segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Zambézia com bolsas de fome

Zambézia com bolsas de fome
Texto e fotos: Estacios Valoi
12/08/10
A Província da Zambézia vem enfrentando desde tempos o problema da existência de bolsas de fome um pouco pelos distritos e localidades que a compõe.
Entre os Distritos afectados encontram se o de Mocuba-Localidade de Magogodo, Macuze na localidade Mechichine, Namacura sede na Localidade de Furquia, em Mopeia na Localidade de Cocorico.
Em contacto via telefónica com o Chefe do Posto Administrativo de Micaune no Distrito de Chinde Rui Manuel Caminho, este confirmou a nossa reportagem sobre a existência de bolsas de fome naquele local.
Segundo Caminho dados referentes ao mês de Maio do corrente ano tinham 975 famílias, cerca de 4.500 pessoas afectadas com destaque para as ilhas de Alfazer, também na localidade de Magaza, Deia em Mitange e na Localidade de Arijuane’.
Em contacto com o director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) da Zambézia João Zamissa para nos fornecer mais dados sobre esta questão pertinente que também vem minando o desenvolvimento daquele e outros distritos nesta província, esta resultou num ‘fracasso’.
O timoneiro do INGC na Zambézia que na altura se encontrava de visita ao Distrito de Chinde, peremptoriamente via SMS afirmou, ‘ pelo que eu saiba na Zambézia não temos fome’.
Estas afirmações contrastam com os dados acima referenciados e outros por nós adquiridos. Leva-nos a entender que Zamissa esta a mentir.
Uma das organizações que também se encontra a exercer as suas actividades naquele Distrito na vertente da prevenção de riscos e mitigação em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), comités de gestão de risco onde ate a presente fase instalou sete sistemas de rádio VHS na base do Distrito de Chinde e outras áreas remotas assim como nas zonas do Distrito de Caia para que a informação seja dada a tempo e horas pouco disse sobre as bolsas de fome.
Para o representante da Concern Worldwild na Província da Zambézia Anibal Machava, a questão das bolsas de fome, estas principalmente circunscrevem-se no acesso as áreas que enfrentam este tipo de problemas e para ele em Chinde não existe fome e vai puxando o peixe a sua brasa sem confirmar ou desmentir o facto.
‘Quando chego a Chinde não há fome. Em termos agrícolas temos canalizado sementes de arroz, hortícolas, temos uma bomba de irrigação, oito furos de água e isto já esta a ter seus efeitos. O problema que agora tenho em Chinde já não é de fome mas sim do excesso de produção, especialmente de hortícolas. Nesta primeira campanha tivemos couve, alface, cebola, mas isto devesse a estes micros projectos de mitigação que estamos a implementar, porque quando há cheias as machambas é que são afectadas então tem que se desenvolver culturas de ciclo curto de modo que quando se registarem cheias a população tenha já feito a sua colheita.
‘Quando digo que não há bolsas de fome, refiro me as zonas onde nós desenvolvemos os nossos projectos de mitigação, Chinde é uma terra muito rica mas com problemas de acesso e este é um problema chave. A falta de escoamento, da agra secagem, armazenamento da produção, da pecuária são alguns dos factores, então torna-se necessário desenvolver técnicas. Já se fala de silos e comercialização.
Como tarefa do governo nesta área é preciso apostar nos regadios, projectos-piloto para despertar a atenção da comunidade. É preciso que se tenha uma modernização agrícola mas primeiro deve se olhar para a comunidade, e grandes projectos implicam grandes estudos e isso não resolve problemas imediatos’.

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