terça-feira, 24 de julho de 2012

Tambo Tambulani tambo Festival do povo no país de relegação cultural

26/07/12 Texto e fotos: Estacios Valoi Foi quase uma semana de muita festa na sétima edição do festival Tambo Tambulani Tambo realizado pelo centro cultural do mesmo nome em Pemba na capital provincial de Cabo Delgado. Sob o lema ”diversidade cultural “ estiveram presentes artistas provenientes de Maputo, Nampula, Ilha de Moçambique, do Zimbabwe e a presença massiva de grupos locais não apenas não apenas nas artes representativas mas assim como nas expressivas. O festival que teve o patrocínio do Teatro Avenida, Cooperação Suíça (Helveta), Embaixada da Espanhola, Projecto Mundi, a empresa SOTIL teve uma participação considerável do público na apenas como mero espectador mas a traçar a areia com seus passos a ritmo de ribombadas loucas exaltando o corpo, voz, um Mapiko e Kimbondo na sua originalidade, com se faz em Cabo Delgado. De acordo com Victor Raposo sob olhar atento da decana do teatro Manuela Soeiro que esteve a todo o momento a “ puxar as orelhas” da organização com um olhar para o público o festival foi positivo. “ Foi positiva em termos de prestação dos artistas, em organização e afluência de público. Se nos anos anteriores o evento tinha o seu ponto mais alto aos fins-de-semana, esta edição teve os shows na quarta, quinta e sexta-feira e a afluência de público foi equivalente aos últimos dois anos, calculado em 3000 pessoas. Pese o facto do acidente que vitimou mortalmente 2 dos 10 artistas do grupo Assota proveniente do Zimbabwe, o festival, embora sem abertura oficial, por observância de luto aos malogrados e famílias. Dos grupos participantes destacam se o tufo do grupo Forte Amizade da ilha de Moçambique, grupo de jovens da companhia distrital de Canto e dança do distrito de Chiure. O Mapiko moderno da cidade de Pemba contagiou de alegria da comunidade local, através dum desfile de mascaras que arrastou centenas de populares pelas principais artérias do bairro. Também se destacaram os grupos Anamavenchiwa da penitenciária de Nampula com teatro e música. Com musica também se destacou o grupo de música Apathani de Pemba e a cantora Atija que vinha na companhia do grupo já referenciado da ilha de Moçambique. Não menos se destacou o grupo anfitrião Tambo Tambulani Tambo com uma peca de teatro apresentada pelos seus jovens e adultos bem como através da dança tradicional com os seus pupilos em plena demonstração de forca do jogo tradicional já extinto que exalta o nome e traduz o conteúdo do nome Tambo Tambulani Tambo”, Hopangalatana com uma peca de teatro. “O palco e algumas infra-estruturas foram alvos de comentários como esteticamente bonitos, e elegantes pela sua cor e luz e como ‘e tradição houve uma exposição de artesanato, workshops de música, teatro e dança, bem como uma visita aos ateliers de escultura Maconde em Pemba.” Um dos artista que deu voz a nossa reportagem foi Jorge Vaz actor do grupo de teatro Muthmbela Gogo, um dos elementos em palco. “‘E positivo. Aqui na cidade de Pemba acontece muito pouco e, este festival Tambo Tambulani Tambo vem catapultar a cultura, o teatro, musica, artes plásticas, gastronomia. Sede da população aqui de Pemba e isto tudo junto é positivo. Não é todos os dias que isto acontece aqui. Pessoalmente estou feliz porque a segunda vez em que participo, ver que as coisas estão a melhorar e o festival já esta a ser uma referencia a nível nacional; Do ano passado ate aqui muita coisa melhorou, desde a s infra-estruturas, o palco em si é uma coisa já mais bonita, melhor, a luz o som é uma mais-valia. Aqui em Pemba há uma coisa, diria que é uma doutrina, as pessoas são um pouco mais fechadas, dogmáticas, é a maneira de ser e estar, temos que respeitar isso. Mas quando acontece este festival sentimos que a s pessoas também se abrem um pouco para o mundo porque o festival não é só a nível nacional de Maputo, Nampula, Beira mas a nível internacional. Temos que lamentar sobre esse acidente dos zimbabueanos que vinham para cá, são pessoas da nossa área e o Tambo ficou de luto.Tirando isso o festival esta fantástico". Aberração total, uma hecatombe foi a ausência completa dos que se alegam promotores da cultura que apenas fazem em dias de campanhas ou/ou congressos. Nem vivalma e muito menos um centavo o governo local alocou para o festival. Mesmo com convites enviados ao presidente do Município Tagir Asamo, até via SMS. “País de relegação da cultura “ “O que é feio para mim, é quando se gastam rios de dinheiro a investir numa coisa de uma semana, é uma aberração. A cultura de um povo, o bem-estar, o seu dia-a-dia, usos e costumes, na sua pobreza ou riqueza seja lá o que for, é uma coisa que tem que se preservar no seu dia-a-dia. Estamos num pais de relegação da cultura, algo que fica para o segundo plano. Tudo que é povo, que é orgulho nacional é pela cultura. “As pessoas adoram as nossas artes o que é nosso. Ali vejo Tufo, Damba, Mapiko, fico identificado, afinal tudo que estamos a ver aqui é originalmente moçambicano, Made In Moçambique, é esta a patente que nos temos que ostentar e aqui temos todo o nível de pessoas desde os mais novos até aos mais velhos e todos nós ficamos com essa sede de ver coisas diferentes. Meus deuses afinal têm esta riqueza cultural no nosso país. Não vamos gritar Made In Moçambique só por um selo, mas gritar Made in Moçambique. Nós promovemos e bem aquilo que é nosso”. Sublinhou Jorge Vaz “O recital moderado pela poetisa Zimbabueana Batsirai Chigama que ao gosto do seu saber deu asas ao espaço literário organizado em numa co- produção com a”Combatendo com arte” (Comarte), uma associação de jovens virados para a literatura em Pemba, em circular, sibilante, fogo as cores, o calor, da energia vindo de dentro e de fora naquela noite de luar sentados em camas tradicionais, trancadas em sisal simbiótico assim como as palavras, sentimentos. Que iam sendo libertos alimentaram almas, espíritos, momento de tanta emoção. Só estando para perceber a dimensão do recital. Batsirai Chigama nome que trocando em quinhentas também quer dizer “ajuda me ou ajuda”, que na sua fase embrionária nas lides literárias viu se levada pela poesia mesmo que muitas das vezes tenha tentado por se em fuga, mas a poesia encontrou na esquina, foi mais forte. “A poesia encaixou me, já não havia forma de com fugir dela e no Zimbabwe a poesia é mais vibrante do que era cinco anos atrás, estão a surgir novos movimentos que criam suas sessões entro e fora a cidade, recitais que são organizados uma vez por mês. ‘E vibrante. Aprendi que nem sempre são os poemas com longos versos que fazem sentido, mas também os curtos. Nascemos com talento e as vezes não damos ouvido a aquela voz que sempre te diz’ és escritor, és escritor’, guardas o que escreves e não fazes nada com isso mas a mesma voz continua seguindo - te para onde quer que vás. Cheguei a um estagio em que encontrei escritores de renome e indo aos workshops fui encorajada a levar a minha arte em frente”. “Comecei a ver me envolvida na poesia ainda na escola e mais tarde passei a escrever os meus poemas. A cinco anos que escrevo. Lembro da minha primeira aparição em publico, casa cheia a dado momento enquanto recitava, esqueci me do ultima estrofe do poema, fiquei assustada que passei a levar sempre comigo ao palco a poesia escrita no papel para ter certeza que tudo ia sair certo mas passados estes anos tornei me confidente e, papel ficou para traz.
No ano transacto o festival Tambo Tambulani estava mais carregado de música, dança, teatro, era a única poetisa, estou feliz porque este ano temos poetas de Nampula assim como de Pemba da comunidade. Como exemplo deste festival para as próximas edições é espírito. Trouxe um festival comunitário onde a maioria das pessoas da comunidade fizeram parte, que as coisas acontecessem, o sucesso desta edição”.

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