terça-feira, 27 de março de 2012

Arquipélago das Quirimbas em a todo vapor





Texto e fotos: Estacios Valoi
18/03/12
Ibo uma das ilhas das que faz parte do arquipélago das Quirimbas com uma superfície de 47.5 quilómetros quadrados, uma densidade de 222 habitantes por km2 em torno dos 10.542 segundo o senso populacional de 2007.
O Distrito da província de Cabo Delgado, com a chegada da energia de Cahora Bassa, aos poucos vai se livrando dos geradores, xipefos, velas e outros meios de iluminação tendo ate momento a empresa Electricidade de Moçambique a finalizar a cobertura do bairro de Tote onde foram feitas 600 baixadas beneficiando 200 consumidores.
Num périplo ao longo de algumas zonas do arquipélago, isto partindo de Pemba, cerca de oito horas de barco a ilhota Quirimbá e mais duas de travessia a pé pelo mangal que durou cerca 2 duas horas ate a Ilha do Ibo e, eis aqui, quiçá um longo retrata daquele distrito de praias cintilantes em conversa com o administrador do Ibo Fernando Carlos Sambo e outras vozes anónimas. O regresso fica para a próxima.
A que estagio se encontra a implantação da rede eléctrica da Cahora Bassa (EDM)?
Neste momento foram feitas 600 baixada que beneficia a 200 consumidores com a energia de Cahora Bassa. Estamos a falar da cobertura de um bairro em que os técnicos estão quase a finalizar, o de Tote e depois vão cobrir Muwamba, Bairro Sede e expansão.
Olhando para aquilo que é o Ibo que novas relativamente a pesca, agricultura e turismo?
Poderia dizer que em Ibo a população dedica se mais a pesca e que a agricultura vem com ultimo recurso, mas mais na zona continental por um numero reduzido da população.
Em quanto navegava, cruzava o mar vi pescadores com armadilhas e algumas disseram me que estavam horas a fio como manda a profissão e de armadilhas tradicionais vazias as ‘ Maremas”. Que nível de pesca em Ibo, não há pescado?
Não. Isto acontece mais nestes tempos, pode ser por mau tempo e muitas das vezes nestes meses já não é fácil pescar, os pescadores deslocam se menos para as zonas de pesca, usam mais a pesca artesanal “caixinha-Marema” mas há alguns que vão ate ao alto mar. Há fases em que há muito pescado e as pessoas não conseguem consumir mas porque temos alguns revendedores que levam o peixe para Pemba, Macomia e esses acabam aguentando com o volume.
Com a chegada da Cahora Bassa vemos que as nossas actividades estão a crescer. Antes éramos um sistema isolado com muitas dificuldades, mas apesar disso as pessoas procuravam uma forma de rentabilizar essa energia a gerador e, hoje estamos a falar de uma câmara frigorífica com maior capacidade de processamento e conservação do pescado. O nascimento de estabelecimentos hoteleiros a grande velocidade na zona costeira e n interior da vila; temos solicitações para a exploração de oficinas e serralharia mecânica, a ampliação dos serviços da escola de carpintaria portanto isto é um sinal de que de facto a população esta consciente em rentabilizar esta energia.
Rentabilizar a energia, formação profissional. Quantos estudantes a Escola de formação profissional alberga anualmente e com índice populacional do Ibo é suficiente?
25 Alunos e tem algumas maquinarias electrónicas. Temos um total de 10 escolas, 1 secundárias, 2 EPCs e as pessoas já tem consciência de que tem que deixar os filhos ir a escola, no ano passado tivemos um crescimento de 5% e este ano estamos a tentar subir para 6%. Temos que melhorar as nossas infra-estruturas educacionais e a contratação de mais professores qualificados.
Para alem do Orçamento geral do estado (OGE) qual é a politica e as outras fontes de rendimento do distrito?
Para além (OGE) também temos alguns parceiros de cooperação como a Cooperação espanhola, Aga Khan, Associação pelo meio ambiente (AMA) que ajudam no desenvolvimento do distrito.
Mas que projectos e em que áreas estão estes parceiros de cooperação a trabalhar e resultados?
Louvamos a Associação pelo Meio Ambiente (AMA) que reduziu significativamente os efeitos das epidemias, portanto a cólera porque intensificou a educação sanitária, ambiental nas comunidades que resultou na construção d mais latrinas sobretudo em Matemo e aqui na sede.
Reduziu significativamente o abate indiscriminado do mangal, injectou alguns projectos de rendimento como o de produção de mel, do sistema rotativo de exploração de ostras e caranguejo. Portanto é uma experiencia muito salutar e população aderiu a estes projectos com muita satisfação.
Em Quirimbá, uma das ilhotas das que fazem parte do arquipélago das Quirimbas, isto a semelhança de Ibo. Há dias passei por lá e há relatos de que o enfermeiro naquela zona dedica se a venda ilegal de medicamentos. Subscreve tais afirmações?
Não estou a perceber. De facto Quirimbá passou maus momentos na área da saúde mas o distrito começou a olhar muito seria para ver se conseguia reverter a situação. Dali começamos a erguer um edifício para a maternidade e as mulheres já podem dar os seus partos e a fazer o abastecimento normal dos medicamentos e a pouca aderência das comunidades em relação aos princípios de higiene o que leva-nos a ter um índice elevado de diarreias, ainda não temos casos de cólera, e temos estado a intensificar as medidas de sensibilização e neste momento já esta a reduzir substancialmente.
Em Quirimbá não era fácil entrar sem encontra fezes ao longo da costa e isso prejudica até a apropria saúde da comunidade mas conseguimos reduzir significativamente este problema, maus hábitos que a população tem.
Muitos adolescentes, jovens os 13/ 22 anos a deambular por aqui, uns tentando depenar o turista outros como guias atrevidos que outras actividades para enquadrar estes grupos?
Partimos do princípio de que os 7 milhões poderiam ajudar a esses jovens. Alguns tem estado a fazer um bom trabalho com o financiamento que demos. Ex: em Quirimbá financiamos 4 jovens, aqui na sede 3 e em Matemo 3 com projectos que achamos bastante apreciados e alguns tem estado a fazer um trabalho positivo enquanto outros retrocedem, que causas, ainda não sabemos.
Mas a que projectos se refere?
Na maioria são projectos comerciais e agora vai se erguer um projecto turístico. São dois projectos de grande impacto e o outro é de comercialização com um em Quirimbá e o outro aqui na sede do distrito.
As ilhas privatizadas que andam um pouco pelo seu distrito e que muitas das vezes banhistas nacionais, turistas ou não são vaiados das praias por proprietários ‘ estrangeiros’.A quantas no ibo?
No meu distrito não me parece ter conhecimento da existência de ilhas privadas, mas se calhar posso ter conhecimento de alguns operadores turísticos como no caso de Matemo e Quilalia onde tem grandes investimentos em termos de turismo.
Eu estava de férias. De Quilalia ainda não tinha entrado em funcionamento, estava em reabilitação e não sei porque é que não foi concluído mas em Matemo tem estado sempre a funcionar e o que estava a acontecer é lá havia tendência de proibir que alguns turistas moçambicanos pudessem banhar se ao longo da nossa praia mas foi uma situação já corrigida em 2009, assumiram que a praia é para todos e que não tem que haver descriminação. Tem estado a controlar porque a mesma água dessalinizam e serve para o consumo para a própria instância turística.
Em relação a Quilalia, de facto estava em reabilitação e nunca me apercebi de casos gritantes ate ao ponto de proibir moçambicanos de se hospedar, banhar -se, fazer tudo aquilo que acha relacionado com o seu laser.
Agua no Ibo?
Falo das duas ilhas, a Quirimbá e Ibo, por acaso somos bem beneficiados, não temos tido muitos problemas, temos poços suficientes mas é que a agua tem que ser consumida de forma regrada porque se cada um abre seu poço e instala lá o seu sistema então assim estamos a consumir um lençol freático muito reduzido segundo um estudo feito não aguenta ate a fim do ano e quando há muito consumo acabamos atingindo as aguas do mar, agua salubre. Há uma estratégia que o governo esta a estudar para instalar um sistema aqui na sede do distrito.
Em relação a Quirimbá não temos problemas, só numa zona de um bairro chamado kumilamba é onde há grandes problemas de falta de água mas construímos um poço.
Na parte Sul de Quirimbá é salubre e na parte Norte doce, Matemo não tem água para o consumo humano.
Que projectos o distrito tanto almeja e que problemas mais lhes afectam?
Alguns já iniciaram com a construção de centro de saúde de raiz com o financiamento da direcção provincial da saúde, tínhamos como calcanhar de Aquiles a situação da comunicação a nível do distrito, província, mundo mas hoje já temos a mCel e dentro de pouco vai entrar a Movitel.
Já temos um financiamento de 10 milhões meticais para a construção de um pequeno sistema de abastecimento de água, também temos o problema da erosão mas estamos a multiplicar uma serie de mudas de mangal para ver se conseguimos plantar, principalmente na ilha de Quirimbá onde temos um desgaste maior dos solos devido as águas do mar. Precisamos de estancar esta situação.

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