segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O PREMIO



O premio
Fotos e texto: Estacios Valoi
23/12/09
Foi fim-de-semana ultimo realizada a terceira edição do premio literário José Craverinha na Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) na Capital Moçambicana Maputo.
A esteira do primeiro premio Craverinha atribuído pela Editora Djira em 2003, este ano coube ao escritor Moçambicano Aldino Muianga, com teve a honra de receber para alem do certificado, a estatueta, também levou para o bolso um cheque no valor de 25 mil dólares.
O premio que nesta edição resulta de uma parceria entre a Hidroeléctrica de Cahora Bassa e a Associação tem com propósito segundo o representante da Hidroeléctrica Manuel Tome que na ocasião teceu algumas considerações relativamente ao desenvolvimento cultural moçambicano, neste âmbito virado para a literatura ’levar a cultura a outros patamares maiores’ mas que para tal efeito se concretize não deixou de apelar a participação de outras empresas, instituições quer nacionais ou estrangeiras.
Manuel Tome disse ainda que em certeza da vitalidade da cultura nacional a Cahora Bassa no âmbito da sua responsabilidade social em parceria com a Aemo cultural literário porque todos estes elementos entram no processo de desenvolvimento da cultura no País, ‘reconhecendo a forca muito grande e muito mais perene que a economia sendo este um substrato de um povo, que identifica uma nação, o premio põe a prova a nossa escrita, mas também um estímulo fazendo com que a literatura cresça.
Diferentemente faz duas primeiras edições, de hoje em diante a atribuição do premio José Craverinha passa a ser bienal.
‘o Júri por ter escolhido a obra ‘Contra Venção’ pela sua qualidade, a identidade do Dr. Muianga como moçambicano exposta no livro, onde vive os problemas locais dentro de si’.
Diz se que por de trás de um homem existe sempre uma grande mulher, para não falar das curandeiras do Ungulani, como de praxe Muianga não deixou de lado a sua esposa Carol que não é só sua ‘medica privada mas também conselheira que o pôs a fazer um exercício vocal, cantando para que no momento exacto como aconteceu estivesse apto a se dirigir as pessoas que ocorreram a aquele espaço literário cultural para juntamente com o escriba cunhar o premio.
‘Carol a vitima mais próxima das minhas fantasias literárias de quem tenho encorajamento nesta carreira de escritor. Cada história, é uma partitura executada por duas mãos, uma delas é a minha e a outra a dela’.
Para o autor do Romance ‘ Contra Venção’ foi um grande privilégio ser atribuído um premio desta dimensão, algo que o encontrou de surpresas, mas que acima de tudo também é encorajador no para o seu percurso literário, o qual aceita com toda a humildade.
‘O premio não é apenas um reconhecimento a dedicação do escritor mas também um conforto ao público que acolheu uma obra que pretende ser a afirmação de uma toda identidade, histórico e cultural, a identidade do nosso ser moçambicano como modesta contribuição a nossa literatura ‘.
‘Juiz de mim mesmo, quando a concebi pretendia que a obra fosse uma narrativa retrospectiva, reflexão sobre o meu, nosso ser passado histórico, muito longe estava eu de imaginar que merecesse a atenção que mereceu’.
‘Escrevia com lágrimas na ponta da minha caneta, porque de lágrimas muitas vezes se faz a nossa língua e achei que para secar deveria rir me de mim próprio. ‘Contra Vençào’ é o sorriso amargo quando mascaramos a face para ocultarmos o pranto que a alma verte. Como cidadão deste País pretendi que fosse o registo dos meus conflitos emocionais, das perplexidades sociais e das dúvidas sobre o nosso futuro como pais e como nação’.
Do livro, o trecho escolhido pela AEMO para a ocasião ilustra a profundidade da viagem de Aldino Muianga ao encontro dos problemas picantes da sociedade moçambicana os quais vai os sacudindo com um dedo acusador.
‘ Como são todos os encontros e conhecimentos que decidem fatalmente sobre os nossos destinos, o meio provinciano para onde fora desterrado naquela minúscula cidade nortenha de Lichinga, obrigava as pessoas a relacionarem se, a partilhar dos gramas uns dos outros, imiscuírem se voluntariamente nas vidas umas das outras. É nos estreitos limites de uma sociedade que aqueles pequenos conflitos domésticos rebentam, agitam se como grandes escândalos, crescem, passam de boca em boca para alimentar conversas nos cafés, das mesas de jantar mesmo nas intimidades da cama.
Longe do reboliço das grandes cidades, ostracizados e marginalizados por improdutivos causadores de inércia com que marcham os interesses da nação, pensas que imperam o progresso da economia! Somos uma massa de habitantes que constitui uma parte considerável da população da província ‘.
Para albino Muianga esta obra diferente não tanto das outras mas porque de trás existe algo diferente como ele afirma, talvez o 'arroz', foi a escrita com muita abertura, a linguagem posta é uma camuflagem, metáfora sobre a realidade crua que acontece neste País. Anteriormente nunca foi publicada uma obra minha semelhante, o tratamento utilizado na narração de uma história uma pouco dura, real de mais, que teve os seus primeiros rabiscos em 1992 com o seu término completo em 2002 depois de ter sido engavetado ate a sua recente publicação.
‘Tinha um certo receio em publicar na altura, não sabia se ia dar certo ou mal, o modo como seria interpretada. Certos receios em certas partem da nossa sociedade.
‘Não diria que esta é a minha obra bem conseguida, talvez pelo impacto do premio, muitas obras interessantes que escrevi e mereceram acolhimento do publico, não tenho obra preferida, são todos meus filhos, são obras que no conjunto fazem de facto a minha obra’.

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