sexta-feira, 1 de outubro de 2010

George Benson conta as peripécias da sua vida


George Benson conta as peripécias da sua vida

Texto: Estacios Valoi
Fotos: Cortesia George Benson
29/09/10

Sobrevivi na contra mão. Desde os EUA, Europa e pela Asia, foram oito meses a fio a espera da entrevista com o George Benson, tudo devido a uma daquelas perguntas como quando em sonho fiz a Nina Simone aquando do nosso encontro num dos bares Memphis antes e depois da sua actuação. Então viraste a garrafa toda de Whisky ate a última gota, bem exprimida ou também andas em outras? Foi tudo naquela noite em que o álcool fazia milagres, cambaleando quase que o microfone se perdia na margem do rio Mississípi e ela disse me ‘ sou a rainha’ (Im the Queen).

Desta já na realidade George Benson ‘mandou’ me ver se ele estava na esquina. Claro que não, porque na altura, isto entre Março e Abril o mestre cruzava os céus com destino ao Cape Town Internacional Jazz festival. A fio fui viajando com Benson pela sua recente tournée pela Europa e agora que voz escrevo pela Ásia. Depois da pergunta furacão que fiz disse o que também era homem de deus e susceptível a cometer ‘erros’. Benson é ‘virado’ a religião, tradicionalista, quiçá conservador. Lá se foram os meses, e veio ‘musica a ultima verdadeira voz do espírito humano’

Nascido em Pittsburgh nos Estados Unidos da América faz a sua primeira aparição nos anos oitenta cantando, dançando e tocando Ukelele. Com 21 anos trabalhou com músicos como o organista Jack Mcduff, Herbie Hancock e Wes Montgommery afirmando-se num guitarrista de jazz de reputação.
Mas é em 1964 que faz a produção do seu primeiro álbum como líder e no fim dos anos 60 uni esforços com o produtor Creer Taylor além o horizonte. Naquela fase, bem notório como jazzista instrumental, as evidências dos seus gostos pelo R&B, pop e rock não ficaram a margem. É nos finais dos anos 70 e prelúdio dos 80 que as suas gravações ganham a base vocal explorando com maior ênfase o R&B/Pop em contínua mistura e, nestas inclui-se o álbum ‘Greatest Love of All’, On Broadway’, Give Me The Night, Turn your Love Around’

Sob liderança de Tommy Li Puma, já no final dos anos 80 e 90 retorna a linha do standard jazz clássico e acústico para a GRP. Em Nova Yorque colaborou com Djs e, produtores como Little Louis Vega e Kenny "Dope" Gonzalez, Aka como mestre de cerimónia no mais aclamado projecto ‘ Nuyorican. Sua gloriosa contribuição ‘ You Can Do It (Baby) tornou se numa batida dançante de arrepiar.

Ao longo da sua carreira Benson sempre dormiu sobre a vertente jazzistica virando para o jazz vocal contemporâneo e R&B/Pop. Nos diferentes géneros é um dos artistas que teve maior crítica e sucesso comercial e a sua ritmissidade electrificante faz dele um dos mais respeitados músicos dos últimos 30

EV - Quem é George Benson, o homem por de trás do músico?

GB -Primeiro fui um entertainer, como criança cantei, dancei e toquei Ukelele em clubes nocturnos. Durante o meu percurso tive a oportunidade de actuar com músicos de jazz de renome ‘Gatos’ do planeta mas a fama ou isto não me fez perder a cabeça, o prazer de actuar para pessoas comuns, este intercâmbio permanente. Isto é o que eu realmente sou.

O Jack fez me ver muita coisa, muitas das tonalidades do jazz. O lado intelectual veio mais tarde do Charlie Parker e tornou se num conhecedor de som. ‘ Gosto mais quando as pessoas rodopiam ao extremo da loucura “
EV- 2010 Internacional Cape Town Jazz Festival a teve uma audiência astronómica que rebentava pelas costuras. Que foi para ti fazeres parte daquele evento?

GB - Depois de ter actuado no primeiro concerto inter-racial nos anos 80 em Cape Town, hoje foi fantástico ver que ao longo deste processo a África do Sul tinha alcançado o estágio de convivência da relação racial. Mais, foi gratificante constatar o amor e o gosto pela música jazz da comunidade.

EV -Que foi para si partilhar o palco com todos aqueles músicos que eram cerca de 100?

Actualmente o jazz é feito de diferentes formas. De várias maneiras isto envolveu as pessoas dos diferentes estratos sociais de formas diferentes. O resultado disto é a nova geração de músicos e amantes do jazz que dão vida a esta nova comunidade. A variedade das linhas jazzisticas em Cape Town foi maravilhosa. Muitos dos músicos que naquele dia tocaram são meus amigos pessoais que actualmente mantêm o jazz vivo.
EV -Em termos de inspiração, a sua carreira musical tem o lado da perscrutação ‘ chereitar’ daquilo que as pessoas gostam de ouvir e o que ele adora tocar.

GB - os álbuns “On Broadway” e “Give Me The Night,” baralharam alguns dos meus fans de longa data, por carregar esta nova vertente pop que é sucesso. Penso que foi o maior erro que alguma vez cometi desde que os fans do jazz vão surgindo.
Nem sempre gostam de ver te actuar para o público geral, comum, querem ser direccionados. Mas tentei aproximar me e não funcionou. Ninguém permanece 30 anos no mesmo rumo, sempre tentei deixar que a minha experiencia viesse ao de cima. Tu aprendes, tu mudas. A porta abriu se e através dela caminhei

Com nove prémios awards Benson ainda gira em torno do seu álbum ‘ Breezin’, galardoado como a melhor actuação instrumental pop em 1976 e o mais recente ‘ irreplaceable’. Actualmente com mais de 30 álbuns, como líder produziu o seu primeiro álbum em 1964. Mas foi em 1976 que arrecada o disco de platina com ‘ Breezin’.Contudo não deixa ilhado um dos seus mais recentes trabalhos ‘ Irreplaceable’ que segundo George foi como trazer algo inédito para o público, dar lhes algo que não esperavam e diz mais.

‘ Foi exactamente como em 1976 quando gravei Breezin e todos estavam a espera de um instrumental em 8.000 notas por segundo como no passado’.

EV - Qual o teu álbum favorito e porque?
GB - Charlie Parker com as cordas (‘Charlie Parker With Strings’), este foi um álbum clássico de muitas inovações da sua época e contínua entre os melhores do jazz alguma vez gravados, isto se não for o melhor.
EV-Antes de subires ao palco algum ritual em especial?
GB - Não tem ritual
EV - Como é que descreve o electrificante tributo por você prestado a Nat King Cole com o tema “Mona Lisa”?
GB - Sinto me como se tivesse substituído o Nat King Cole que não pode estar lá em Cape Town naquela ocasião e é de facto uma honra.
Em cima do palco balançando a sua guitarra que te vem em mente?
Não porque seja contra ouvir a música ‘ pimba ou fanfarronadas’, mas gosto que as minhas sejam sonantes e não apenas os ruídos das gravações. Algumas das faixas de apoio que nos usamos são boas. Quanto ao som, estas deram me algumas mordidelas de modo a balançar a minha guitarra ao encontro de linhas reais. Ao longo do percurso tive que quebrar algumas regras, existia uma lei não escrita, invisível: seja legal, calmo e não vulgar.

Uma vez que a audiência sabe que a respeito então deixam me ser aquilo que eu quero.
Mas o jazz sempre veio carregado de musicalidade e a forma mais simples de envolver as pessoas é telas a baterem levemente o chão com os pés. Quando batem um pouco seguem o teu caminho. Então é quando posso flutuar com qualquer linha do jazz musica adentro. Espero e acredito que sempre será assim.
Sobrevivi na contra mão. Fico de olho aberto a espera de notícias sobre o teu périplo pela Ásia.

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