terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Diz Lourenço Sambo, Linha feira e porto de Aguas profundas para Macuse



Texto e fotos: Estacios Valoi
23/12/11
Rio Tinto empresa Australiana envolvida na exploracao de jazigos de carvão na província de Tete prevê a construção de uma linha férrea com a extensão de 575 e um novo porto de águas profundas na localidade de Macuse no distrito de Namacurra, na Zambézia
Os dois projectos a serem implementados estão orçados em cerca de 8 bilhões de dólares americanos como previsão para a conclusão da sua fase piloto em cinco a seis anos.
Segundo o director do Centro de Promoção de investimento (CPI) Lourenço Sambo apesar de estes projectos não fazerem parte do plano estratégico de desenvolvimento da Zambézia, são imprescindíveis para a continuidade das várias actividades em prol do desenvolvimento integral da província mas com o envolvimento de parcerias pública e privada.
“O CPI tem este papel, recebe os projectos, faz toda a articulação institucional. Nesta fase estamos com o sector dos transportes, ambiente e valor de investimento assim como o impacto económico é significante. Vamos levar este projecto ao conselho de ministros para numa primeira fase ser aprovado o acordo de princípio, incentivos.
Prevê -se que a fase de conclusão da projecção do inicio da construção das infra-estruturas seja de cinco a seis anos, implementado com base numa parceria publica e privada”.
“Vão fazer vários estudos e, um deles é da empresa Rio Tinto na altura Riversday. Na reunião da Commonwealth, na presença do chefe de estado moçambicano visitamos as instalações da Rio Tinto e houve este cometimento de se estudarem alternativas em como utilizar o rio Zambeze para escoar o carvão e a outra a mais viável foi como construir o ramal de 575 quilómetros de Tete ate um novo porto de águas profundas já identificado aqui em Macuse.
Recebemos o projecto e com orientação do primeiro-ministro, os detalhes são simples. Estamos numa fase de análise, há estudos de impacto ambiental que vão ser feitos. Só o estudo esta acima de 20 milhões de dólares mas é aquilo que a Rio Tinto e outras empresas de Queensland vão investir numa primeira fase. É o mínimo daquilo que o porto vai custar.
O porto de Macuse e os 575 quilómetros de linha férrea de Tete a Macuse. De Quelimane a Mocuba fica para a história.
“Daqui para frente e assim como fizemos em Tete, vamos organizar uma visita a Rio Tinto na Austrália com o envolvimento da própria da Zambézia e no primeiro trimestre do próximo ano vamos levar o projecto ao conselho de ministro.
‘E precisa preparar já o empresário nacional e em particular o da Zambézia para tomar conhecimento porque isto vai envolver muito trabalho porque o ramal do lado da Zambézia vai ter uma certa distância que agora não posso precisar mas só para chegar até ao porto de águas profundas é uma coisa fenomenal. É um projecto submetido ao governo para apreciar, não para aprovar”.
Utilidade pública do projecto
São duas infra-estruturas de utilidade pública. Com os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) fizeram um trabalho já de cinco a seis meses agora vão organizar uma equipe que vai visitar a Austrália com o envolvimento de vários sectores incluindo o governo provincial.
Quando falo de 8 bilhões é só uma pequena parte porque o governo tem que participar com a outra, energia um conjunto de coisas mas para isso tem que haver uma definição clara.
Esse vai ser um primeiro projecto que vai elevar o nível de investimento na Zambézia, um projecto ancora que não esta no plano estratégico mas já podemos anunciar.
Clivagens políticas
“Acredito que não haverá, sim porque tem múltiplas vantagens e, num Pais de democracia a infra-estrutura acaba resolvendo ou aproximando as divergências políticas. Não vejo de facto nenhum problema. São daquelas coisas que tem que acontecer, um empreendimento meramente económico e, aqui o investidor não é o governo, o mais interessado é uma empresa meramente séria que se chama Rio Tinto.

Plano estratégico para o desenvolvimento da Zambézia pornográfico




Texto e fotos: Estacios Valoi
27/12/11
Foi recentemente apresentado na cidade de Quelimane o plano estratégico para o desenvolvimento da Zambézia para 2011/20.
A implementação do plano orçado em cerca de 7.251.331.1864 bilhões de dólares americanos serão alocados e direccionados para os considerados mais importantes pilares, desde o Desenvolvimento económico-social e humano, boa governação, descentralização, combate a corrupção e promoção da cultura de prestação de contas e assuntos transversais.
Durante o lançamento do plano, o Ministro das pescas na comunidade internacional e sociedade civil moçambicana, o timoneiro as pescas, considerou a Zambézia com sendo “um diamante em lapidação. Ao longo dos últimos anos no Pais temos vindo a construir uma sociedade cada vez mais justa que oferece oportunidades iguais a todos e cada vez mais inclusivas”.
Saibamos transformar tais desafios em oportunidades para atrair investimento que conduzam a geração de emprego e renda e consequentemente os padrões de via da população e seu bem-estar também. Declaro aberta esta reunião do plano estratégico do desenvolvimento da Zambézia 2011/20 “.
A questão é, o diamante em (de) lapidação e que oportunidades justas para todos para tirar a Zambézia do estado letargo em que se encontra, rica pobre.
“O valor estipulado para que se alcancem os objectivos preconizados para o sucesso deste plano, serão subdivididos entre três importantes pilares considerados preponderantes para um crescimento sustentável.
Para o desenvolvimento social humano serão 1.9 bilhões de dólares, relançamento do plano económico e crescimento da província com maior porcao5.2.bilhoes, boa governação, descentralização, combate a corrupção 94 milhões e assuntos transversais 27.3 milhões
Mas a questão é mais ambígua com as maiores responsabilidades na implementação do plano assentes nas mãos do sector privado.
“ Há aquilo que são responsabilidades do sector público e privado
Sector público
Desenvolvimento humano e social com a intervenção de ambos os sectores em 50% para cada um, crescimento e económico e desenvolvimento com 10% para o publico e 90% para o privado enquanto a boa governação, descentralização, combate a correlação, promoção da cultura de prestação de contas constituem responsabilidade primaria do estado com 70% para o publico e 30% para o privado assim como nos assuntos transversais, também primaria ao sector publico coubera 70%.
Em resumo calculando a média de todos os pilares de intervenção no que se refere aos recursos provenientes de ambas as partes, seria de 22% de intervenção do sector público contra 78% do sector privado
A nossa reportagem em entrevista com um dos painelistas no encontro, Armindo Tambo mestre em planificação e desenvolvimento regional enfatizou a questão da necessidade de aposta em prol do desenvolvimento do capital humano.
“Desenvolvimento do capital humano é um pilar indispensável para o desenvolvimento de qualquer sociedade. De facto a Zambézia não é pobre em recursos naturais, mas torna pobre pelo facto do tal desenvolvimento não se fazer sentir no seio da população que é o índice do desenvolvimento humano.
De todos esses pilares é necessário que se fique a tento aos recursos financeiros, sob pena de ate 2020 não atingirmos tais planos ambiciosos que temos no nosso plano estratégico. Cada pilar deve ser revisto minuciosamente através dos seus orçamentos operacionais, racionalização dos gastos, capacidade de gestão nos sectores públicos e privados.
Não é possível o plano estratégico acontecer sem o envolvimento de todos os sectores, é preciso que haja uma sincronização.
Tambo reconhece que o plano não é novo, quiçá “copy’ a semelhança dos relatórios alucinantes elaborados para serem apresentados a comunidade internacional e muitas das vezes contrastando com o que se vive no terreno.
“Não tenho aqui os documentos, mas verdade tem que ser revelada. Os recursos estão acima de tudo, são fundamentais e sem estes não é possível a execução da obra, é preciso que se atraia investimentos, expor aquilo que é o potencial da Zambézia.
Temos a estrada que vai a praia de Zalala totalmente danificada, como é possível que o investidor, turista que vem da África do sul onde tem belíssimas estradas possa chegar lá, são estes entre outros factores que se calhar concorreram para o fracasso do plano anterior mas queremos assumir que a Zambézia continua a ser pobre.
Agricultura como base para o desenvolvimento não apenas da Zambézia mas de um vasto Moçambique com 1% do Orçamento Geral do Estado e 9% para o SISE, pior ainda ausência de políticas agrárias, que ginástica para contornar esta situação ainda a velocidade de cruzeiro, isto para não mencionar o sistema de irrigação de Tewe em Mopeia visitado um par de vezes pelo Governador da Zambézia Itai Meque e o Ministro da Agricultura José Pacheco que já deveria ter sido entregue em 2008/9, Sombo no distrito de Chinde um dos maiores da Zambézia a operar em cerca de 20%!
Tambo reconhece ”Se prestei atenção neste plano a agricultura esta mais concisa, vamos esperar a operacionalização mas o passado não nos mostra boa experiencia. Vamos acreditar que apôs este plano, ideias claras sobre o sector agrário, sistema de irrigação, criação de regadios, porque não é possível dependermos 100% da chuva e, na base disto para que a agricultura não possa apenas depender das chuvas e para que se possa produzir duas épocas do Arroz, Gergelim, Milho, etc.
O plano deve ser amplamente visto com uma conjugação de sectores como pessoa acredito que com o meu contributo é possível atingir os objectivos do plano.
Mas não só a água faz parte das várias questões que vem minando o desenvolvimento da Zambézia e do Pais. A turma da mão leve (corruptos) também faz parte.
Segundo Adbul Carimo um dos intervenientes no debate sobre a implementação do plano e, com base no DB 2011 que de entre varias, algumas das suas constatações que a luz das seis componentes e natureza da estratégia global de reforma do sector publico (fase I 2001/5), vieram ao de cima.
Alguns dos principais constrangimentos, inserem se na morosidade durante a tramitação de processos no registo de uma propriedade o que comparativamente com 183 economias coloca Moçambique em 156 lugar, com oito procedimentos em cerca de 45 dias, em 107 lugar para pagar os diversos impostos.
Carimo enfatiza “só para começar um negócio em Moçambique que se encontra na 70 posição são precisos nove procedimentos. Passamos de 13 em 2007 para 10 em 2008 e 9 em 2001, são necessários 13 procedimentos e 370 dias (licença de construção e de ocupação) e na obtenção de energia esta em 172 lugar com 9 procedimentos em 120 dias e faz a apreciação crítica do III pilar (Boa governação, Descentralização, Combate a Corrupção e promoção da cultura de prestação de contas).
“Racionalização e descentralização das estruturas e processos de prestação de serviços:
Melhoria do processo de formulação e monitoria de políticas públicas; profissionalização dos funcionários do sector público; melhoria de gestão das finanças públicas e prestação de contas; boa governação e combate a correlação; gestão do processo de reformas; boa governação e combate aos obstáculos ao nosso desenvolvimento com destaque para o burocrátismo, o espírito do deixa-andar e a corrupção (Aprovado na 24 sessão do CM- 10 de Outubro e 2006)
Quanto maior for o monopólio do sector publico (entenda-se funcionário publico); quanto maior for o poder discricionário do funcionário publico e quanto menor for a prestação de contas, maior será a corrupção”
Não de forma pornográfica como o plano foi apresentado, ontem hoje constata se que os milhões do povo, as grandes empresas, pertencem as grandes elites e mais com acções nos mega projectos no Pais, que geralmente não pagam os seus impostos ignorando todos os alertas do Tribunal Administrativo isto para além dos reembolsos de milhões e milhões de meticais feitos gota a gota
Quanto maior o numero de procedimentos mais oportunidades criamos para a ocorrência da corrupção.
Se associarmos esse monopólio mais o poder discricionário e mais a quantidade de procedimentos então dão conta do peso da burocracia e as oportunidades de corrupção que o cidadão tem que enfrentar. O desafio que se coloca a província e: ate onde conseguimos tomar as coisas mais simples, menos burocráticas, menos onerosas e mais transparentes.
Que caminhos e objectivos concretos traçarem para que o investimento seja atractivo e o desenvolvimento seja uma realidade. Sublinhou Carimo

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Em Quelimane STAE partidarizado enfatiza o MDM


Texto e fotos: Estacios Valoi
08/11/11
MDM lançou segunda-feira ultima na capital da Zambézia, Quelimane dados referentes ao processo de recenseamento com vista a realização das próximas eleições intercalares a decorrer no dia 7 de Dezembro nos municípios de Cuamba, Pemba e Quelimane respectivamente.
Os dados em questão são referentes ao município de Quelimane, recolhidos em paralelo ao processo pelos fiscais do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) nos dezoito postos de recenseamento, que de entre novas inscrições, segunda via e transferência registou um total de 25.258 mil eleitores.
O processo de recenseamento, assim como a recolha de dados foi realizado na EPC de Quelimane, EPC 3 de Fevereiro no Bairro Mapiazua, EPC-Unidade de Sinacura, EPC de Aeroporto-A, EPC 1 de Aeroporto-Aeroporto Expansao, EPC de Janeiro-Unidade Janeiro, EPC de 25 de Junho-Campo de Benfica, EPC- de Sangarveira-Sangarveira, EPC- 1 de Icidua na Unidade Icidua, EPC de Coalane na Unidade de Coalane, EPC de Cocolo na Unidade de Cocolo, EPC 17 de Setembro na Escola da Sagrada, EP 1 de Manhawa na Unidade Manhawa, ESG Eduardo Mondlane na Unidade Floresta, EPC de Micadjune na Unidade de Micadjune, EPC de Namuinho em Namuinho e na EP 1 de Gogone, postos instalados para efeito.
Segundo o candidato a presidência do Município de Quelimane Doutor Manuel de Araújo, disse que apesar dos constrangimentos os fiscais do partido que representa estiveram nas mesas e fizeram uma recolha paralela.
“Os nossos fiscais estiveram nas mesas, foram capazes de fazer uma recolha paralela com base no seu registo de dados do recenseamento eleitoral e fazer um balanço ate ao dia de hoje com o intuito de promover a transparência. Em termos de novas inscrições, conseguiram registar 9.888 mil, segunda via 11.335 e transferências 4.035 eleitores, portanto um total de 25.258 mil eleitores, esses são os dados globais de acordo com o mapa que fornecemos.
Temos os dados por cada posto de recenseamento. A sagrada família foi aquela que registou o maior numero de inscrições com 1.085 inscrições e, o posto da EP 1 de Gogone com menos, apenas 131 novas inscrições. Os nossos homens da estatística estão a trabalhar para podermos apurar mais dados em termos de faixas etárias.
Sete principais Constrangimentos
“A interdição no fornecimento de dados aos fiscais do MDM por parte dos brigadistas por orientação expressa do STAE, impedimento de se posicionarem próximo ou junto as mesas de recenseamento, interdição em consultar e extrair dados dos cadernos anteriores e em alguns casos dos novos, a recusa por parte do pessoal da mesa na recepção das sua assinatura por parte dos brigadistas do STAE alegando orientações dos seus superiores.
Ausências de respostas as reclamações apresentadas aos brigadistas alegando não ser da sua competência, isto por parte dos membros CE, afirmando que deveriam ser os membros do STAE a fazer o que contraria as normas. Notamos uma comissão eleitoral da cidade que era passiva e alheia aos interesses dos participantes mormente do MDM, limitando se a afirmar serem incompetentes para solucionar os problemas e por último lugar notamos um STAE coligado aos interesses do partido no poder, não professional, partidarizado, sem cometimento com o legislado bem como com as próprias deliberações”.
Director do gabinete eleitoral do MDM Joaquim Waheque Maloa
“Sabemos o que se esta a passar quer no STAE. Queremos apelar a eleições transparentes e que cinco dias antes, que os editais saiam em todos os postos para os eleitores consultarem.Não equívocos, não queremos que as pessoas cheguem onde se recensearam e o nome vai aparecer no outro posto.
No dia 1 de Novembro, em muitos postos os eleitores tiveram foram impedidos de se recensear. Duas horas antes do processo terminar, o STAE distribuiu 100 senhas em cada posto e, a regra de distribuição não foi correcta. Da grandeza do eleitorado, exemplo de Gogone, a Primaria de Quelimane, comparativamente a 17 de Setembro não pode receber 100 senhas, mas o STAE fez isso em cada posto e mesmo assim as pessoas com senhas não foram recenseadas isto porque os brigadistas acabaram cancelando o processo, digo isso em matéria viva na Escola Primaria de Quelimane”.
“Os eleitores insurgiram se contra os brigadistas, o supervisor correu pediu socorro a polícia ao lado porque a situação já estava a margem, a população queria se inscrever, os brigadistas impediram. Não só na Escola Primaria 17 de Setembro mas também em Micadjune, EP de Manhau, Aeroporto Expansão, Sinacura, Issidua. Cinquenta a sessenta eleitores, com senha, na bicha, não foram aceites de recensear.
Em Cualane é um caso já generalizado, desde o primeiro dia que o recenseamento começou, um eleitor levava 55minutos ou 1h00 de tempo para poder se recensear. É mesmo um caso penoso.
O outro aspecto, esta relacionado com o STAE que em contrapartida a Comissão de Eleições talvez passou a ser o dono do processo. Nós canalizávamos alguma reclamação, já que a comissão numa primeira fase não tinha um presidente deparamos com o coordenador a dizer que os nossos fiscais podiam ter acesso mas por de trás os brigadistas diziam que não que a directora do STAE da cidade não permite.
Encontramos a própria directora do STAE nas mesas e a confrontamos a informar aos brigadistas aos supervisores para não fornecer dados a qualquer fiscal do MDM”.
Membros do Partido Frelimo
“O outro aspecto, esta relacionado com o partido no poder. No terreno encontramos secretários dos bairros, grupos dinamizador que passavam declarações autorizando as pessoas, aos eleitores a irem se recensear e como prova de testemunha o documento. Temos esses documentos e a lei não diz isso.
No dia 31 as pessoas em maior numero tiveram acesso as cédulas pessoais, tiveram que se recensear no dia 1 como pessoas transferidas. Exemplo, encontramos s na EP 1 de Quelimane em que uns eleitores diziam que são transferidos de Milange e vieram se inscrever mas tinham cédulas passadas no dia 31”.
“Em relação as testemunhas, quantas pessoas podem testemunhar, isso confrontamos o presidente da comissão de eleições da cidade que dizia que um indivíduo podia testemunhar mais de cinquenta.. desde que tivesse documentos. Também a lei não dizia qual era o numero e achamos que é uma questão que se deve discutir com muita seriedade.
Na Escola Primaria de Sinacura a brigada estava num sítio sem condições e não havia espaço de trabalho para os fiscais e para os próprios brigadistas. Na escola Primaria de Micadjune, as 16h00, antes do processo acabar o posto foi encerrado.
Mais uma vez vimos a situação mais péssima em que na Escola de Cualane o senhor, brigadista, fiscal do partido Frelimo levou, estava na sala com um computador. Reagimos mas o supervisor que estava lá quis negar. Fomos avisar a polícia, confrontamos esse fiscal e teve que tirar o computador”.
Elementos do MDM detidos
“Alguns agentes da policia prenderam os nossos membros que tiveram que ficar na esquadra entre dois a três dias, refiro me a um colega que esta no posto da EPC- Aeroporto expansão. O fiscal que estava na Escola Eduardo Mondlane e o outro em Micadjune, foram recolhidos para as celas da polícia da segunda esquadra onde o partido teve que intervir e o caso chegou ate a procuradoria da república e imediatamente foram soltos.
Ainda na Escola de Micadjune, a supervisora que estava lá passava muito tempo a conversar com alguns professores fora do trabalho normal, isso tudo porque sabia que o maior número de eleitores queria se inscrever.
Segundo Manuel António José Monteiro do MDM
“Sistema do funcionamento da Comissão de Eleições e o STAE não há separação de poderes porque a comissão limita se a colocar bálsamo no adversário.
Em relação a interpretação da lei, penso que efectivamente como órgão colegial deve tomar decisões, não toma decisões próprias porque tem que esperar a comissão provincial. Como órgão que esta no distrito, deviam cingir se e decidir. A velocidade que a lei 9/2007 impõe, diz que a decisão tem que ser dada ali e transmitida para o STAE provincial ao mesmo tempo ser fixada no posto de recenseamento, o que não aconteceu. Todas as reclamações que submetemos foram respostas fora do prazo.
O STAE sobrepõe se aos interesses da comissão, procede toda a máquina do recenseamento eleitoral. CNE remete que as reclamações são para o STAE e não para as comissões, as comissões entram em último caso para dirimir mas neste caso já não”.
“Em relação a obstrução deste processo todo, houve a necessidade de fazer reclamações e metemos o processo criminal contra aqueles que são os responsáveis directos deste processo do STAE. A comissão da cidade não tem carimbo e usam carimbos do STAE, como é que a comissão de eleições pode ser parcial! São todas pessoas conhecidas do Partido Frelimo.
Tem os computadores, livros de 2008/9 também tem eleitores registados, dizem que não é extemporâneo, o nosso objectivo é saber o número de eleitores porque os livros estavam lá fixos, são livros que também serviram de base para actualização.’E fundamental que tenhamos o conhecimento pleno”.
Relativamente aos processos eleitorais em Moçambique sempre com os mesmos problemas de Araújo reconhece tal facto e diz estarem longe de serem justas e transparentes mas que a responsabilidade não é apenas do seu elenco mas de toda a sociedade e que uma democracia bem implementada trará frutos no futuro.
Os processos eleitorais em Moçambique, estão longe de ser justos e transparentes, há várias anomalias, ate indícios, actos criminais nesses processos todos. O que fazemos é formar os nossos delegados de candidatura, trabalhar com as igrejas, comunidade internacional, opinião pública nacional e internacional no sentido de alertar sobre estas irregularidades a tempo útil.
Porque eu acho que o dever de evitar que estas eleições não sejam justas, transparentes não é apenas meu dever como candidato do MDM, munícipes de Quelimane, é de todos nós, temos um papel porque isto trata se de uma democracia e que bem implementada vai trazer frutos que vão beneficiar a todos nós.
O governador teceu algumas acusações infundadas porque tínhamos a nossa logística em dia. Algumas vezes a polícia estava ali o dia todo sem água, o pessoal do STAE sem comer, de facto quando tínhamos oferecíamos, partilhamos, tínhamos condições e estávamos lá a tempo e horas ate alguns brigadista da Frelimo lancharam connosco.
Nós informamos a comunidade Internacional baseada em Maputo, assim como em outras capitais do mundo sobre os desafios que íamos enfrentar neste processo. A lei infelizmente nos é madrasta, depois de entregarmos os dados ao STAE fica senhor dos dados não temos acesso a aquilo que esta nos computadores...
Estamos perante uma oportunidade clara para provar se a Frelimo esta cometida com a democracia ou não. Nós sabemos que não esta. Mas, queremos provar ao mundo, que tenha provas e vamos fornecer em tempo útil e isso infelizmente vai influenciar na percepção que o mundo tem sobre o nosso Pais. Não queríamos que isso acontecesse mas é nosso dever como patriotas, cidadãos provar aquilo que forem as irregularidades e a falta de cometimento por parte do partido no poder sobre a consolidação da democracia no nosso Pais.

A quinta sinfonia da Zambézia





Texto e fotos: Estacios Valoi
24/11/11
Desde que a questão do Amarelecimento Letal, do Escaravelho Rinoceronte veio a tona, varrendo vastas áreas de milhares de quilómetros daquilo que outrora fora considerado o maior palmar do mundo numa extensão de cerca de 120 mil hectares dos quais mais de 5 mil encontram se atingidos por estes dois problemas, estudos levados a cabo por algumas organizações na área em 2007, já previam o desaparecimento de cerca de 10 a 15 mil coqueiros nos anos seguintes.
Facto esse que se vem transformando numa autentica sinfonia, resguardada pelo tempo em momentos nostálgicos, mas nem tudo vai mal segundo a associação dos camponeses de Tabuarawa na Localidade de Marrongane no distrito de Quelimane na Zambézia virada para o usos e aproveitamento do coqueiro.
Associação composta por cerca de 20 membros na sua maioria elementos da comunidade cujo actividade principal era a agricultura. De três anos a esta fase não só da Machamba vive a comunidade, mas também da comercialização da madeira para a construção civil, produção de tapeçaria, vasos, colchões, carvão e outros derivados assim como enveredou pelo repovoamento da espécie resistente a pragas como parte do seu projecto.
Segundo o Presidente da Associação, Bonifácio Estêvão João é peremptório despertar a comunidade quanto ao valor do coqueiro do Amarelecimento letal, relativamente ao aproveitamento da madeira.
“Despertamos a comunidade sobre o valor acrescido deste recurso para a produção de barrotes, vasos, a fibra para o fabrico de tapetes porque com esses produtos muito valiosos podem ajudar a comunidade a minimizar a pobreza. Neste momento somos dez membros associados e para poder dar vazão ao serviço tivemos que contratar dezasseis pessoas. Estamos num estágio satisfatório”.
A associação esta dividida em três partes, uma virada para o fabrico de vasos com recurso ao aproveitamento da base do coqueiro, a de exploração da fibra para o fabrico de tapeçaria, colchões e a terceira no corte de barrotes, que são usados em diversas áreas, desde a construção civil em diante. Do solo, extraímos a planta a partir da raiz para evitar a propagação do Escaravelho Rinoceronte”.
“A madeira do coqueiro é sensível ao ataque dos insectos. Introduzimos a produção do Vinagre com recurso ao coqueiro. Então, a madeira é cortada em pedaços que depois são introduzidos num tambor num processo de destilação, até a obtenção do óleo para impregnar a madeira e, deste modo garantir a sua resistência. Também produzimos carvão do coqueiro e seus derivados através de uma técnica específica, ate termos um pó útil para o melhoramento de terrenos arenosos.
É um palmar que foi começado na época colonial, não havia limpeza, nunca se fez repovoamento o que contribuiu para o alastramento da larva do Amarelecimento letal, do Escaravelho vulgo “Nampuim”.
A questão do Amarelecimento letal, Escaravelho também afecta as províncias de Cabo Delgado, Nampula e a Província de Inhambane.
O “NAMPUIM “, É um Escaravelho oportunista, com o habito de se reproduzir na parte mais sensível do coqueiro saudável, onde nasce a nova folhagem, perfura, põe os seus ovos e propaga as larvas. Ataca palmeira saudável ou afectada. Quando a planta é apenas cortada e não se remove a partir da raiz, o caule exposto, torna se num acesso fácil ao núcleo. O escaravelho é mais perigoso que o Amarelecimento letal.
Agora, imagina o que é cortar, serrar um coqueiro e deixar a parte do caule, o núcleo exposto, e pior deixar os troncos apodrecerem no campo, cria se mais um foco de reprodução do “Nampuim” numa correlação de oportunidade, espaço e reprodução. É o que a Madal faz.
Na Zambézia, vamos precisar da semente do coqueiro resistente a praga, e temos essas espécies para combater o Amarelecimento letal, ter áreas limpas, conservadas e tirar a semente para os viveiros e depois repovoar o palmar.
AMARELECIMENTO LETAL
É um micróbio, um vírus que se observa microscopicamente, a sua presença a olho nu só se constata quando e/ou depois de afectar a planta, temos como sinal o folhagem seca, a flor não se desenvolve bem, o fruto cai da arvore antes do seu amadurecimento, o liquido dentro do coqueiro vai cristalizando, a circulação é mais lenta, afectando o centro da planta que por fim morre. Principalmente nas áreas das antigas companhias da Zambézia -Madal, Boror.. sem biodiversidade, ate parece que estamos a ver um filme de terror.
MADAL
A empresa Madal, subcontratada pela CIDIVOCA/Millenium Challenge Account, esta na liderança no abate do palmar cujo métodos não são o apanágio da associação
A Empresa Madal controla a maior extensão do palmar onde vem fazendo o abate desde 2007, deixando a parte inferior da planta ainda no solo, divide o coqueiro em três partes, junta os troncos divididos ao caule ainda na terra e queima. Essa técnica é ineficiente e propaga mais o Escaravelho “Nampuim” que é um mal maior. A base do coqueiro é o maior alojamento do escaravelho, é uma das pragas que ataca as folhas do coqueiro e a técnica que a Madal introduziu esta a provocar maior produção deste insecto e dentro de cinco anos não haverá coqueiros.
A introdução do coqueiro híbrido que vem sendo feito pela Madal, não trás nada de novo porque no processo de plantação e crescimento, nas zonas afectadas, a empresa corta as folhas da planta para evitar a penetração do Escaravelho o que ao mesmo tempo prejudica o seu desenvolvimento.
A comunidade não proibiu a MADAL de fazer o abate do coqueiro, mas percebeu que vendendo a planta doente tem outras vantagens, e que o processo empregue pela empresa faz com que não haja aproveitamento da Madeira, e transforma se num foco de reprodução do Escaravelho, terrenos sujos.
Januário João técnico da associação vindo da província de Inhambane
Sou um grande mestre e faz dez anos que estou nesta profissão desde Inhambane. Lá existem cerca de quinze empresas na exploração da madeira do coqueiro, vendemos e tem um bom mercado. O coqueiro não se corta como se faz aqui. A população faz bom proveito. Fui trazido aqui para a Zambézia no ano passado para dar assistência, e transmitir o meu conhecimento a associação, a comunidade na produção de barrotes, tábuas, ripas, etc.
Henrique Solimudiwa artesão
“Aqui também fazemos canoas, pilão, e a ideia de vasos vem juntar as outras actividades mas os jovens de hoje não são ágeis nesta arte mas temos estes jovens. Aqui não havia emprego mas agora estamos a fazer esta actividade, estamos satisfeitos”.
Apesar das dificuldades inerentes a falta de equipamento para o funcionamento pleno da associação Estêvão João ‘e de opinião que o sucesso faz parte do quotidiano da agremiação que lidera.
“Temos uma estoria de sucesso muito bonita, uma ideologia boa para um maior aproveitamento, dar valor acrescido ao coqueiro, e ultrapassar todas as dificuldades. Quando a gente tem sucesso, tem que reconhecer.
Actualmente a comunidade aposta em repovoar a espécie com novas plantas, esta planta não pode desaparecer. Entre as espécies que aqui existem, temos as gigantes que são as mais resistentes ao Amarelecimento letal. Nesta zona a doença entra mas não em grande escala, então multiplicamos as variedades existentes para poder repovoar o sector familiar”.
“A própria comunidade compra os tapetes que produzimos, madeira para construção, temos parceiros de cooperação como a CIDIVOCA que procura outros parceiros externos. A muita procura, até nos falta produto. Temos procura a nível de Quelimane, Nicoadala e outras províncias, queremos montar uma carpintaria para a produção de colchões usando a fibra do coco, sofás e outros subprodutos. Estamos apostados em desenvolver a cultura do coqueiro nesta área”.
Millenium Challenge Corporation
Há dois anos que a MCA anda por aqui, esta placa que estas a ver, temos um protocolo para a montagem da carpintaria, prometeram que nos vão apoiar com equipamento mas ate aqui não recebemos nada, a tal tecnologia. Esperamos ter a carpintaria no final deste ano para concretizar o acordo. Vamos continuar a utilizar a tecnologia artesanal e não a de ponta porque aqui temos artesãos que podem dar valor acrescido ao coqueiro.
Falando das outras espécies que estão sendo devastadas, no âmbito ambiental é realmente perigoso e deviam fazer repovoamento das espécies de facto, mas uma aposta de todos. Sublinhou Estêvão João.
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DIZ o Movimento Democrático de Moçambique (MDM)



Texto e fotos: Estacios Valoi
21/11/11
Os últimos números referentes a corrida as intercalares a decorrerem Dezembro próximo lançados pelo MDM num registo feito pelos seus fiscais em paralelo com coincidem com os do STAE, relativamente aos munícipes que participaram neste processo de recenseamento rondavam um total de 25.258 mil, novas inscrições 9.888 mil, segunda via 11.335 mil e transferências 4.035 mil
“Se compararem para os números que o STAE anunciou podem ver que as diferenças são mínimas. Para nós é um motivo de encorajamento, mostra de facto que o trabalho que fizemos esteve muito próximo do STAE.
Segundo Manuel de Araújo candidato as presidências pelo MDM apesar dos dados por eles registados, o STAE continua a violar a lei eleitoral.
“A falta de informação por parte dos nossos delegados, fiscais, porque alguns funcionários do STAE emitiram ordens para que os nossos fiscais não tivessem acesso, quer dos novos cadernos assim como dos anteriores, isso contrariando a própria lei, e esses casos verificaram se nos postos de Cololo, Sangarivera, Micadjune, 25 de Julho bem como os postos 13, 14, 15, 16, 17 e 18.Portanto foi uma situação generalizada de violação flagrante da lei.
Por vias legais encetamos uma reclamação a CNE, que deu entrada no órgão competente mas ate ao momento aguardamos a respectiva deliberação. Não satisfeitos com a CNE, intentamos uma acção para uma responsabilização criminal daquelas pessoas identificadas como tendo dado tais ordens.
Em primeiro lugar em violação da deliberação do CNE, que do ponto de vista da nossa candidatura reiterava aquilo que esta escrito na própria lei verificamos que os brigadistas continuaram a não cumprir. Foi nos respondido pelos brigadistas que havia uma contra ordem por parte de alguns agentes do STAE, tanto que instruíram os brigadistas para continuarem a não fornecer os dados pedidos”.

Segundo os dados do STAE no tocante a Quelimane na Zambézia, no total registaram 25.258 mil eleitores. 11.335 Mil na segunda via do cartão de eleitor, 4.035 mil transferidos e 9.888 mil novos eleitores.

Ainda de acordo com de Araújo, os fiscais do MDM viram funcionários do STAE a encorajar agentes da polícia a permanecer junto as das mesas de forma a repelir aos que se faziam as mesas para se recensear
“O facto de os agentes estarem perto das mesas, tem um efeito psicológico por parte de alguns munícipes que vinham para as mesas ou postos de recenseamento com o objectivo de se recensear. As gentes da polícia quando informados, disseram que não podiam desobedecer as orientações emanadas pelo STAE.
Com os processos que intentamos gostaríamos de ver a procuradoria da república e a justiça em geral a tomar o seu posicionamento face a lei com o intuito de responsabilizar criminalmente os agentes do STAE por violação flagrante do estatuído na lei.
STAE em Quelimane calcanhar de Aquiles do MDM
Em relação a obstrução deste processo todo, houve a necessidade de fazer reclamações e metemos o processo criminal contra aqueles que são os responsáveis directos deste processo do STAE. A comissão da cidade não tem carimbo e usam carimbos do STAE, como é que a comissão de eleições pode ser parcial!
Uma vez envolvido na supervisão dos posto de recenseamento eleitoral foi possível constatar que houve impedimentos directos, quer dizer que a directora deu instruções verbais para que os fiscais não fornecessem dados tendentes ao número de eleitores existentes por cada caderno e ate o número que era recenseado diariamente.
Temos aqui 20 reclamações, que eram colocadas as brigadistas e aos supervisores e, há outras reclamações que estão em vários processos que fomos remetendo, a comissão provincial, nacional mais um processo e, outros que estão no processo judicial intentados juntos da procuradoria provincial.
As pessoas identificas são, a directora provincial do a Directora do STAE da Cidade, a da Comissão da Cidade também tem a sua cota parte porque praticamente, é a farinha do mesmo saco. Que não faziam nada se não obedecer ao STAE, é difícil saber quem é imparcial neste processo, disse Manuel António José Monteiro do mandatário do candidato do MDM

Guerra da água e dos alimentos



Texto e fotos: Estacios Valoi
21/11/11
John Vidal, editor ambientalista do jornal Guardian em Londres na Inglaterra numa breve conversa com a nossa reportagem sobre questões climáticas, durante a conferência realizada pelo Fórum para jornalistas de investigação africanos em parceria com Universidade Witwatersrand em Joanesburgo na África do Sul.
John Vidal, vencedor de prémios na área de investigacao climática, com um dos seus artigos trouxe a ribalta na Inglaterra um dos casos mais longos casos levados a julgamento naquele Pais envolvendo a McDonald e não s’o.
Sendo McLibel: A cultura do Hambúrguer (Burger Culture),"Rio vendido” (Sold down the River) e recentemente com “Como ‘e que os alimentos e a água conduzem os destinos do século 21, a expropriação da terra”, deu espaço para perceber mais sobre o fenómeno das mudanças climáticas vs alimentação, agua, energia, a questão da terra, em geral o meio ambiente.
EV -Qual ‘e a percepção que o acidente tem sobre a África?
JV -Poucas pessoas fora de África percebem o quanto a África é vasta. Os mapas que adquirimos na Grã-bretanha são basicamente uma falsidade, ilustram um continente ínfimo aludindo a grandeza da América, da Grã-bretanha, os mapas estão carregados de um estranho proteccionismo, produzidos na época colonial. E, na projecção real constatamos que a África é um vasto continente , suficiente para alimentar toda a China, Índia, América do Norte.
Poucas pessoas percebem o quão vasto é o continente, sua voracidade, diversidade. Esta é de facto a chave para entender as mudanças climáticas, como podem ver não e o mesmo em todas em todas partes. A África batalha com o mundo, é o centro e o que aqui acontece vai absolutamente afectar o mundo nos próximos 100 anos. Neste momento falo no sentido físico e não moral da questão.
EV -Sendo um jornalista de investigação na área ambiental, com vários prémios ganhos qual é a sua percepção sobre a questão da agua no continente?
JV -O Ocidente tem sempre os olhos postos na África como berço de ouro, onde adquire recursos de forma menos dispendiosa, marginal e isso vai mudar. A Agua é o ouro mundial e, quem sobre ela tiver o controlo também poderá controlar os outros países isto porque se quisermos desenvolver temos que ter agua. As mudanças climáticas, a falta do acesso a água para todos. É um grande perigo.
EV -Numa das suas apresentações durante a conferência fez alusão a certas mudanças. Que mudanças?
JV -Muitos países enviam as suas grandes empresas a África, as quais compram ou adquirem vastas extensões de terra, na Etiópia, Uganda, Moçambique e em diante. Alguns querem as terras para a produção de bio-combustiveis, fruta, árvores e vegetais mas, para o seu próprio benefício. A isto denominamos expropriação da terra “ Land Grab”, as pessoas tiram as terras dos nativos, dos pequenos agricultores e pensamos que isto constitui um perigo.
EV - Onde reside o tal perigo a que se refere?
JV- As pessoas ou os nativos perdem suas terras e, não estarão em condições de produzir alimentos para seu próprio consumo. A questão é que essas grandes companhias estrangeiras vem sendo atribuídas recursos pertencentes a esses Países e certo tipo de culturas são industriais que cobrem tudo mas não providenciam emprego para as pessoas naquela área. A questão é que as terras africanas acabam nas mãos de pessoas estrangeiras.
EV -Parece me que mais do que produzir importamos. Não?
JV - Não há necessidade de importar. Há vinte, trinta anos atrás a África produzia alimentos a seu bel-prazer e hoje constatamos essas mudanças. Anualmente a África importa cerca de 50 milhões de dólares em alimentos, e o constante aumento da população! A Maior parte dos alimentos que são produzidos no continente é exportada para Países como a Arábia Saudita e outros mas não para a África. Devia haver um movimento para África.
“O governo de Moçambique está cedendo o uso de 6 milhões de hectares - o que corresponde a dois terços de Portugal - para agricultores brasileiros plantarem soja, algodão e milho no norte do país…”Neste caso verdade ou não, facto é que é uma constante em Moçambique, lideres fantoches, sem consulta prévia a um economista, baseado na lei distribuem terras aos seus comparsas.
EV -A exportação de produtos da África para a Europa e/ou vice-versa, no fim do dia ter que importar “o mesmo” produto de volta ao continente e com as mãos abertas a espera do donativo. Não será isto um paradoxo?
JV -Absolutamente. ‘ É tanto e quanto extraordinário. Em África são muitos os Países que enfrentam problemas da segurança alimentar, mas continuam a disponibilizar vastas áreas a essas empresas estrangeiras, as multinacionais que produzem alimentos para o seu próprio benefício em detrimento do continente. É uma loucura, é de loucos.
EV- Será que esta questão circunscreve apenas na inexistência de politicas agrárias?
JV - Não sei quanto a Moçambique mas no contexto dos outros Países cujo departamentos agrícolas são frágeis, inoperacionais, sem poder, com um presidente vitalício e pessoas governamentais que tomam decisões sobre o que acontece ou não com as terras sim. Tambem notei que pouco investimento é direccionado para a agricultura Africana.
EV -Como mudar o cenário?
JV -Penso que é extremamente importante que cada governo que se envolve em acordos com empresa estrangeira ou Pais para uso e aproveitamento da terra em África, devia pautar por um processo transparente, com o conhecimento da sociedade sobre os montantes envolvidos, tempo de exploração, o numero de empregos, o que advêm desse processo e não contrariamente ao que é habitual, o secretismo. Queremos saber o que vem sendo feito em nosso nome, do povo.
EV -Falta de transparência, acordos secretos, alimentos a serem exportados. Isto é no contexto de empresas locais ou estrangeiras?
JV -Temos empresas da Arábia Saudita, Índia a operar em grande escala no continente africano mas que, nos contractos rubricados não existe nenhuma clausula que diz que estas empresas devem produzir alimentos para África.
O que sabemos é que a maioria dessa produção tem sido exportada, enviada de volta para a Arábia Saudita, Índia e, diria que isto é roubar a agua africana para o crescimento desses produtos alimentares. Os produtos precisam de água, do sol e se estamos a exportar esses alimentos, estamos a exportar agua, sol, o que presentemente esta a acontecer.
EV -Mito ou não quando se diz que a China esta a varrer o continente africano e qual é o tempo ponto de vista?
JV- A China é um amigo, um potencial. Entrou, esta a investir com muita força nos recursos de que precisa. Criou laços fortes de cooperação com muitos países africanos os quais por si só no fim do dia pagam a China e não o oposto, claro que A china construiu estradas, pontes, hospitais, fez muito para as comunidades, não posso negar este facto.
O perigo reside quando começam a beneficiar se dos recursos no continente mas com exclusão da África. ‘Não deixa nada’. Começa como um amigo mas potencialmente torna-se num inimigo. Em África a China tem muito poder.
“Enquanto os US entram pela forca das armas os outros põem o dinheiro a vista. Vejam se não ficamos até sem a roupa no corpo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

STAE faz balanço do processo de Actualizacao de eleitores em Quelimane-Zambezia



Texto e fotos: Estacios Valoi
01/11/11
Decorridos cerca de 20 dias desde o prelúdio do processo de actualização de eleitores com o seu fim previsto para o dia 1 de Novembro em que ate semana finda já tinham sido registados cerca de sete mil eleitores o que corresponde a 70% dos dez mil almejados pelo STAE.
Em conferência de imprensa em que primeiro foi para os órgãos de informação pública nas primeiras horas da manha e por volta das 10h30 para a privada, a Directora do STAE provincial Regina Matsinhe, fez saber que já decorridos 15 dias era altura ideal para informar sobre o estágio do processo, segundo a qual a actualização do processo estar a decorrer muito bem.
“O objectivo deste encontro é fazer o balanço do processo eleitoral. Já decorreram 15 dias desde o seu inicio e, achamos que é uma altura ideal para podermos informar sobre aquilo que são os dados que ate agora temos estado a colher.
Do nosso ponto de vista o processo de actualização dos eleitores esta a decorrer muito bem e já foram registados cerca 7 eleitores o que corresponde a 70% daquilo que é a nossa meta de 10mil. Acreditamos que vamos atingir este número, se as pessoas estarem a afluir aos postos como estão ate agora, acreditamos que sim.
Por isso, apelo para que as pessoas não deixem para o último dia, que aproveitem agora que temos tido alguns momentos em que a brigada fica parada porque os eleitores vão aparecendo a conta gotas”.
Relativamente as reclamações feitas pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), segundo as quais, “em Quelimane esta claro que o STAE proibiu os brigadistas de darem qualquer tipo de informação aos nossos fiscais do trabalho diário do relativo posto de recenseamento assim como receber qualquer tipo de reclamação por parte dos nossos fiscais.
Neste processo todo o SATE, CDE, CPE continuam ao serviço do partido no poder, dai mais uma razão para que os partidos políticos estejam integrados no STAE, nos órgãos eleitorais para assegurar a transparência e a supervisão do processo. O dialogo com eles não é nada fácil, o discurso é um mas os actos práticos de instrumentalizar brigadistas são outro”,
Regina Matsinhe cautelosamente, e perturbada com a questão, minimiza tais factos.
“Não sei, é muito difícil poder dizer isso porque, a lei diz que temos que recensear aqueles que completam 18 anos ate o dia 7 de Dezembro, recensear aqueles que tendo mais de 18 anos nunca se aproximaram dos postos, residentes em Quelimane e aqueles que perderam os cartões que por um motivo ou outro tem que mudar …é difícil para nós podermos conferir que, este esta a vir de fora, a pessoa aproxima, apresenta se uma faz a sua inscrição.
É uma novidade. Pelo que eu saiba o único dado que pode ser inserido no processo informático é aquele que do brigadista ali na mesa, tem o supervisor, entrevistador. A pessoa chega senta e apresenta a sua documentação e, é recenseado de acordo com aquilo que é a sua situação, se for transferência”.
Ainda a estreia do MDM e apôs o devagar da Directora do STAE, apelou por falar daquilo que diz respeito ao seu ‘trabalho’ como se as preocupações, a falta de entendimento dos partidos envolvidos no processo para com a instituição que dirige não fizessem parte do seu ‘trabalho’!
“Bom. Eu gostaria de falar daquilo que diz respeito ao nosso trabalho. O que esta a acontecer é que temos estado a fazer o trabalho, a apelar que haja entendimento dentro do posto, um ambiente harmonioso, que são os objectivos do nosso trabalho. No princípio ouve, provavelmente uma falta de comunicação naquilo que são os procedimentos, mas foram ultrapassados com conversa, explicação.
Podemos verificar em algum momento, excesso de zelo provavelmente por parte dos brigadistas e pensamos que isto tudo foi ultrapassado, não há motivos, os fiscais tem todo o direito de solicitar todos os dados que precisam na brigada e devem ser fornecidos”.
Arrogância
“Se tinham sido emanados ou não para dar os dados eu nem lhe vou responder a isso, porque estou a dizer que nós trabalhamos com aquilo que é a orientação da lei. Não posso dizer se havia ou não uma orientação e que foi corrigida. O que sabemos, é que os brigadistas devem fornecer as informações que são solicitadas pelos partidos políticos que estão naquele momento a trabalhar na mesa.
Portanto isso por parte do STAE nunca houve, há deixa de dar, a aquele outro. Não senhor, no STAE nunca houve uma orientação como essa.
Para ser franca não sei de onde é que vem isso. A verdade é que acreditamos que depois destes dois primeiros dias de alguma agitação, volto a repetir, provavelmente por falta de comunicação ou excesso de zelo por parte dos brigadistas esta a decorrer normalmente sem nenhum problema e volta a repetir que os fiscais podem adquirir as informações os dados que desejam dentro daquilo que é a lei”.
Quanto a conferência de imprensa para os órgãos públicos e depois para privados, Matsinhe disse que estava a tratar da questão da produção de Spots, como se um jornalista tivesse o papel de produzir Spots! A Rádio Moçambique teve os dados as primeiras horas da manha e a TVM por questões de agenda esteve ausente.

“Não houve conferência de imprensa nenhuma, para lhe ser franca. Para estar a dizer que primeiro um a conferencia de imprensa para órgãos públicos e depois para os privados. Não ouve.
São os mesmos dados que eu estou a dar agora. Por exemplo nós trabalhamos com a rádio Moçambique, com a televisão de Moçambique em relação a vários aspectos que dizem respeito ao próprio processo como Spots, etc.
Nesta ocasião que podemos dar tanto a Rádio Moçambique como a STV os dados daquilo que é o decorrer do processo eleitoral e, estão todos aqui presentes. A qualquer momento recebemos a imprensa para podermos falar, não há nada, o que eu estou a dizer aqui é exactamente isto que exactamente foi falado nos outros órgãos que estiveram aqui.
Bom penso que aquilo que diz respeito ao processo, ao trabalho, a informação que nos pretendíamos dar, nos estamos a dar. Acho que não há nada de estranho, não é e jamais será minha intenção fazer divisão quer que seja e de quem quer que seja”.
O mais caricato, é que recentemente no pais mais uma vez veio a tona, a questão de jornalistas que ao mesmo tempo que trabalham nos seus órgãos são assessores de imprensa, e neste caso não foi diferente, o assessor do STAE na Zambézia, não é nada mais nada menos que o “Jornalista” da STV que vai reportando sobre o próprio STAE.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Nacala com falta de espaço habitacional e Água




Estacios Valoi
26/11/11
O município de Nacala na província de Nampula com 440 km2 de superfície e um índice populacional de 208 mil habitantes vê se a braços com a questão da acomodação territorial dos seus munícipes
Nacala Porto considerado zona económica especial, a cada dia que passa vão surgindo novas infra-estruturas, contudo muito ainda a por fazer em prol da população que a nossa reportagem pode ver a carregar água de um lado para o outro, meninos de rua entregues a sua sorte, e outras questões inerentes a vida daquela parcela do Pais.
Em contacto com o edil do município Chale Ossufo que reconhece o facto da falta de espaço e outros problemas e conquistas considera o estágio actual daquela urbe de bastante encorajador.
“Muita gente num território muito pequeno, a espera de emprego, a mobilidade, havia problemas que nos tirava sono, não temos espaço para manobra e a muita gente que não tem, é nesse contexto que nós criamos condições de transporte. Somos o único município que a partir dos seus próprios fundos, suas receitas conseguiu comparar uma frota de quatro autocarros, mini base mas agora já temos 2 autocarros de grande porte para os munícipes
Estamos num estado bastante encorajador, esta tudo a desenvolver, por todo lado como se fossem cogumelos. Neste momento temos mais de 35 empresas de grande porte com um investimento superior a 350 milhões de dólares norte americanos. Um estado financeiro saudável mas também temos outras questões que nos tranquilizam,
Já temos agua, pode não ser neste ou naquele bairro mas temos agua que era uma situação crítica que se vivia há anos antes de entrar para esta direcção municipal, neste momento com um horizonte de 208 mil pessoas, mais de 121.470 mil pessoas já tem água potável, temos 166 fontenários de água, 31 furos mecânicos, para dizer que estamos numa cobertura de 49% dos 9% em que nos encontrávamos, em menos de 2 anos, é encorajador”.
Infra-estruturas a surgirem como cogumelos ou não, receitas provenientes do porto e outras, facto é que o nível de vida, o custo de produtos alimentícios elevado, as condições habitacionais nos arredores de Nacala muito deixa a desejar.
“Estamos a construir a nossa cidade já parece verdadeiramente com aquilo que é uma cidade de zona económica especial. Em menos de dois anos do mandato já fizemos 9 quilómetros de estrada originalmente trabalhadas porque estamos a usar Pave no lugar do Alcatrão. O asfalto ‘e bastante caro e dificilmente se encontra com essas convulsões políticas financeiras nos países produtores de petróleo. Achamos que devíamos produzir o nosso material local exclusivo, usando nossas capacidades, receitas locais para fazer aquilo que hoje é a grande cidade de Nacala.
Em Nacala são todos eventos de vulto, temos a Bacreza, SS que vai ser uma grande industria de produção de cimento, do outro lado da mesma empresa vão produzir óleo alimentar com grandes capacidades industriais mesmo, a Indu África que vai produzir ligas metálicas e a partir de lá para cá vamos comprar o Ferro de construção a nível local para alem de outras grandes industrias que estão ai a germinar, a prestação de serviços que existe um pouco por todo o lado”.
Mas ainda são muitas pessoas com baldes e latas na cabeça a procura da água em Nacala facto confirmado pela nossa pela reportagem, mas Oussufo minimiza a situação.
“O município esta a coabitar com representação do estado. O território do estado que é o distrito de Nacala conhecido com o espaço municipalizado, falo de 49% de cobertura de abastecimento de agua, significa que ainda não estamos em 100% temos 208 mil habitantes e abastecemos 121.470 os outros tem que andar com baldes, o que esta a acontecer. Para mim não é falta de água, e que momentaneamente se cortou água. As pessoas não podem confundir não haver agua naquele momento porque há restrição e dizer que não há agua aqui em Nacala Porto. Isso é falso, água existe.
Há de facto bairros em que a agua não existe, exemplo Concebia, Matola, Navevene, Matalane, Mahelele, Munhewele, Lile, Djanga 2, são zonas em ainda não há agua canalizada, dai que é necessário que se faca alguma coisa, há zonas em que temos furos mecânicos e em outras não podemos fazer porque a agua é imprópria para o consumo humano, esta a acontecer com Mahele, Djanga 1, 2, a agua esta a grandes profundidades e é salubre. Essa gente vai continuar a ressentir se da falta de agua”.
Impacto da construção do novo aeroporto
“O aeroporto de Nacala, intercontinental, misto porque vai também albergar serviços militares e civis, é um mal necessário porque eu acredito que vai desnutrir muitos aeroportos nacionais, não há-de ser necessário a gente viajar a Maputo para fazer ligações com linhas sul-africanas para ir a Europa, Ásia, América que são os nossos destinos, vamos sair de Nacala para encurtar o espaço. O que hoje se faz em 10horas, vamos fazer em 7h00 por si só. Grandes investidores que estão em Nacala que querem ir e voltar no mesmo dia das suas regiões e origem, era de esperar que isto trouxesse grande impulso financeiro”.
Alguns camponeses que tinham as suas culturas na zona em que este a ser construído o aeroporto clamam pela sua indemnização
“Primeiro ali é uma área militarizada há mais de 40 anos, as pessoas que ali entraram fizeram um compromisso. Disseram que iam entrar ali para limpar uns metros quadrados para produzir, e sempre lhes foi dito, esta é uma zona militarizas e nós os militares vamos vos expulsar desta zona e claro houve um protocolo de entendimento entre o ministério da defesa e os aeroportos de Moçambique para se construir aeroporto e foi por ai que lhe oi dito meus amigos tirem os vossos produtos que daqui a dois vamos começar com o aeroporto, falava se disto há um ano, isto é um conflito militar e civil. Mas há civis insensatos, outros compreenderam porque foi lhes mostrado a declaração de terem sido metidos lá com uma permissão dos militares, é zona militarizada e não do município”.
“Entre a pista e o hangar estão algumas machambas e os tropas autorizaram as populações circunvizinhas para produzirem durante um ano ou dois. Já não há espaço para indemnização, mas porque nós queremos defender os princípios de uma indemnização que lá não tem lugar, dissemos que eles deviam dar alguma coisa pela terra trabalhada, a terra é do estado, se houvesse um cajueiro, uma mangueira, indemnizamos porque são chamados bem feitores.
Mas estamos a praticar injustiça porque estamos a vender a terá que é do estado, Nós estamos a solicitar que se de algo a aquela pessoa pelo facto de estar a trabalhar ali a cerca de um dois anos. Conversamos com a Audibrech que é a concessionaria para indemnizar essas pessoas, mas uma indemnização misteriosa porque não há espaço para indemnização”.
Turismo
“O turismo vai ser a segunda grande aposta para o desenvolvimento económico de Nacala diz isso com voz de experiencia. Nacala porto tem de tudo para um bom turismo talvez as pessoas ainda não descobriram, grandes praias de Relamzapo, de Mulala, Kismangure e Fernão Veloso, extensas, boa vista, inserem tudo que é de bom para uma pratica de turismo de paria.
Tudo se encontra no seu estágio virginal, para dizer que o turismo daqui há alguns anos vai ser a grande aposta para além do cinturão industrial. O turismo vai ser aquilo que vai drenar muito fluxo de dinheiro para os cofres do município”.
“Neste momento começamos com os primeiros passos inevitáveis, o mapeamento, estruturação, estamos a acautelar aquela convivência quase que nociva entre a exploração mineira do calcário na zona da praia e a pratica do turismo. Estas são as premissas.
O turismo sim esta sendo praticado na praia e como pode ver diversificado e não é o caso de Fernão Veloso e logicamente naquilo que hoje ‘e o desenvolvimento de Nacala implica necessariamente a existência de infra-estruturas para condicionar o próprio turismo porque quando falamos do turismo não ‘e ir a praia e voltar, estamos a falar do turismo de profundidade, para nós uma grande aposta”.
Relativamente a construção das estancias ou infra-estruturas sobre as dunas ou a menos de 20 metros de praia algo que podemos constatar no terreno e que choca com a lei ambiental Ossufo disse reconhece que o que esta lá foi mal implantado e assegura que o seu elenco não vai cometer os mesmos erros
“Não podemos repetir o erro, eu e o meu elenco não podemos partir aquilo que foi mal implantado, não é nossa vontade fazer isso, não faz parte da nossa politica de gestão ambiental mas estamos a acautelar para que as coisas não aconteçam como estão a acontecer. O que se estava a verificar é que em Nacala já havia um pouco disso por toda a parte. Não queremos esse desenvolvimento anárquico e irregular.
Para evitar que não só na praia mas em outras zonas de expansão, a primeira coisa que nos ocorreu foi desenhar, projectar, elaborar disseminar, mandar publicar no conselho de ministros o nosso plano de uso estrutura do solo urbano, já temos isso e estamos a fazer os planos direccionados a alguns sítios onde queremos desenvolver como é o facto do aeroporto, a zona franca industrial vai acontecer na zona da Matola e Munhewene e Locone P”.
“Por consciência essas zonas tecnicamente indicadas que vão acolher a zona franca industrial, são zonas de maior concentração populacional e por causa disso também tivemos que idealizar e projectar no nosso plano de estrutura do uso do solo urbano a estruturação de zonas de expansão habitacional que neste momento temos três zonas; Aquelas indústrias que estão a surgir ali a entrada da cidade de Nampula, naquela zona existe aquilo que chamamos de zona industrial, esta zona vai afastar em algum momento algumas pessoas para uma outra para permitir que as coisas saiam como queremos.
Devem ir para uma zona de expansão habitacional onde tem a rede de energia, agua, viária, infra-estruturas sociais. Temos a zona de expansão habitacional de Untupaia na região sul, Matabwe na zona centro e temos na zona de Muzuone, tudo para acomodar essas famílias”.
“Estamos a construir casas hospitais, escolas, a situação de água vai melhorar porque neste momento já temos novos dois campos no Untuzi para poder abastecer agua e vamos poder abastecer durante 22h00 contar grande barragem tradicional que dista a 32quilometros, vai dar agua a cidade de Nacala Porto.
O que neste momento nos tira sono, nem ‘e agua domestica, mas a industrial. Temos tantas indústrias que precisam de consumir muita água e se aquelas forem consumir a nossa água vai exactamente acontecer o mesmo que neste momento, chega pouca quantidade para as populações é por isso que aumentamos a capacidade de armazenamento de água, a sua distribuição e, ainda vamos mais porque a MCA também contempla essa água industrial”.
Segurança
“É um facto que toca a todos nós. Em Nacala não estamos piores mas também não estamos bem porque o crime caminha de mãos dadas com o desenvolvimento. Estou seguro que o que esta a acontecer em Nacala não esta a acontecer em Moma, Angoche, Lalaua, por causa do desenvolvimento mas esta a acontecer em Nampula, Beira, Maputo e talvez em outras grandes cidades. Estamos numa situação de suficiente porque ainda se registam assaltos um pouco por toda a parte, mas não estamos piores como os outros ate posso arriscar e dizer que estamos bem”.

MDM preocupado com manobras maquiavélicas da Frelimo face as eleições intercalares



Estacios Valoi
26/10/11
O partido Movimento Democrático de Moçambique reuniu esta semana em Quelimane na província da Zambézia para mobilizar os munícipes daquela urbe face as próximas eleições intercalares a realizarem se no dia 7 de Dezembro em três municípios Quelimane na Zambézia, Cuamba no Niassa e Pemba em Cabo Delgado.
Nestes municípios as movimentações que se fazem sentir face as intercalares, após a saída forçada dos seus anteriores edis pelo Partido no poder, já deixa o MDM preocupado com as manobras encetadas pelo partido Frelimo.
Segundo Daviz Simango na Zambézia o principal objectivo da sua estadia na Zambézia teve como pano de fundo o encontro com a sua maquina politica, desde os candidato Manuel de Araújo a concorrer pelo município de Quelimane, unir esforços com os munícipes aqui assim como em Cuamba e Pemba.
“Estamos na cidade de Quelimane no âmbito do processo de eleições intercalares. De Quelimane vamos escalar Cuamba e finalizar os nossos trabalhos em Pemba. Estamos aqui para juntarmo-nos aos esforços dos nossos colegas, no caso concreto de Manuel de Araújo e a delegação política de Quelimane, iremos também fazer o mesmo com Maria Moreno em Cuamba, assim como com Tique em Pemba.
Objectivo principal é de juntar os esforços, mobilizar os munícipes dessas autarquias para poderem se recensear. Num processo eleitoral, importa como base fundamental os munícipes estarem recenseados para no dia 7 de Dezembro, poderem exercer o seu poder de voto. Referir a situação em que vivem os nossos munícipes, fiscais ou como decorre esse processo de actualização”.
Uma das situações que preocupam o Movimento Democrático de Moçambique são as manobras que vem sendo engendradas pelo partido no poder, algo que Daviz Simango frisou em umas das suas anteriores intervenções na cidade de Quelimane.
“A Frelimo esta a afugentar e a promover a descriminação do direito constitucional que os moçambicanos tem. O MDM, esta preocupado com isto, afinal de contas ao funcionar nesses postos, estão a intimidar, afugentar e a promover a descriminação do direito constitucional que os moçambicanos têm “.
Quelimane
Aqui em Quelimane esta claro que o STAE proibiu os brigadistas a darem qualquer tipo de informação aos nossos fiscais do trabalho diário do relativo posto de recenseamento. Por outro lado nota se que o STAE também proibiu que os brigadistas recebessem qualquer tipo de reclamação por parte dos nossos fiscais.
Tinham sido detidos três membros nossos ligados a logística. Aqui em Quelimane, no primeiro dia o MDM arrancou com fiscais em todos os postos e o partido no poder não tinha fiscais. Portanto isso mostra a capacidade organizacional do partido neste processo.
Ontem a tarde ao lado da nossa delegação política provincial, onde esta o mastro da bandeira do MDM, há uns três metros dali foi colocado o mastro do partido Frelimo no quintal da sede do Movimento democrático de Moçambique, uma clara provocação em que circulava a polícia a paisana com objectivo claro de verificar quem iria tocar na bandeira para depois prenderem os nossos membros.
Niassa
“No caso concreto de Niassa, alguns postos de recenseamento estão nas casas dos régulos, secretários de bairros, nas casas de alguns membros das assembleias provinciais. Como podem imaginar, a estrutura do Regulado na Republica de Moçambique tem grande influência partidária, já não são aqueles regulados tradicionais que nós conhecíamos, que era por grau de parentesco ou hereditariedade familiar mas sim pessoas nomeados pelo partido no poder “.
Cuamba temos a Maria Simaune que é do regulado, membro da assembleia provincial e aí funciona o posto, em Maganga que é uma rainha, também funciona um posto, em Mecupa central onde é a casa do falecido cabo, em Matia e Adine Broge na casa onde reside o secretario comunitário também funcionam postos e isto tudo desencoraja os munícipes, afugenta e promove interesses partidários.
Os jovens, sobretudo os da primeira inscrição estão sendo impedidos de exercer o seu direito constitucional. Nós voltamos a ponderar este tipo de situação. Em Maganga a policia ameaça os nossos fiscais, obriga-os a estarem a mais de dez metros e o mais grave é que chegam a ameaça-los de disparar contra os fiscais. No Domingo houve um incidente em que o regulo Mucuapa acabou retirando a bandeira do MDM numa das sedes. Estas atitudes que hoje se vivem, não ajudam o processo democrático em Moçambique, a transparência deste processo de Actualizacao
Pemba
“Em Pemba nota se que os secretários dos bairros ficam nos postos mesmo sem serem fiscais e por outro sem serem credenciados. Essa atitude de colocar a estrutura administrativa a funcionar e a frequentar o posto intimidada as pessoas por outro lado também em Pemba a existência de lista em que os secretários dos bairros andam com listas para entregar o supervisor para posteriormente lançarem esses dados. Ai a preocupação deles de afastarem os nossos fiscais para estarem longe dos centros de comunicação.
Temos o caso do alto Gigone em Pemba onde o senhor onde o Senhor Abdul Sufo acabou entregando a lista aos supervisores. O caso do Ama 2 em que o secretario Casimiro também procedeu da mesma forma, professor Fidel Cão da Escola Secundaria de Pemba que também procedeu a entrega de lista. Portanto essas listas é para depois introduzir no sistema informático e como pode imaginar as pessoas podem votar mesmo sem o cartão de eleitor recorrendo a testemunhas”.
Integração dos partidos no STAE
“O MDM fica claro. Neste processo todo o SATE, CDE, CPE continuam ao serviço do partido no poder, dai mais uma razão para que os partidos políticos estejam integrados no STAE, nos órgãos eleitorais para assegurar a transparência e a supervisão do processo.
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM), aqui na cidade de Quelimane e nas outras autarquias, foi o primeiro partido a colocar na primeira hora, o inicio do processo de Actualizacao de fiscais. O partido Frelimo andou dias sem fiscais, prendeu os nossos apoiantes ou colaboradores de logística exactamente para desmobilizar a capacidade logística e organizativa que nós impomos, o MDM tem fiscais e estão a trabalhar neste processo.
Chamar atenção, os moçambicanos devem entender compreender e acompanhar sobretudo as irregularidades que estão a acontecer porque o nosso interesse é que haja paz, tranquilidade neste processo e, que de facto erros do género que são feitos pelos homens, sob instrução ou que estão a ser instrumentalizados pelo partido no poder, deixem de o fazer porque afinal de contas, eles ao servirem os órgãos eleitorais estão a servir os moçambicanos e recebem o dinheiro do erário público e devem ser transparentes. Não podem ser de alguma forma partidária. Disse Simango
“Lamentavelmente, a CNE central só agora é que esta movimentar se para as províncias para essas autarquias e esperemos que com essa movimentação que devia ter acontecido logo no principio possa ultrapassar esses problemas. O STAE barra a entrega das nossas reclamações dai que, o dialogo com eles não é nada fácil, o discurso é um mas os actos práticos de instrumentalizar brigadistas são outro.
Algo a margem da lei, de qualquer forma influencia um processo eleitoral. Nós continuamos encorajados, muito bem organizados, continuaremos neste processo ate ao fim mas, temos a obrigação moral e ética de corrigir aquilo que esta errado.
Os candidatos tem a máquina operativa do partido, as nossas delegações políticas estão a trabalhar no terreno e, ao nível da direcção máxima do partido estamos agora no terreno a dar apoio aos nossos candidatos. Pensamos que aquilo que esta programado em termos estratégicos esta sendo cumprido a tempo e horas. O ambiente é de mudança, portanto as comunidades, os munícipes de Quelimane estão a espera do 7 de Dezembro para dizerem a verdade e, claro que a verdade vai ser a mudança. Estamos a viver a mudança em Quelimane”.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Saúde melhorada para o povo ou para a elite?



Texto e fotos: Estacios Valoi
13/10/11
Foi semana ultima oficialmente inaugurado na Cidade de Quelimane na província da Zambézia um bloco de consultas externas especializadas com a respectiva reabilitação e ampliação do laboratório de analises clínicas no hospital provincial naquela urbe.
O empreendimento orçado em 16 milhões, equivalente a 618 mil dólares americanos, foi o montante destinado para os blocos de consultas e de laboratório equipados, climatizados num financiamento do governo americano através do seu Plano de Emergência dos Estados Unidos para o Alivio do SIDA (PEPFAR), em parceria com o governo moçambicano.
As obras que foram implementadas pelo ICAP num processo que teve duas etapas com recursos do (PEPFAR), reabilitou o laboratório de análises clínicas em blocos compostos por Pediatria, Ginecologia, Consulta da dor, Posto de Enfermagem, 2 salas de Otorrinolaringologia, duas salas de medicina, Cirurgia, Pediatria, Aconselhamento, serviço arquivo, sala de reunião, quimioterapia para tumores, copa, todas elas climatizadas.
Com intuito de galvanizar o desenvolvimento institucional e melhorar o atendimento ao publico, os dois blocos vai funcionar em dois períodos, sendo das 7h00 as 15 com o preço único de consulta 1 metical para adultos e crianças com menos de dois anos isentas de pagamento.
Já no segundo horário, isto das 15h00 ao anoitecer, caberá as condições financeiras de cada indivíduo cujo preço de consulta será estipulado na altura e de acordo com a consulta a ser feita no momento.
Durante o acto da inauguração o governador da Zambézia Itai Meque disse que tem vindo a alcançar resultados encorajadores para o desenvolvimento da província e que a infra-estrutura inaugura constitui um exemplo e boa parceria e ajuda ao desenvolvimento entre os dois povos.
“Estados Unidos da América tem vindo a implementar várias acções nas várias vertentes de desenvolvimento e porque estamos cientes que é um dia não é possível fazermos tudo, paulatinamente em parceria com os parceiros de desenvolvimento temos vindo a alcançar resultados encorajadores para o desenvolvimento sustentável do pais e da nossa província em particular.
A construção de raiz do bloco de consultas externas especializadas, reabilitação e ampliação do laboratório de análises clínicas e os respectivos apetrechos, constitui um de entre muitos exemplos da boa parceria e ajuda ao desenvolvimento que deve imperar entre os países e povos”.
Com as infra-estruturas ora inauguradas, o hospital provincial de Quelimane passa a dispor de condições de trabalho que assegurem a melhoria na prestação de serviços de saúde de qualidade aos cidadãos. Recomendar para acarinhar estas e todas as instituições publicas, assegurar a limpeza e higiene permanente, utilizando correctamente os equipamentos estalados.
Fazendo isto, estarão a valorizar e a respeitar os impostos dos nossos cidadãos e de outros países, que abdicaram de gasta-los para a satisfação das suas actividades privadas a favor das colectivas que é a melhoria do estado de saúde da população da província da Zambézia. Este é o laboratório mais grande que nós temos na região centro e poderá beneficiar as outras províncias da região”.
Segundo a embaixadora americana em Moçambique Leslie Rowe para alem desta infra-estrutura prevê se a inauguração de um banco de sangue nacional e a construção de um laboratório nacional de referencia na Província de Maputo.
“Desde 2003 o governo dos Estados Unidos contribuiu largamente para esta parceria através do nosso Plano de Emergência dos Estados Unidos para o Alivio do SIDA (PEPFAR).
Três resultados que nos realizamos juntos, exemplo em 2009, foi disponibilizado tratamento Anti-retroviral para mais de 300 mil moçambicanos, actualmente quase 70% das pessoas recebem tratamento anti retroviral em Moçambique, segundo quase 3500 trabalhadores de saúde em Moçambique, receberam algum tipo de formação na ministracão do tratamento anti retroviral proporcionado pelo programa patrocinado pelo meu governo e, em terceiro mais de 600 mil mulheres, beneficiaram de aconselhamento e testagem para a prevenção da transmissão vertical do HIV/Sida”.
“Os Estados Unidos melhoraram dezenas de instalações de saúde por todo o País como esta aqui em Quelimane. Para além destas que hoje inauguramos, prevemos inaugurar o primeiro banco nacional de sangue e a construção de um laboratório de referência em Moçambique que ajudara a reduzir a incidência de doenças transmitidas através da transfusão de sangue, que recebam sangue seguro.
Estamos neste momento a construir em conjunto um laboratório nacional de referencia para a saúde publica e cada uma dessas instalações, seja grande ou pequena vão erguer se durante muitos anos como monumentos de parceria e amizade entre as nossas duas nações. Apoiamos o esforço do governo de Moçambique na abordagem de muitas ameaças a saúde incluindo doenças não transmissíveis.




Por sua vez o director do ICAP José Lima instituição que teve a responsabilidade de reabilitar o laboratório de analises enfatizou que o laboratório de Quelimane esta entre os maiores do País”.
“Foi uma reabilitação muito grande, complexa e de alta qualidade que precisou tirar o laboratório, desloca-lo para outra área, o laboratório do hospital de Quelimane esta entre os maiores do País e de maior eficiência e qualidade no que faz.
Inclusive faz exames complexos como por exemplo diagnostico infantil de crianças expostas ao HIV. A segunda etapa foi quando se iniciou esta nova área de construção e raiz que é o bloco de consultas externas especializadas. Uma área de mais de 400 m2 e valor investido nessa área nova de mais 350 mil dólares e o importante a destacar é que privilegia muito o utente ou seja, é bastante amplo, tem uma área de espera externa com uma área de recepção para os pacientes e depois uma área de espera interna bastante ampla, ventilada”.
Directora do hospital provincial da Zambézia Virgínia Saldanha
“O laboratório das análises clínicas é de referência para a zona centro do Pais cobrindo para além da Zambézia a província de Tete e Manica, que poderá melhorar a qualidade de diagnóstico clínico de HIV/Sida nas crianças PCR nestas duas províncias. Esta entrega do laboratório, consultas externas vem minimizar a exiguidade do espaço para funcionamento destes serviços. Esperamos continuar com esta parceria em mais áreas.
Partindo do pressuposto referenciado quanto aos moldes de atendimento e pagamento no hospital “publico”, a nossa reportagem questionou ao mais badalado doutor naquele hospital Aldo Martezine, se tratava - se de um atendimento socialista ou capitalista.
“ As horas de atendimento podem prolongar se conforme a necessidade ou programa aprovado pela direcção, mas isto é feito num horário depois de acabar o serviço normal. Para assistir a toda a população e, com um metical é atendido aqui das 7h00 as 15h00.
Tem varias funções, há condições para os médicos exercerem as suas actividades condignamente. Penso que sim. Agora esta é a construção com o apetrechamento de base, depois com o uso que vamos fazer, vai faltando isto ou aquela coisa.
Deve ver alguma coisa entre a direcção, administração porque tudo é centralizado. O pagamento é feito com um depósito num gabinete específico para tal. Pagam, vão com a sua senha, entregam.
Durante a hora do atendimento normal das 7h00 as 15h00, este é para a população, paga se um metical para os adultos, crianças abaixo dos dois anos é gratuito. Quando acaba o serviço normal ate 15h00, depois começa o serviço a pagamento, serviço este que é feito por pessoal voluntario medico que queira fazer esse serviço, escolhe um dia e tem duas horas de tempo para atender no máximo 8 doentes, também enfermeiros, serventes que queiram arredondar o salário podem alistar se para fazerem um ou dois dias.
Das 7h00 as 15h00 o hospital é socialista e depois capitalista
“Capitalista, mas olha tem uma coisa importante, diria socialismo alargado. Essa das consultas externas a pagamento personalizado ‘e um beneficio em três vertentes. A primeira é a população. Há muitíssima gente disposta a pagar bem para ter uma consulta dentro de um dia ou dois pelo médico que quer, a muita gente que quer mas não pode. Segundo beneficia ao pessoal da saúde médicos, enfermeiros que participam na consulta. Eles também tem uma percentagem que vai par o bolso deles e terceiro beneficia a administração do hospital.
Nós no hospital temos orçamento para o funcionamento geral, tem muitas coisas que não se consegue comprar porque não chega. Tem regras, é fundo do governo, do orçamento do estado. Ao passo que este aqui, como é um fundo a disposição da direcção é mais ágil na sua utilização e, pode cobrir falhas do material que é preciso comprar para o hospital, algo que não se pode comprar com o orçamento do estado porque não chega disse Martezine.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Morte do general Gruveta “Cavalo de batalha” da Frelimo nas intercalares




Texto e fotos: Estacios Valoi
04/10/09
O partido Frelimo apresentou esta semana o seu candidato a concorrer pelo Município de Quelimane no próximo pleito eleitoral intercalar a decorrer a 7 de Dezembro próximo nos municípios de Quelimane, Cuamba e Pemba.
Trata se de Lourenço Abubacar que apôs um escrutínio interno partidário sagrou se vencedor deixando para trás o seu oponente na primeira volta José Carlos Cunha apôs um empate de 29 votos. Já na segunda volta Abubacar venceu com 30 votos, 51.7% contra 29, 41.3% de Cunha
“Vinguemos a morte do camarada Gruveta com a vitória nas intercalares”
Abubacar, ciente dos desafios que o esperam no município de Quelimane, a união necessária no seio do seu partido, disse estar pronto para servir os munícipes de Quelimane e apelou para que as diferenças sejam postas de lado.
“Quero agradecer o voto de confiança depositado em mim, pois tenho a consciência da responsabilidade, de desafios e glorias a partilharmos, mas sei que as grandes roturas e reformas não são obras de um homem só. Lourenço abubacar, estou para vós, estou para servir os munícipes da Cidade de Quelimane. Estou a vossa disposição, respeito a opinião, a crítica, a sugestão e apoio de cada um e de todos.
Convidando a todos os membros do comité da cidade a união, dispamos as diferenças e enfrentemos o inimigo comum para alcançarmos um objectivo comum, a victória nas eleições intercalares de 7 de Dezembro. Manifestar a minha admiração, respeito e consideração pelo camarada Pio Augusto Matos. Gostaria também de contar com a assessoria do camarada Pio Matos para continuarmos a desenvolver a nossa autarquia e a nossa vitória nas próximas eleições de 7 de Dezembro.
Por sua vez o candidato José Carlos da Cunha, o vencido no processo de votação, num ambiente pomposo, saiu satisfeito com a segunda posição e segundo ele sem mágoas.
Agradecer a todos os camaradas que tinham apostado em mim para concorrer ao cargo de presidente do conselho municipal da cidade de Quelimane e, dizer que este é um processo, e em processos democráticos há sempre um que vence. Quando fui proposto sabia que não era o único candidato a candidato.
Fiquei satisfeito quando de facto tomei conhecimento que da lista final que ia ser submetida a comissão política, fazia parte, penso que em parte isto, reflectiu um crescimento da minha parte e a confiança que mereci dos meus camaradas. Deixar claro que não guardo mágoas ao camarada Lourenço. Estou de mãos abertas para prestar apoio ao meu partido e aos camaradas em tudo quanto for necessário.
Abubacar, suplente nas ultimas eleições autárquicas em Quelimane, em que mais uma vez Pio Matos sagrara se vencedor, teve que ser eleito num processo de votação, facto que segundo algumas fontes, “o processo de votação engendrado pelo Partido, era desnecessário isto a esteira da posição que Abubacar ocupou nas ultimas eleições. é um empresário de nome, mas falta lhe retórica, não gira”
Por sua vez a chefe da brigada central do partido Frelimo Verónica Macamo enfatizou que em nome do falecido general na reserva Gruveta Massamba todos devem dar o melhor pelo município de Quelimane e continuar nas mãos a Frelimo.
“Por ti choramos. Primeiro o sacrifício e por fim o benefício. Temos capacidade, experiencia, nos falta inteligência para planificar, trabalhar de forma a ganhar as próximas eleições autárquicas. Ciente do legado que o nosso herói nacional nos deixou, o camarada Bonifácio Gruveta Massamba, Paz a sua alma. Todos nós devemos dar o melhor ao município de Quelimane e continuar nas mãos da Frelimo.
O empenho a entrega de todos os camaradas que afincadamente se empenharam para tornar este processo calmo e sem sobressaltos, nomeadamente a direcção provincial do nosso partido na Zambézia, em Quelimane, os camaradas do grupo de avanço da brigada central que eram o seu apoio para o sucesso desta sessão extraordinária do comité do partido da cidade de Quelimane”.
“O empate e o numero e votos registado entre os dois candidatos mostra inequivocamente que os dois camaradas são bons mas como estávamos a procura daquele que reunisse maior consenso, encontramo-lo, que é o camarada Lourenço Abubacar Bico.
Estamos todos preparados para a nossa vitória eleitoral no próximo mês de Dezembro. A Frelimo já tem candidato. Nos municípios onde vão ter lugar as eleições intercalares. Aqui em Quelimane vai ser usado o processo de actualização do recenseamento eleitoral e posteriormente terá lugar a campanha eleitoral”.
“A campanha eleitoral devera ser também como dissemos na abertura da nossa sessão, um momento do reforço da nossa coesão interna e da acção concertada para garantir a vitória o nosso candidato.
Depois da estrondosa victória da Frelimo nas últimas eleições gerais na província da Zambézia e das sucessivas vitórias do camarada Pio Matos nas autárquicas aqui em Quelimane não faz sentidos que deixemos em mãos alheias os destinos deste município”.
Reforço a coesão interna ou não do partido, facto é que a Frelimo já apresentou o seu candidato para Quelimane, aguardando pelos para Cuamba e Pemba.

Turismo em Gorongosa



Texto: Estacios Valoi
Fotos Estacios Valoi/Christian Pozo
“Desde muito cedo a paisagem dramática, e a rica fauna bravia da região da Gorongosa atraíram caçadores, exploradores e naturalistas. O acto oficial com vista a proteger este esplendor apareceu pela primeira vez em 1920, quando a Companhia de Moçambique ordenou que 1.000 quilómetros quadrados fossem conservados como uma Reserva de Caça para os administradores da companhia e seus visitantes. A Companhia controlava toda a região central de Moçambique entre 1891 e 1940, tendo sido esta área concedida pelo Governo de Portugal”.
Em 1921 começa a existir como zona de conservação e posteriormente em 1960 elevado a categoria de parque nacional de Gorongosa e conta actualmente com uma extensão de 4000km2 com a capacidade diária de acolher cerca de 40 turistas num processo, entra e sai.
Devastado por caçadores de fortunas faunísticas, pela guerra civil entre a Frelimo e a Renamo, hoje o seu estagio de recuperação essa em torno, dos 50% segundo Domingos João Muala do departamento e comunicação do parque.
“Antes, era uma reserva de caça sem objectivo de preservar as espécies, foi o bastião da guerra civil, bastante devastado e uma das razoes, acreditava-se que aqui podia comer se carne, obter marfim e o resto para se vender e adquirir mais equipamento bélico”. Mesmo depois da assinatura dos acordos gerais de paz em 1992 foi afectado.
Seguiu se um período em que o parque não era controlado e as pessoas caçavam como quisessem. Havia muita arma por todos os lados e, ate 1995/6 as pessoas faziam do parque um lugar muito lucrativo. Já em 1996 começou se a envidar esforços, de trazer de novo a equipa de conservação, a fiscalização, disminar e começar a transformar naquilo que agora temos, 50% do parque recuperado.
“Temos acomodação para turistas, iluminação, cerca de 420 trabalhadores, picadas abertas, tudo disminado, os animais a serem transladados onde já tivemos cinco ou seis alocações diferentes espécies como 54 búfalos que vieram do Krugger Parque na África do Sul, Boi Cavalo do parque transfronteiriço do Limpopo, elefantes, hipopótamos, e em Abril deste ano 4 Chitas para repovoar e acelerar a recuperação da fauna que ficou afectada durante o período de muita caca furtiva e de guerra civil “.
Impacto das comunidades sobre o parque e conflito homem animal
O parque esta bastante rodeado de comunidades e com a sua restauração através deste projecto que tem vindo a ser implementado a cerca de cinco, seis anos
Tem estado a dar muita dinâmica a toda a recuperação que estamos a ver. Temos vários operadores turísticos que concorreram no ano passado, um o ‘One África’ que já esta a explorar a um ano e meio, e o parque a receber vários turistas, nacionais e internacionais.

Na Localidade de Vinho temos uma escola a funcionar desde 2008, inaugurada na mesma altura em que se assinaram os acordos de gestão conjunta do parque entre o governo moçambicano, a fundação CARE. A outra localiza na comunidade de Nhancuco na zona tampão que foi maioritariamente construída pelo Millenium BIM com o apoio do parque, também temos em Vinho um posto de saúde construído de raiz e o outro na localidade de Nhanguo prestes a ser inaugurado. Mas temos vários outros projectos a arrancar.
Temos o Centro de Educação Comunitário (CEC), mais conhecido por Campus universitário construído dentro do Parque que é vocacionado para acolher todas as comunidades, faixas etárias para terem programas de educação ambiental. Em Nhambita uma das primeiras comunidades que se beneficiou das receitas do parque que tem uma grande serralharia.
Portanto o parque já construiu duas escolas que já estão a funcionar, a primeira é uma completa que vai de 1 a 7 classe e a segunda de 1 a quinta classe, dois postos médicos e neste momento temos um grande empreendimento que é a construção de um bairro com 32 casas tipo 3, escola, posto de saúde, espaço livre para as crianças brincarem, no distrito de Muanza na comunidade de Muereze que vai beneficiar a 72 famílias e o lançamento da primeira pedra foi a 1 de Julho último.
As comunidades recebem 20% das receitas do turismo que junto dos seus lideres comunitários decidem que tipo de infra-estruturas construir em beneficio da sua própria comunidade, aquilo que ‘e prioritário.
Ainda para a comunidade de Vinho, na área agrícola, alocamos motobombas, criamos um mercado interno que é o parque e também os trabalhadores que compra esses produtos das comunidades após a sua colheita e levam as suas casas. Portanto tem dois mercados.
O número maioritário dos trabalhadores, isto 97% do parque, vem das comunidades, essa é a política do parque, quando existe um projecto, primeiro beneficiar as comunidades vizinhas.
Conflito homem fauna bravia
É nossa vontade é de tirar todas as comunidades que vivem dentro do parque ao longo dos 4000k2 porque todos os dias registam se casos de conflito homem fauna bravia, elefantes, leões que passam pelas machambas das comunidades, constituem um perigo para as machambas para a vida das pessoas.
Muita campanha de sensibilização ambiental esta a ser levada a cabo com todas as comunidades envolvidas no sentido de mudar as mentes e começarem a ver o parque como amigo e como instituição deles. Antes as pessoas não se identificavam com o parque, e, a razão é que num período histórico recuado muitos viviam dentro daquilo que hoje se considera parque nacional de Gorongosa mas que por razoes obvias de conservação tiveram que ser afastadas, isso foi no período colonial, e não foi pacífico. Casas queimadas, pessoas escorraçadas e ficaram com mágoa.
A comunidade de Vinho tem sido um dos campos de ensaio de todos os projectos do parque, temos lá a agricultura de conservação, uma prática agrícola em que não se cortam árvores, não se aplica fogo, a pessoas fazem a sua agricultura na mesma área, não tem que mudar de espaços de quatro em quatro anos, porque aquela zona onde estavam já não produz por várias razoes como praticas incorrectas como o uso do fogo…. Que depois da colheita não se queimem os campos.
Calcanhar de Aquiles
A caca furtiva é um calcanhar de Aquiles, uma pedra no sapato. De alguma forma todas as comunidades com as quais trabalhamos e que através do parque beneficiam de novas infra-estruturas, projectos de educação ambiental, animais embora cientes de que a acção furtiva é negativa, entram e caçam no parque matam muitos. Actualmente temos uma média de 20 postos de fiscalização, mas o número de fiscais é insignificante para cobrir os 4000km2.
Segundo o formando Cashers Tembo o objectivo principal do centro e formar as comunidades sobre a importância do parque.
“Estamos no Centro de Educação Comunitário cujo objectivo principal é de formar as comunidades ao longo do parque nacional de Gorongosa sobre o parque e sua importância. Neste momento estamos a formar 10 fiscais para o parque e 25 para a Serra de Gorongosa.
Infelizmente o número de fiscais que cobre o parque não é suficiente, quiçá devido a falta de fundos mas, acredito que o mesmo vai poder empregar mais. A Serra, tem uma vasta dimensão com cerca de 30 km de extensão e 25 pessoas não podem cobrir a Montanha.
Primeiro temos a questão do desmatamento, as pessoas continuam a cortar arvores, e a floresta chuvosa de Gorongosa é a única ainda viva em toda a região da África Austral e devemos preservar. Isto é o que estamos a tentar fazer, e os fiscais têm como objectivo principal impedir que as pessoas abatam árvores na montanha, dentro da serra.
A própria comunidade faz a selecção dos fiscais que são formadas aqui para a posterior trabalharem directamente com a tal comunidade e, percebem o que o parque faz de forma a preservar as espécies. Tivemos tráfico de madeira na região de Casa Banana, as pessoas faziam o abate mas penso que esta situação já foi ultrapassada. Os que cortam nas montanhas são agricultores de subsistência que preparam os campos para a sua sementeira. Estabelecem se numa certa área, produzem durante dois ou três anos, abandonam a terra e vão para outra, onde também abatem arvores. Dissemos a eles para parar.