro do Kruger, furtivo armado é furtivo morto.”



Loteria Dinheiro fácil ou morte certa
De 2011 ate hoje, de pouco ou quase nada a caca furtiva beneficiou Massingir mesmo com ganho imediato, do tal dinheiro fácil, “ voltar com seis milhões” de uma pratica que constituía maior negocio, dinheiro gasto na bebedeira, compra de viaturas de luxo, investiam em pouco! “Antes era um negócio rentável, agora estão a sofrer, deixaram viaturas, motorizadas parqueadas, casas inacabadas devido a segurança apertada e o número de mortes elevadas. Agora tem pouco por fazer, é uma miséria.”

É imensurável a angústia, dor, insatisfação que transborda no rosto de Cumbane, seus olhos carregados de água, sua voz por vezes, cai em rouca e retorna a normalidade. E, retracta a ganancia, cobiça em ter um carro, filhos levados a morte mandatados pelos chefes sindicalistas da caça furtiva. “Há aqueles que construíram casas bonitas, alguns andam de carros que nem imaginávamos. Nas aldeias Macoti, Matico, Xicaia, Mazove.”

 “O governo conhece todos os furtivos. Maldita hora que a caça furtiva foi descoberta. O patrão manda e quando há morte, custeia as despesas das exéquias tentando demostrar que são pessoas de boa conduta mas nós sabemos que são mandantes. Podíamos diminuir esta bandidagem. Mas aqui na nossa terra não se consegue. Cumbane Enfatiza  

Há membros do governo que apoiam a caca furtiva. Eram 4h00 de madruga, isto em 2011 quando duas pessoas desataram aos tiros de pistola em perseguição de alguns jovens de Nkanhane. A população bloqueou a estrada e prendeu as tais pessoas que apos terem chamado o comandante da polícia de Massingir, descobriu -se que as duas pessoas eram agentes da polícia de Maputo, que alugaram arma para os jovens que acabaram perdendo no kruger quando estavam a ser perseguidos pelos fiscais do parque. Mais tarde, alguns desses jovens foram mortos no Kruger. Diz Isac Aleone Fubai, líder comunitário da comunidade de Cubo.

Aparente redução
Aparentemente a caça furtiva reduziu em 2016 devido ao índice elevado de mortes, caçadores furtivos presos pelos ficais no Kruger que tiveram que reforçar as suas actividades no Limpopo e Kruger, enquanto isto alguns dos mais proeminentes caçadores furtivos, iam deixando a poeira baixar, outros, mesmo assim arriscavam suas vidas entrando nos parques. Há muitos segredos em torno da caca furtiva, com alguns membros do governo envolvidos, armas usadas provenientes de fora assim como as pessoas, quando presas dizem que ser de Massingir, quando são do distrito de Chokwe.
 “ Aqui no nosso Pais ninguém os prende. Essa caca vem do topo, nós aqui não somos nada, eles é que trazem as coisas para aqui e mandam os produtos pelos navios. É difícil encontrar solução para esta luta.” Diz um dos líderes locais.



Navara is the most notorious of the poaching leaders. This is an unsourced photo of him from 2015

 Uma outra fonte confidenciou que só com o dinheiro manuseado em Massingir, aquele distrito estaria num nível de desenvolvimento elevado comparativamente com o actual estagio, e os furtivos não estariam as ser afectados pela presente crise. Era muito dinheiro e de todo talvez tenham gasto 10% do que tinham na compra de carros, construções de casa. “ Usaram mal o dinheiro. Vi pessoas com congelador cheio de dinheiro. Estas a ver um congelador que não funciona, cheio de dinheiro, Rands, Dólares!”



Outside Navara’s home. He was unavailable though we were told by locals that he was seen coming in and out of his precinct in a white Land Cruiser

 Corrupção, Juízes
“A caça furtiva tem beneficiado pouca gente. Se um Juiz chega a um distrito a vir de ‘Chapa’ e, passado um, dois anos começa a mudar de carros, altas marcas, Audi, mostra que pode haver cumplicidade. De 2009, 20010 em diante, muitos casos de furtivos davam entrada ao tribunal de Massingir, eram absolvidos. Eu nunca vi alguém ir a cadeia.” Na altura Agostinho Mussangai estava afecto ao distrito de Massingir.

O tempo urgia, e, era preciso encontrar os chefes dos furtivos, desde Justine Nyimpine, Navarra, Chiure e seus sequazes. Claro que era um grande risco ir a procura do Navarra pela sua “popularidade na comunidade e no governo”, cadastrado não só na caça furtiva mas também no roubo de viaturas a mão armada, sua primeira profissão. “Navarra é uma pessoa perigosa. Se fores a procura dele, as pessoas vão telefonar para polícia, que vai perseguir- te como aconteceu com aqueles holandeses que estiveram, que iam sendo mortos pela população.” Mas era preciso encontrar os chefões do sindicato.

Pacto de Morte entre sindicalistas na caca furtiva
Entre os mandantes e seus trabalhadores faz se um pacto como no caso de se saírem bem-sucedidos serão pagos X e, no caso de morte, os mesmos chefes responsabilizam-se pelas exéquias. Pagam as cerimónias fúnebres, alegando que o filho daquela família foi la pedir lhes emprego. As famílias ficam com medo do chefe matar-lhes.
“Aqui, a nível do distrito, Chiure  o  mais antigo e mais velho furtivo, conhece Navarra mas não são amigos. Já enterrou mais de sete jovens, tem la um prédio, mercearia, uma Land Cruiser branca que comprou de outro furtivo. Também tens outros furtivos em Nyangani, Nkanhine como Rongane que viu seu irmao mais novo ser morto no Kruger parque em 2014”.



 The poacher-preacher: This 2015 photo of Justice Nyimpine, leaked to Oxpeckers, showed him in a SANParks helicopter

O Padre Furtivo na primeira pessoa ou “The poacher- preacher”
Tarde de Sábado, telefonemas, marcações e desmarcações, 10 minutos de condução, entramos na mansão de Justin Nyimpine sita na estrada principal em direcção a Chockwe. O furtivo padre já estava a nossa espera para uma conversa que levou mais de duas horas, uma autêntica salada, Ingles, Portugues, Changana, não era fácil ter toda a estória. 

Para Nyimpine, aquela não era sua primeira vez em cenários do género, sabia ao que íamos e logo a prior prometeu contar tudo e mais alguma coisa, algo que deixou-nos a vontade ate que, tirou-nos o tapete dos pés, cobrando pela entrevista! “ São vocês que querem falar comigo. Posso sentar me aqui convosco, conto vos tudo, mas são 15 mil Rands para gravar, fotografar, filmar. Mas se não pagarem, também posso contar-vos tudo, mas sem gravações, fotos.”

Foram aproximadamente duas horas e meia para tentar convencer Nyimpine, e explicamos que não pagamos a ninguém pelas entrevistas. E, como tradutor, até já doía-me a cabeça de tanto andar entre os três idiomas.
“Aqueles que me puseram no Youtube pagaram muito mais. "Duena" explica la esses aqui, eu sei que são jornalistas! ‘E necessário ficar frio. Aqui, estamos na minha obra, eu é que dirijo. Esta tudo controlado. Se conseguir vai sair do portão mesmo se não recolher nada. Queres saber se as pessoas estão a caçar! Sim, estão a caçar.” Dizia Nyimpine
Sou eu Justice Nyimpine, não sou um simples cidadão, sou pesos pesados, não sou uma pessoa fácil de encontrar. O que ‘e de Massingir esta aqui guardado comigo, não estou aqui para perder tempo! Retorquiu
De facto, Nyimpine que estudou até a 4 classe, para alem das suas quatro mulheres, também tem os seus vinte e um filhos por cuidar incluído a criação de gado bovino, o seu talho e a plantação de banana. Quer ver todos os seus filhos com uma formação superior. “ Quero ver todos os meus filhos frequentar a universidade. Eu sou pai!

Dádiva de deus
 O Padre furtivo atribui se um estatuto de humanitarista, acredita ter sido abençoado, uma dádiva e se esquece dos muitos jovens as centenas por ele e outros enviados para a caca do rinoceronte ou morte a tiro pelos fiscais dentro do Kruger Parque “Eu tive esta dádiva de deus para ajudar os outros, eu pessoalmente não quero ajuda de ninguém. Sou padre na minha igreja.” Ate mesmo na distribuição de armas e envio dos jovens a morte.
Enquanto exibe uns vídeos no seu telefone, de outras missas, convida – nos a sua igreja, assistir uma missa ministradas por ele mas sem se esquecer da sua principal actividade. “ Eu sou caçador furtivo, vendo e mando. Não tenho falta de emprego, sou patrão, arisco a minha vida para fazer o trabalho, ter dinheiro. ” Diz Nyimpine

Durante a conversa por vezes os ânimos se exaltavam, a tensão era amainada por sorrisos largos, frios e gargalhadas a mistura, afinal de contas estávamos com o Padre Furtivo, chefe dos furtivos, exposto nos órgãos de informação, redes sociais.
 Justificava que dinheiro que ele exigia pela entrevista seria para pagar advogados, e que ao contar os contornos da caça furtiva estava a por sua vida em perigo. “ Sou eu quem procura, caço, ate hoje sou patrão, conheço todo o processo, como é feito, quem esta envolvido, mercado de venda, quem compra, tudo. Isto é uma rede. Este é um sindicato muito poderoso, eles já sabem que nós estamos aqui dar informação a vocês.”

Aparentemente o negócio da Caca Furtiva também beneficia algumas reservas em Massingir  
O parque do Limpopo foi criado em 2001 e na altura não se ouvia falar da caça furtiva. No parque nós tínhamos Bill, um bóer que ainda la esta, contra todas as regras, fazia a fiscalização sozinho, tinha uma arma e fazia o abate dos “ditos” animais problemáticos, de elefantes, rinocerontes. Ele, sua Land Cruiser, e o helicóptero a que tinha direito, nunca eram revistados. Relata a fonte.

Os mentores da caça furtiva não eram da comunidade de Massingir que já tinha em mente a questão da conservação, ao mesmo tempo tinha benefícios em 20% das receitas do turismo, isto de 2007 a 2009 fase do pico do turismo ‘ recebíamos uns 20 mil turistas. N mesma altura a Twin City-Karingana Wa Karingana Reserve veio com seus “investimentos” e “ todo o mundo começa a saber que ir ao mato significa voltar com dinheiro”.



The home of the original and the oldest poaching leader, known only as Chiure

 De acordo com a empresa Twin City , o seu principal objectivo é investir na conservação da vida selvagem, prevenir e combater a caça furtiva. "A Twin City uniu forças com as unidades  sul africanas que vao trabalhar na caca furtiva incluindo o governo moçambicano, de Massingir que também fornecerá unidades no combate contra a caca  furtiva.”
A empresa alega não ter qualquer relação com líderes políticos moçambicanos "Twin City não tem qualquer parceria ou associação com qualquer líder político moçambicano".

Mas evidências ilustram que Twin City  tem a proteção de líderes da nomenclatura politica mocambicana  (FRELIMO) e seus parceiros de negócios sul-africanos.
AS Reservas privadas em Massingir, o Karingani (ocupa Gaza e Maputo) pertencente ao grupo Twin City, Safari Mondzo, Mooi Plass. Tambem existe a Massitonto, Sabie Game Park, e Lodges Covane Lodge, Balule lodge, este último também associado com Numaios e Samora Machel Junior, Renato Numaio, filho do ex-governador.

Segundo o BR+84+III SÉRIE — Número 84, a Sociedade denominada Twin City Ecoturismo, Limitada Certifico, com sede em Maputo, registada na Conservatória do Registo Comercial sob o número 100123428 tem como sócios a Twin City Development (PTY) LTD, titular de 50% das quotas, representada pelo senhor Reinecke Janse van Rensburg, e Twinsin Investment Holdings Limited, titular de 50% das quotas, Moçambicanos representado pelo senhor Muhammad Khalid Pey rye. Administradores da Twin City Luke Bailes, Rob Nathan e Mark Witney; e b) Pela TCD serão JohanVisagie e Reinecke Janse van Rensburg. Do lado Moçambicano temos como sócios o ex-Governador de Gaza, Eugénio Numaio com 10 mil hectares, seu filho Rangel Numaio, Samora Machel Júnior, Renato Mucavel.

Apesar de todos os factos, incluindo o Boletim da Republica que ilustras as ligações da empresa Twin City com Lideres políticos Mocambicanos, esta tenta ludibriar e contradiz se.  "A Twin City é uma empresa constituída em Moçambique com o objectivo principal de investir na conservação da vida selvagem.A Twin City não tem qualquer parceria ou associação com líderes políticos moçambicanos. "
“ Os mesmos Bóeres é que ajudavam os furtivos a comprar Land Cruisers na Africa do Sul como o senhor Ryane da estância turística Mangonzo, vi o carro que ele ajudou o furtivo a comprar, com dinheiro vivo. Como é que o Bóer achava que onde é que a comunidade arranjou dinheiro para comprar uma Land Cruiser. Há muita cumplicidade neste trabalho. O mesmo senhor Ryane pode confirmar. Todo o mundo sabe que são esses furtivos. Porque é que não estão presos!? Questiona a fonte

Janeiro deste ano, celebrava-se em Massingir, mais três rinocerontes tinham sido mortos pelos furtivos.” Em finais de Dezembro foram caçados rinocerontes. Ontem dia 10 de Janeiro desde ano, isto por causa do dinheiro, isto era pura adrenalina, parecia a festa de fim de ano. A Twin City  nao esta ali para proteger nada mas tambem cacar .    Enfatizou uma das fontes cujo nome nao revelamos
 
   




                       

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mozambique’s poaching castles are crumbling


14 Mar 2017 Posted at 07:56h in Kruger poaching links, Mozambique trafficking links

Estacio Valoi travelled to Mozambique’s poaching capital to catch up with some of the kingpins who built their mansions on the proceeds of killing Kruger’s rhinos

Nympine’s mansion along the main road to Chokwe district remains half-built.
 Photos: Estacio Valoi

Young Mozambicans living along the border with the Kruger National Park leave their families without saying goodbye and, motivated by the pursuit of money, head out on a journey that most of the time means no return.
In their pursuit of rhino horns and, more recently, elephant tusks, these ground-level poachers are intercepted by game rangers and security officers inside the Kruger carrying firearms. Usually they shoot before asking questions. Often the young Mozambicans die.

Massingir is a dusty, dirt-poor district about 550km drive from Johannesburg. It is located in the north-west of Gaza province and borders with Chicualacuala district in the north, with Magude district in the south, Mabalane in the east and South Africa’s flagship Kruger park in the west.
Despite its potential, described in the development plan of Massingir in 2010, there are no industries or employment, agriculture is minimal, and the recent development of ecotourism does not yet benefit the local population on a large scale.

Meeting the leaders

As the sun rose on the red village, we set out for a morning encounter with Justice Ngwenya, also known as “Nyimpine”; Simon Ernesto Valoi; also known as “Navara”; and a man called Chiure – all identified as leaders of the youths eager to earn money out of killing. Attracted by the wealth the leaders flaunt, the youths come to them to request firearms and instructions on how to poach inside Kruger.
Acting as the interpreter for a film crew, I wanted to sit face to face with the poachers but things didn’t work out as expected. Only Chiure, the original and the oldest poaching leader, and Nyimpine, the second in the system, would meet us.

Navara is the most notorious of the poaching leaders. This is an unsourced photo of him from 2015
Navara is the most notorious of the poaching leaders. This is an unsourced photo of him from 2015

Navara, the most notorious, was unavailable though we were told by locals that he was seen coming in and out of his home precinct in a white Land Cruiser. The first in the local hierarchy is Chiure, followed by Nympine and then Navara – although there are others poachers in Nyangani and Nkanhine, such as Chief Lucas Ringane, who in 2014 saw his young brother killed in Kruger park.

First we went to the home of Jaime Cumbane’s, the community leader of the Eduardo Mondlane neighborhood, recently created when about 500 families were resettled out of the Limpopo National Park – the transfrontier park that is shared between Mozambique and northern Kruger.

The resettlement process is part of the regional socio-economic plan, and has brought some new opportunities to the communities that were previously exposed to wild animals and drought in Limpopo National Park. However, there are still about five communities comprising more than 13,000 families living inside the park, according to Antonio Abacar, the park’s outgoing administrator.

While talking to Cumbane, his eyes were constantly surveilling his yard, trying to monitor his kids’ activities, since the departure of youths to the killing fields of the Kruger is never announced.
Seeking easy money and mansions, the youths have no time for goodbyes and much less prospect of return, he said. “The possibilities are they return with rhino horns, or come back inside a coffin.”
Abacar said a lot needs to be done in terms of the Mozambican judicial system because it is “fragile” and still benefits the poaching syndicates.
“The current legislation only serves to punish the low-level poachers, leaving the traders, transporters and middle men at large,” he said. “There is a difference in the legislation in South Africa, and the Mozambican law is weak.”

The home of the original and the oldest poaching leader, known only as Chiure

Lottery: easy money or certain death

Those poachers who have returned and managed to make money out of the illicit business have guzzled it up in the acquisition of fancy vehicles and flashy homes. The incentive for poaching declined in 2016 due to the high number of the deaths and arrests by rangers in Kruger, said Cumbane.
“Before it was a profitable business, but now because of the many deaths and the tight security in Kruger, the same men are suffering and they have parked their vehicles and motorbikes, and their houses remain unfinished. And now they have nothing to do, it is a misery,” said Cumbane.
The way the business works, he said, was that the boss places orders, and in case of death he supports all the funeral expenses “as a way of demonstrating being a good person, but we know that they are bad people”.

He said the government knows all the poachers and could reduce the levels of criminality, but the political leaders are also involved.
In Massingir everybody knows the people from the syndicates, because they drive luxury vehicles, possess fancy houses and nobody detains them.
“This comes from the top and we are at the bottom, we mean nothing,” said a local leader who did not want to be named. “They are the ones doing things here and shipping out the horns. It has been difficult to find solutions for these problems.”

Another community member said the poaching syndicates had misused the money. “With the money involved in this business Massingir could have reached a high level of development, and at this moment of the crisis the poachers would not be suffering.
 “The poachers have only spent 10% of the money they earned through poaching on houses and cars. I even saw some people keeping money inside broken fridges. Can you imagine a broken fridge full of dollars and rands?”

With time ticking it was necessary to find the bosses of the poaching. We met Chiure, the original poaching leader, in his village shop and chatted with him about his area. He sold us beer and water and talked about the drought, but avoided any conversation about poaching.
It was a risk to look for Navara because of his popularity within the community and the government. He is known as a dangerous criminal, linked not only to poaching but also to alleged murder and car hijackings – which apparently was his first “profession”.

“Navara is a very dangerous person. If you investigate him the population will report you to the police, like what happened to the overseas journalists who were here and were almost killed by the locals,” said one of our sources on the street who did not want to be named.

He was referring to the incident in March 2015 when German reporter Bartholomaus Grill and Swedish photographer Toby Selander were held hostage by locals after they approached Navara’s house in an attempt to interview him. They were arrested by police in Massingir and hauled before a local court before the Swedish embassy intervened and arranged for them to leave Mozambique. (see Journalists held captive by rhino poachers)

Outside Navara’s home. He was unavailable though we were told by locals
 that he was seen coming in and out of his precinct in a white Land Cruiser

Death pact

Among the syndicate kingpins and their associates, there is a pact that if poaching assignments succeed the payment is fulfilled and in the case of death, the same bosses take responsibility for sponsor all the funeral costs. They say the son of that family had gone to them asking for a job, and a firearm. In most instances the parents are afraid of being victimised or killed by the chief, so they play along.

Chiure has buried more than seven boys from the area that he hired for poaching. He possesses a block of flats and a grocery, and drives a white Land Cruiser.
He knows Navara, but they are not friends. Navara is younger than him.
We then drove to “Nympine’s” mansion along the main road to Chokwe district. The poacher-preacher was waiting for us and our conversation was conducted sometimes in Changana, English and Portuguese, but it was not easy to get the full story.


The poacher-preacher: This 2015 photo of Justice Nyimpine, leaked to Oxpeckers, showed him in a SANParks helicopter

It wasn’t the first time Nyimpine was in such a situation, he already knew what we were going to do and immediately expressed his availability in collaborating with us – so long as he could charge us R15,000 for the interview. “Are you the ones looking for me?” he asked. “I can sit here with you and tell you everything as long as you pay R15,000 to record, shoot and film. Otherwise no recording, shooting and filming is allowed.”

It took us almost two and a half hours to convince Nyimpine that we were not paying. As the interpreter of the group I was getting a headache from speaking in three different languages.
Nyimpine said he knew the crew were journalists and insisted they needed to pay. “This is my place and everyone is under my orders. Do you want to know whether they are poaching? Yes, of course they are,” he said.

“I am Justice Nympine and not a simple citizen,” he continued. “I am the greatest and I am not easy to find. Massingir lays down before me and I am not here to waste my time.”
Nympine went to school until standard four, has four wives and 21 children to look after. He runs cattle breeding, butchery, and banana plantation businesses in Massingir. He said he wants to see all his children go to university.

He claimed to be a humanitarian, forgetting that many of the youths sent to Kruger park by him and his partners to hunt rhinos were shot dead by the rangers.
“This is a gift I was given by God to help others. I am the preacher of my church,” he said, showing some videos on his cellphone of mass and inviting us to his church to attend one of the masses conducted by him.

Then he returned to his main activity: “I am a poacher, I order and sell. I don’t miss a job, I am the boss and I risk my life to work and get money.
“I know how it is done and who are involved, including the market and the potential buyers. This is a network, a powerful syndicate.” Without payment, though, he would not reveal the details.

Dusty district: average homesteads in Massingir

Blame game

According to Nyimpine, the business of poaching has also benefited some rangers inside the Limpopo National Park, the transfrontier reserve created in 2001.
“At that time there was no poaching. Then a South African ranger [name withheld] who is still there started patrolling the park all alone, against the rules. He had a gun and killed some ‘problem animals’ such as elephants and rhinos. His vehicle and helicopter were never inspected,” Nyimpine said.

The leaders of the poaching gangs did not originate in the Massingir community, he said, because the community was originally keen to protect the species in the Limpopo National Park.
Before the rhino poaching started to rise in 2009, the Limpopo National Park hosted up to 20,000 tourists a year and the local communities receive 20% of the tourism profits. After the rhinos disappeared from the transfrontier park, the tourism numbers dropped and so did the revenues.
Nyimpine said his sources had told him that some South African conservationists were helping the poachers to buy luxury vehicles in South Africa.

“I saw one car bought for cash. Where did they get all that money to buy such a car? There is lot of connivance in this poaching business,” he said. – oxpeckers.org
More investigations in our Mozambique trafficking links dossier:
The uphill battle to save rhinos in Mozambique
Rhino trafficking: Down the rabbit hole at Kruger

quinta-feira, 9 de março de 2017

CTIJF Free Community Concert’s line-up to Jazz up the city




Cape Town, 09 March 2017 – Greenmarket Square will come alive to the sounds of the very best Cape Town International Jazz Festival (CTIJF) artists at 17h00 on Wednesday 29th March 2017. The annual Free Community Concert, set in the heart of Cape Town, is a free event that welcomes music fans from near and far to enjoy an incredible showcase of performing artists from this year’s CTIJF line-up.

This year, the festival has curated an outstanding line-up to entertain and unite Cape Town’s public, featuring the “real funky divas” RnB sensation En Vogue (USA), local afro-pop heroes Mango Groove (SA), SAMA-winning reedman Moreira Chonguiça (MOZ), 2017 espYoungLegends winner VuDu (SA), SACTWU talent winner Danielle Jacobs (SA) and the CTIJF Sustainable Training & Development All Star Band.

Crowds will gather to dance, sing and reminisce to the headline performance by RnB group En Vogue, who will transport fans back to the 90’s with their soulful, up-tempo hits, and give them a taste of what the “real funky divas” have been working on with their upcoming album Electric Café.  

Fan favourites Mango Groove, with the soaring vocals of Claire Johnston, and the classic African pennywhistle that forms their big band ‘Marabi-Pop’ sound, will get the Greenmarket Square audience moving to their uniquely infectious groove, with their classic hits and exciting on-stage presence. 

For real jazz fans, the adventurous musical identity of Matol-born, SAMA-winning reedman, composer, producer and ethnomusicologist Moreira Chonguiça will captivate Cape Town.  Playing many styles from places such as Mozambique, Nigeria, Zimbabwe and Congo in a mixture of different genres with a bit of hip hop, funk, and contemporary, Moreira lets his ancestors talk through him to connect with everyone willing to hear.  

“Because the CTIJF is firmly rooted in sustaining the future of the music industry in South Africa, and promoting the arts and culture movement, we have included the brilliantly talented VuDu, winner of the second annual espYoungLegends competition, in the line-up for this year’s Free Community Concert, as well as a young band and a fledgling solo performer, all of whom will entertain and give us a glimpse as to what audiences can expect in the future of South African music,” said CTIJF Festival Director, Billy Domingo.
VuDu will certainly live up to Domingo’s expectations and that of the crowds. The nu-jazz collective from Port Elizabeth, was formed to play straight-ahead jazz standards but has evolved into an outfit specialising in the fusion of traditional and African jazz with urban contemporary genres.

The young performer who will take the stage for her first live concert, is Danielle Jacobs the winner of the annual Southern African Clothing and Textile Workers Union’s talent competition, while the band to round off the line-up, is the carefully selected group of young performers from the CTIJF Sustainable Training & Development Music and Career workshops, dubbed the All Star Band.

Sponsors of the 18th Cape Town International Jazz Festival Free Community Concert include: Department of Arts and Culture, Independent Media, National Lottery, South Atlantic Arts & Culture Trust, City of Cape Town, Coca Cola, Cape Town Central Improvement District.

//Ends
For further information and media enquiries, please contact:
Nomsa Mdhuli:  Nomsa@networxpr.co.za
Or
Kaz Henderson: Kaz@networxpr.co.za

Limited Day Passes for the Cape Town International Jazz Festival are available at www.computicket.com or at the following link:
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About The Cape Town International Jazz Festival

The Cape Town International Jazz Festival (CTIJF) is the flagship event for the leading events management and production company espAfrika, which has staged and produced several world-renowned events. Affectionately referred to as “Africa’s Grandest Gathering”, the Cape Town International Jazz Festival is the largest music event in sub-Saharan Africa. The Cape Town International Jazz Festival (CTIJF), now preparing for its 17th year, is an annual event. It is famous for delivering a star-studded line up featuring international and local artists in the jazz and jazz-related genres. This proudly South African event is hosted at the Cape Town International Convention Centre (CTICC) each year on the last weekend of March or the first weekend of April. The festival boasts multiple stages with over forty artists performing over two nights. The festival hosts an excess of 37, 000 music lovers over the two show days and is combined with the CTIJF Sustainable Training & Development programme that aims to uplift and educate the youth. http://www.capetownjazzfest.com/

About espAfrika
espAfrika is a global leader in creating and producing unique entertaining experiences. With nearly twenty years in the industry, the company has grown into one of the most highly-awarded event management and production organisations in South Africa. espAfrika thrives on realising clients’ ideas and creating exceptional concepts that are relevant and engaging to today’s audiences. espAfrika owns and manages annual events such as the Cape Town International Jazz Festival which attracts festinos from around the world. espAfrika is a proud subsidiary of African Equity Empowerment Investments (AEEI)

quarta-feira, 8 de março de 2017

Festival Internacional de Jazz Cape Town




O baixista

O Festival Internacional de Jazz de Cape Town é um festival anualmente realizado na Cidade do Cabo, África do Sul. O primeiro foi realizado em 2000 a 2005 e é reconhecido como o quarto maior festival de jazz do mundo e o maior festival de jazz do continente africano a caminho da sua 18 edição a ter lugar a partir do dia 31 deste mês de Marco e com término no dia 1 de Abril de 2017

Por Estacio Valoi.


" Estaria feliz se conseguisse actuar em Moçambique."
Victor Lemonte Wooten (nascido a 11 de Setembro de 1964) é um baixista americano, compositor, autor, produtor, e vencedor de cinco grémios. Wooten foi por três vezes consecutivas galardoado como melhor baixista do ano pela revista Bass Player, primeira pessoa a ser atribuída o premio por mais de uma vez. 

Em 2011,Woote ficou na décima posição na "Top 10 Bassists of All Time" grelha dos “10 melhores baixistas de todos os tempos” da revista Rolling Stone. Além de uma carreira a solo e com colaborações com vários artistas, Wooten foi o baixista de Béla Fleck e os Flecktones desde altura da formação o grupo em 1988.

Em 2008, Wooten juntou-se a Stanley Clarke e Marcus Miller na gravação de um álbum e sob as siglas SMV e em Agosto do mesmo ano, o trio lançou o álbum intitulado Thunder – Trovão, no mesmo mês culminou numa digressão. Wooten também escreveu um livro intitulado “ A Licão da música: Uma procura de crescimento espiritual através da música.’ Segundo Victor, na sua website diz que tenciona lançar pelo menos mais três livros. Victor tem o seu próprio estúdio, Vix Records através do qual lançou as suas músicas. Enciclopédia   
  
Mas a enciclopédia era viagem dos outros e não a minha. Eu, queria era encontrar me com o próprio Victor, e, claro, a equipa da imprensa e todos os organizadores do Festival Internacional de Jazz de Cape Town, iam andando a velocidade estonteante, muita adrenalina fazendo. Naquela sala do hotel de Cape Town, a cada um dos Jornalistas e seus entrevistados, tinham de entre  10 a  15 minutos de entrevista nos 'estúdios' -quartos do hotel, disponíveis,  fecahaos ficávamos   a volta do Jazz, vida com nossos entrevistados. Seria preciso mais tempo. Contudo, foi tempo suficiente para a hora de ponta, ‘engarrafamento” total , correria pelo hotel, foram bons minutos  de conversa

EV: Um baixista como você, o teu nivel . Que significou estares, partilhares o mesmo palco com Marcus Miller também um dos melhores baixistas?

 VW: Obrigado. Foi maravilhoso. Aqueles rapazes têm sido os meus heróis desde a minha infância. Encontrei o Stanley Clarke pela primeira vez quando eu tinha apenas nove anos de idade, e sempre que estou com ele, sinto-me como se ainda tivesse nove anos e idade. 

Mas neste caso, fui tratado ao mesmo nível, igual a eles. Então, sabes, se podes imaginar os teus heróis em tudo o que gostas de fazer, então pense nesta turma, nestas pessoas na tua área de trabalho, nas melhores pessoas em seu redor e de repente estas a actuar com eles ao mesmo nível, um igual a eles.
É sempre uma honra para qualquer um, mas tem de se aprender como fazer, porque perante estes rapazes eu continuo sendo aquela criança. Mas eles trataram-me igual a eles, então foi uma grande oportunidade.


EV: Tendo em mente a tua infância, como criança de ontem, hoje, que sentes, significa para ti estar a ensinar todas estas crianças através da música? 
 VW: Certamente que tenho muita experiencia, nesta longa carreira musical, tocando há muito tempo. Então o facto de poder partilhar esta experiencia com músicos jovens de varias idades, mas músicos que todavia puderam trilhar este caminho, é uma alegria; saber que vou estar a ensinar, tento ser o melhor possível, tal como com o meu instrumento, pratico o meu instrumento ensinando m e err… (o telefone toca) yeah, mas também ensino practicando. Quando estou a trabalhar contigo ou com quem quer que seja, quero pesquisar ensinando. Quero ser o melhor professor possível, para que, ter certeza de estar a dar, transmitir algo benéfico.
 
Estou a transmitir – te algo, não se trata de mera criação, como me vês quando estou no palco, queres saber que eu tenho ensaiado, queres saber que eu tenho praticado, queres saber que eu estou a ultrapassar as expectativas. Acho que um professor deve fazer a mesma coisa.

EV: Não posso imaginar. Ė fácil ser um dos melhores baixistas?
VW: bem…ser um dos melhores, não vejo isto dessa maneira. É como tu dizes, mas será que és o melhor? Não estás preocupado em ser o melhor quer apenas ser capaz de expressar, dizer o que te vem na alma. Então, musicalmente quero apenas expressar- me, não tem nada a ver com o facto de ser o melhor, mas sou eu mesmo, autentico.   

EV: Queres ser melhor que tu mesmo e não melhor que outras pessoas.
VW: Certo! Quero ser o melhor de mim, da melhor forma possível, ok!

EV: Quem é a pessoa que está por de trás do musico Wooten,
VW: De trás de mim? O músico?

EV: Sim!
VW: Não percebi bem a sua questão, mas tenho...

EV: A pessoa por detrás do músico.
VW: Primeiro espero ser uma boa pessoa. Uma boa pessoa que se expressa através da música, uma boa e honesta pessoa que se preocupa com os outros que encontra na música uma forma e comunicar, expressar-se. Mas também tenho tido muita ajuda da minha esposa, meu empresário, do meu director de digressão, minha banda, amigos, há muitas pessoas que me ajudam a ser quem eu sou. 

EV: olhando para a maneira como tocas, esta cozinha, mistura do espiritual e emocional, o que te vem a cabeça quando estás no palco?
VW: Certamente que umas das coisas que faço fazer é agradar aquelas pessoas, o publico que pôs me no palco, está bem. Sem pessoas como tu não tenho carreira, assim como não teria carreira sem aquelas pessoas que pagam para ver-me. Então, quero agrada-los, tocar para eles, quero…


EV: então, o que te ocorre fazer para agrada-los? É a maneira como te adaptas ou como improvisas por exemplo?
VW: Claro. Quando está tudo fluir como deve ser, bem, não sei o que me vai na mente porque no momento não há espaço, esta fora de cogitação pensar nisto se não apenas expressar eloquente. É como falar, não pensas em cada palavra que trazes ca para, vão soltando-se, tens um objectivo geral. Sabes? E então para mim quando estou a actuar ao vivo, quando as coisas estão a correr bem, é o mesmo, não penso, divirto-me. Consigo sentir o espírito do público, quero que eles também sintam o meu e juntos possam nos misturar uns com os outros. E, tudo isto significa realmente estar a ter um grande momento. 

EV: Olhando para trás na sua vida, o que mudarias err, para te tornares diferente ou de modo a fazeres coisas que terás feito no passado mas de melhor maneira hoje? Não sei se tu… 
VW: Hum. Quero dizer que, não tenho certeza. Tenho que pensar, não sei o que teria de mudar porque tudo o que fiz no passado, bom ou mau, tornou-me o que sou hoje. E gosto do que sou. 

EV: então, tudo o que estás a tentar dizer é que nós temos que nos apegar as oportunidades para os nossos filhos, nossas pessoas, cometemos erros porque fazemos algo?
VW: Bem… (gagueja) … Ė humano cometer erros e humanos crescem. Os erros fazem parte do processo de crescimento. E Porque sei que não posso voltar para trás e mudar o meu passado, então nem me preocupo isso mas presto atenção em tudo o que agora faço, porque pelo menos posso mudar o futuro. Não posso mudar o passado mas posso afectar o futuro, e o que faço agora é o mais importante. Mudar o passado é quase que impossível. Estou ciente do meu passado mas o que faço hoje é o que irá afectar o meu futuro.


EV: Hoje estás no “ Cape Town International Internacional Jazz Festival” como te sentes por estar a participar pela primeira vez?
VW: Faz anos tenho ouvido falar do festival de Cape Town, estou feliz e honrado por estar aqui. 

EV: Antes estive com Marcus Miller aqui e sei que ele foi a Moçambique. Acho que deixei-o a actuar lá, deve ter sido há um mês atrás. Já te passou pela cabaça actuar em Moçambique?
VW: Espero que sim. Quero actuar em muitos países possíveis, então se eu pudesse ir a Moçambique, ficaria muito feliz.

EV: Está bem, obrigado
VW: obrigado.