quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Direcção provincial da saúde ainda atabalhoada entre cólera e diarreias

Cólera confirmada na província de Cabo Delgado Texto e fotos: Estacios Valoi 13/02/13 Desde o mês de dezembro do ano transato a província de Cabo Delgado registou 6767 casos de diarreias que vai se agudizando com as chuvas que se fazem sentir com os distritos de Pemba, Metuge Mecúfi sendo os mais visados com mortes registadas perante um sector da saúde sem explicação plausível concreta. Com a chuva que se faz sentir, Pemba, também faz parte da lista dos distritos que ainda estão em risco como os de Meluco, Mocímboa da praia, Quissanga Ibo e Metuge. Mortes inexplicadas pelo sector da saúde foram constatadas pela nossa reportagem durante o seu périplo por alguns bairros da cidade de Pemba como Paquitiquete, zona de Cariaco Viane, cemitérios até Murebwe no distrito de Mecúfi “Na Zona de Cariaco no Viane morreram quatro pessoas, estiveram de baixa no Hospital e depois chegam a casas tomaram comprimidos que lhes dão no hospital quando recebem alta, de manha não chegam, morrem “.Morreram duas pessoas que estavam internadas no hospital Ente Samissange, em Miasse no distrito de Pemba Metuge duas pessoas, em Murebwe morreram mais de 30, o secretário foi linchado pela população”. Mas os números não param por aqui e o sector da saúde afirma ter ouvido falar da ocorrência de mortes pelos bairros mas não sabe si se trata de cólera ou não, e, refugia se nas diarreias, omitindo o que na realidade se esta a passar. Foi um “ping pong”. Duas semanas para que alguém do sector se pronuncia-se. Via SMS a directora da saúde de Cabo Delgado disse a nossa reportagem para que contacta-se a Directora Provincial da Mulher e Acção social Maria Argentina Simão, o medico Chefe Cesário Augusto Suez ainda em Maputo e o Chefe clinico Meque que dissera não estar autorizado a falar. Mortes, essas sim vão se registando, mesmo depois de algumas fontes hospitalares anonimas na altura terem confirmado a nossa reportagem que se tratava de Cólera. Mais, no dia 6 de Fevereiro a directora provincial da saúde Sãozinha Agostinho falando no programa “Café da Manha” da Radio Moçambique, assim como em conferência de imprensa realizada no seu escritório por volta das 10h do mesmo dia, reconfirmou que tratava se de derreais e não cólera, contrariamente ao que foi dito a nossa reportagem por fontes anonimas do hospital e confirmado por Leonard Heyerdahl no dia 30 de Fevereiro. Segundo a directora provincial da saúde de Cabo Delgado Sãozinha Agostinho, desde Janeiro último registaram 6767 casos de diarreias naquela província e nada de cólera. “NA Cidade de pemba estão a registar casos de diarreias, nos distritos de Metuge, Mecúfi. Em Metuge apesar da redução no global, facto é que estamos a registar casos que merecem internamento. Desde que isto começou fomos recolhendo amostras para a pesquisa do vibrião e até o dia 28 os resultados foram negativos. O que não temos são resultados do dia 29 que recolhemos e mandamos ao nível central. É do nosso interesse saber qual a real causa e interagir com a comunidade de forma as medidas de precaução. Foram de 6767 casos, 57.7% na faixa etária de menores de 5 anos. Se é cólera ou não aparentemente os casos estão a declinar e temos distritos em risco, Pemba, Meluco, Mocímboa, Quissanga, Ibo, e Metuge. No Centro de tratamento de cólera (CTC) em Pemba deram entrada 300 casos, actualmente com uma média de 10 entradas por dia, no distrito de Metuge 93 e Mecúfi 65, há uma redução de diarreias em Montepuez, Medumo, Namuno, Nangade, Palma e Metuge Aparentemente a situação esta a declinar em termos de casos registados, exemplo nas últimas 24 horas em Metuge, só teve uma entrada e temos também na cidade de Pemba que só tivemos 15 entrados e, em Mecúfi ainda não temos informação mas, continuamos preocupados porque as chuvas continuam a cair”. Óbitos vão se registando por Cabo Delgado em resultado diarreias e/ou Cólera cujo resultado laboratorial desde a sua eclosão deste surto continua no segredo da saúde. Sãozinha minimiza “Não temos Óbitos em termos hospitalares ou confirmação laboratorial de cólera, temos registos normais nas unidades sanitárias. Em relação a óbitos referidos nas comunidades, esses tem que ser reportados ao sector da saúde porque é preciso fazer uma investigação para perceber a relação directa da morte. A nossa rede sanitária não é abrangente. Nós não temos conhecimento das mortes na comunidade, o único mecanismo de comunicação é colocando no sector da saúde. Nós reconhecemos que existem mortes na comunidade, não podemos quantificar porque de facto não nos chegam. Nos centros de tratamento de diarreias não registaram óbitos por diarreias. Exemplos da Cidade de Pemba estão colocados médicos, enfermeiros e técnicos de saúde”. “O centro de tratamento abriu só com uma entrada. Orientamos a população que todo o doente que tiver diarreia deve ser dirigido a aquele centro. Tivemos la muitos casos gerais, com malarias, HIV/Sida, com outras situações e não directamente especificas, só diarreias. Não estamos dizer que só hoje é que estamos a notar, não é isso. Estamos a aguardar o resultado. Nesta equipa do Ministério, têm cá colegas da área de epidemiologia que estão até a fazer investigação de campo para perceber, também o que são os comportamentos da região e podermos também fazer outro tipo de análises. Não temos confirmação laboratorial”. Enquanto o departamento da saúde da provincial de Cabo Delgado anda atabalhoado a Agencia de Medicina Preventiva Africhol uma agência baseada em Paris foi perenptória em afirmar que 22 casos de Cólera foram confirmados através de testes laboratoriais levados a cabo em três áreas da cidade de Pemba e na província de Cabo Delgado no dia 30 de janeiro. Segundo Leonard Heyerdahl cuja sua equipa esta a apoiar as autoridades da saúde moçambicana falando a IRIN NEWS do dia 8 de Fevereiro do corrente ano, disse que” a partir do dia 30 de janeiro as amostras testadas resultaram positivas (cólera),a prior havia 366 casos de diarreias agudas causadas pela bactéria salmonela. “As áreas que a Africhol identificou com casos de cólera confirmados são os distritos de Mecúfi e Metuge. A Africhol também esteve a testar amostras de outras províncias incluindo as do Sul de Moçambique. As chuvas fortes, cheias, dispersão e o fraco acesso a assistência humanitaria estao a contribuir grandemente para um ambiente propício de proliferação da cólera”. Enfatizou que, “ um único caso de cólera significa uma epidemia” Sãozinha o médico chefe do centro de controlo de Pemba CTC ou CTD Magide Sabuna contradizem-se “Na realidade temos um surto de diarreias, desde Dezembro já vínhamos registando alguns na cidade de Pemba. Alguns eram atendidos em ambulatórios e outros a nível do hospital provincial mas o número de casos foi aumentado de tal maneira que foi incompatível serem internados no hospital provincial; para descongestionar o hospital sentimo-nos obrigados no dia 8 de janeiro a abrir o centro de tratamento de diarreias, até mais ou menos ontem tínhamos 379 entrados. Como disse no princípio um dos grandes objectivos é ver quais os casos que na realidade são ou constituem diarreias mesmo. Dentro desses trezentos e setenta e tal alguns casos eram mesmo associados a outras doenças, como HIV/Sida, Malaria, Bronco pneumonias e essas infeções respiratórias, principalmente nas crianças que também cruzam com diarreias. De certa maneira 20 ou 30% dos casos que entraram aqui são também com algumas doenças associadas. Este é o ponto de situação. Ficamos muito preocupados porque o nível de entrados já tinha atingido um pico, estamos a falar dos dias 24,25 de janeiro, já ficamos a ter 27 doentes, cerca de 60 doentes entrados e, neste momento, internamente o nível de entradas já reduziu para cerca de 10 por dia de tal maneira que temos cerca de 20,21 doentes internados. Só tomando como espelho o CTD podemos dizer com segurança que o índice esta a diminuir”. Nós não registamos nenhum óbito por causa de diarreias no entanto que tal, não temos provas, números concretos mas é verdade que na comunidade se registam casos e já tomamos conhecimento. Exemplo desses casos, como os que você estava aqui a dizer. Esses são óbitos na comunidade mas dentro daquilo que é o centro de tratamento de diarreias entanto que tal não”. Sensibilização “A saúde esta desdobrada digamos em duas frentes, uma da medicina preventiva e saneamento do meio, temos técnicos adjuvados pelos activistas das diferentes entidades que trabalham com a saúde na província e a outra frente que é a curativa que esta aqui dentro connosco. Essa frente da medicina preventiva, saneamento do meio mais alguma componente de informação que n’só chamamos de CESP, que vai passando pelos bairros a difundir as mensagens de prevenção quais as medidas que tem que tomar para se prevenir das doenças diarreicas, uma espécie de sensibilização a família, tratamento da agua que la tiver e algum treinamento de como podem fazer no caso de algum parente entrar numa crise de diarreia”. Desinformação VS baleamento por parte da polícia com recurso a AKM-47, arma de guerra e a corporação policial, nada diz, a nossa reportagem por várias vezes tentou contactar telefonicamente, via SMS a comandante provincial da polícia e porta-voz, e nada. Tudo mudo. Baleado António Januário Mateus Foi numa sexta-feira na aldeia comunal de Muisse em Pemba Metuge. Ali surge esta doença de cólera, haviam jovens ali na aldeia porque seu estava no mato a tratar da cerimónia do meu filho de rito de iniciação. Morreram duas pessoas que estavam internados no hospital Ente Sanissange, enterramos no mesmo dia e pelo que ouvimos morreram de cólera e essa confusão começa por causa dessas pessoas que morreram, foi por causa disso mesmo. AKM-47 e deu os tiros sim. Quatro. Esse pé esquerdo só me furaram, mas o pé direito é que me partiram o osso, aqui e outro tiro neste braço esquerdo e também me furaram, outro ali e aqui também, a razão de quatro tiros, o quinto tiro é que atiraram para cima. Peripécias da viagem até ao hospital provincial de cabo delgado onde hoje esta internado Como policia vinha com carro, levaram me no carro junto com chefe da aldeia a policia e essas pessoas, exemplo chefe da aldeia, secretario, levaram toda a roupa, todo material nas casas deles, abandonaram no mesmo dia, carregaram no mesmo carro e nós entramos no mesmo carro ate na sede. Me levaram a minha pessoa com a minha família até no hospital fui recebido com agente do hospital, trataram me colocaram soro e meteram na ambulância até vir estar aqui. Vinha aqui dois polícias e até hoje é que não vi, ontem vinham. Desinformação/ Concepção cólera e cloro Na minha opinião pessoal em relação a esta situação de cloro e cólera. Há nomenclaturas que de facto te que ser mudadas à outros níveis mas, localmente nós podemos encontrar um meio-termo, continuo a acreditar que nós devíamos avançar aos estudos antropológicos, percebermos a nossa comunidade. Disse Sãozinha Domingo último a nossa reportagem esteve em Murebwe no distrito de Mecúfi apesar da directora afirmar que os casos estão a diminuir, factos indicam o contrário, e Calisto Marcena Saguate chefe do posto de saúde de Murebwe, subscreve “Ainda estamos a receber mais casos, no momento temos cerca de 13 casos internados, a média diária de casos é de cinco. Mortes internamente nós ainda não registamos. Só tivemos uma morte, um corpo que entrou dentro do hospital sem vida. Os familiares não conseguiram detectar que o corpo estava sem vida. Mortes na comunidade “isto é por negligência dos próprios familiares, eles não trazem os familiares a tempo e horas e a pessoa acaba perdendo a vida antes de direcciona-la para o hospital”. No posto de saúde de Murebwe, conversamos com familiares dos doentes internados que disseram que o numero de mortes de diarreias que no dia trinta do mês passado confirmou -se o surto de cólera, esta acima de trinta, e a desinformação e/ou falta de informação por parte dos médicos, enfermeiros também dão espaço a conflitos entre os homens de branco e a população. Linchamento do secretário do Bairro de Murebwe “Eram 3h da madrugada. Um grupo de jovens foi até ao encontro do secretário a pedir que ele tirasse o produto. Dizem eles que ele tinha um produto que constituía cólera. Então eles estão a pedir que ele denunciasse de onde trazia aquele produto. E ele, segundo as pessoas, ele disse que não conhecia nada e pediu aquelas pessoas para que tirassem aquele produto para que ele próprio primeiro consumisse. Não ficaram felizes, Espancaram- na até a morte; Até agora existem pessoas que não estão conformadas, e estão a prever mais greves contra os funcionários da saúde Até nos falam mesmo, frente a frente que “ vocês! Ainda não chegou a vez, hão de ver o que vai acontecer” Membros da comunidade em Karapina-Murebwe “Aqui não existe nenhum tratamento, antes de ontem enterraram a família e desde que as pessoas estão a entrar aqui nada esta a melhorar, aqui esta muito difícil na parte de tratamento, até agora há muita dificuldade. Trinta pessoas que já morreram de cólera só aqui em Murebwe. Mas aqui em Karapina célula A e B não se conhece o número, e mais que isso. Os médicos não nos dizem nada, quando perguntamos, como agora que eles estão a dizer que aqui no hospital não morreu ninguém, estão a mentir. Ontem saíram pessoas mortas aqui. É isso que cria confusão”. Aqui o número é levado e o tratamento. Não dão nenhum comprimido, só poem cloro e dão soro as pessoas, é a única coisa que se faz aqui neste hospital”. Segunda-feira ultima, depois da retirada da nossa reportagem ter estado domingo do local, soube que mais a população local mais uma vez revoltou se contar os funcionários da saúde naquele posto de saúde, que mais uma vez a policia teve que intervir e a direção da saúde ainda não se pronunciou se é cólera ou não e, não se sabe porquê! Contudo, até ao momento da nossa publicação, e apesar do silêncio do sector da saúde de Cabo Delgado, o facto esta confirmado. Trata-se de cólera.

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