segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

LADY SMITH BLACK MAMBAZO



Estacios Valoi
23/12/09

LSB

Mas no poderia deixar de ouvir LSB ‘on or off the record’ mais a fundo e eis a conversa
Este CD Llembe, novo álbum dos (LSB) vencedor do Grammy Award na categoria de música tradicional mundial foi produzido em homenagem ao guerreiro africano Shaka Zulu que construiu uma nação.
Mas como é de praxe quem são os LSB e o que dançam nesta longa história da vida que melhor do que eu só eles podem contar, cantar ou dançar numa

Musica tradicional cantada que é designada por Isicathamiya e teve as suas origens nas minas da região sul do pais do Rand, fase em que trabalhadores ‘negros’ eram levados das suas casas que e em linhas férrea iam ate alcançar as profundezas da terra, longe das suas famílias. Em condições habitacionais péssimas e mal pagos e constantemente após uma jornada semanal de trabalho iam se divertindo a altas horas de Domingo, cantando, dançando.

Esta dança também conhecida por ‘Cothoza Mfana’ em referência a coreografia desenhada que a ‘socapa’ ia rasgando solo assim como para não perturbarem os seguranças do campo. De ‘socapa’ começou, mas a sociedade, a competição elevou-a a outros patamares ate ao estágio em que passa a fazer parte do cardápio da sociedade. Na altura, nas minas os vencedores eram atribuídos cabritos pelo esforço feito e tinham a adoração dos seus a adeptos. Ate hoje este tipo de competição vem sendo realizada em salas das assembleias das igrejas do YMCA baseadas em torno da Zululândia na África do Sul.
Líder, fundador, compositor a caminho da reforma nestas coisas de cantar. Com a nova liderança do LSB por sinal seu Filho Mazibuko Shabalala qual é a sua visão futurista do grupo?
Joseph Shabalala (LSB) - Estes jovens tem uma voz formidável e decide que chegou a fase de dar espaço a um elemento novo na liderança do grupo, uma outra pessoa mais jovem de forma que esta pode liderar me porque faz tempo que tenho sido o professor, e de acordo com a nossa cultura vamos partilhar, é preciso partilhar com alguém. Comparando comigo não é exactamente um jovem novo mas é o único que sabe tudo sobre LSB.
Estes longos anos de estrada, palcos, de vida representando a cultura tradicional da África do Sul, emissários pelo mundo foram mundo. Foram tantas as participações em que estiveram presentes a exemplo do convite do antigo estagiário Nelson Mandela para cantarem na cerimonia de entrega do premio Nobel em Oslo na Noruega em 1993, em 1994 na inauguração da presidência de Mandela actuar para o falecido Papa João Paulo II, em olimpíadas e por este mundo fora. Que estagio pensas terem alcançado?

JS - Penso em todas as pessoas que fui encontrando ao longo destes anos da América do Norte, Europa, Ásia, Austrália. Presidentes, signatários, artistas de cinema e a rainha da Inglaterra. É de facto um sonho para um Zulu sul-africano sonhar’.
Temos feito muitas e mais coisas, contudo não estávamos a espera de alcançar esta dimensão, apenas cantávamos para o nosso povo estar satisfeito, ter poder, ser forte, porque a minha mente dizia me algo, que esta musica vai unir o meu povo e trazer poder para eles.
Que me lembre LSB vem a Moçambique pela segunda vez. Em que se traduz esta viagem?
JS- Segunda vez! Pensei que já tivesse cá estado por varias vezes, mas é maravilhoso estar aqui, este Pais é bonito incluindo as pessoas com as quais muitas delas juntos estivemos em clainmont, são pessoas muito boas e lembram se que nasceram e cresceram aqui mas pertencem ao outro lado.
Qual é o actual estagio cultural em África?
JS- Existem varia culturas, diferentes e nós tentamos elevar a nossa, não apenas o Hathambia mas também existem outras coisas diferentes como a dança Zulu, a Khosa. Há muitas coisas que as pessoas tentam apresentar para as outras mas estes homens jovens foram pacientes ouvindo, aprendendo com uma rapidez que ate recordo me num dos episódios como diziam os outros membros ‘ontem disseste isto, temos que prosseguir com esta ideia’ e eu dizia há, esta certo vamos mexer com isto, primeiro faço isto e depois vocês retrocedem com aquilo. Quanto a forma de desenvolver a cultura, nós não sabia que a cultura é importante, nem que fosse uma única pessoa, os indianos, diz é bom, é bom, existe harmonia.
‘Com o lançamento do Llembe homenagem se a um ícone da historia, não apenas Shaka Zulu mas o senso da perseverança e criatividade com a qual inspirou gerações descendentes’. Era de entre muitas coisas um guerreiro, diplomata, visionário, atleta, cantor, dançarino, que podia falar das diferenças de forma civilizada, mas também muito orgulhoso. Se dissesses, ‘ não vou cooperar, então ele dizia, ‘esta bem, vamos ver quem é o boss’.
Esta ‘perda de valores’, a corrida as coisas simples de forma fácil qual é o seu ponto de vista recorrendo as palavras acima transcritas a tempos por ti mencionadas para descrever Shaka?
JS-A forma de nos lembrarmos ou de nos esquecermos das coisas, vem dos nossos progenitores, mãe, avos e dos nossos irmãos porque eles olham para ti e descobrem que os teus olhos, o tom voz, a forma de falar como se quisesses lutar a prior apelavam para te acalmasses, é ai onde a musica do LSB entra, nas veias e através do sangue embala te em prol mudança, para que te tornes uma pessoa de verdade e não para te aborreceres porque alguém te esta a dizer algo.
LSB e a sua combinação de atributos e sua ressonância na sociedade contemporânea, não ‘somente para os sul-africanos mas também para o Mundo em geral
Nos vossos álbuns Shaka Zulu para não dizer a palavra Zulu sempre fez e continua fazendo parte nas suas várias dimensões porque?

JS- Shaka revelou se como a figura que deu começo a um espírito de luta indominável dos Zulus, o mesmo espírito que permitiu a perseverança contra o combate a dominação do nosso país por cerca de duas décadas de apartheid, por isso venha e oiça o som da historia Zulu e engrene no espírito do Llembe o mais recente CD com faixas como, ‘pessoa e pessoa ou ‘O Mmu Beno Mmu (“Somebody and somebody”), o que significa que o grupo canta harmonizando a união do povo em prol do bem-estar e na faixa “Kuyafundw’ Osizini” (“aprender dos obstáculos”) enfatizamos a necessidade de enfrentar os obstáculos, erguermo-nos e principalmente aprender com a experiencia do passado.
A outra ‘Vamos fazer isto’ (Let’s Do It) mas com o conhecimento das podridões, o lado sujo do processo político, encorajar as pessoas para se levantarem desta mediocridade como forma de alcançar as boas coisas, e mais ainda a outra faixa “olhos ciumentos’ ou Umon Usuk Esweni’ (“Jealous Eyes”) onde apelamos sobre o perigo do ciúme, quando vês algo que queres, tenha certeza que a queres para o bom uso, correcto porque as coisas podem ser bonitas e fascinantes mas não boas para ti. Em casa fomos ensinados a não chorar, perguntes ou diga algo a mama ao pai, por favor de me isto, não fazemos porque queremos ou adorámos, continuamos a fazer e esta errado.
Desde que Shaka foi rei dos Zulus, varias são as gerações que vieram e passaram mas continuam existindo muitos corações e mentes por conquistar, para que balancem as suas convicções espirituais com as suas raízes culturais. Tentamos lembrar as pessoas sobre a importância dos feitos deste homem que surgiram com o propósito de levar as pessoas de volta as suas raízes culturais’ Venha e oiça o som da história Zulu ou Llembe

Qual foi a sua melhor ou pior fase uma vez que em pouco tempo vais parar de cantar?
JS- Os bons tempos, foi quando o nosso povo disse nos que a nossa musica vai directamente para as suas veias, mudando sua mentalidade, forma de pensar, faz os sorrir e a péssima foi durante aquela época, muitos anos passados em que fomos oprimidos mas hoje somos livres.
Como é a vossa musica é vista pelos moçambicanos?
JS- Adoro-os, quero os ver felizes, porque a minha musica é para fazer as pessoas felizes, dar resposta a qualquer pergunta caso esta exista algures e nesta musica existe uma resposta que penetra nas veias e guia te de forma positiva. Penso que as pessoas de Moçambique estariam sentadas a conversar, a cantar a debater e fazer coisas boas, é esta a minha esperança.
Mazibuko Shabalala- fazes ideia do peso que carregas nos teus ombros como novo líder dos grupo e quanto tempo pensar em continuar a liderar?
Aprendi das pessoas, o que temos e algo que gostamos e trás na paz, penso que tenho uns trinta anos pela frente, talvez reforme quando tiver noventa ou 100anos. Os jovens dão na mais energia e quando dançam lembram-nos a nossa fase da juventude e dá-nos mais espírito para actuarmos e por isso vamos continuar por muitos anos.

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