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segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quelimane regista um fluxo de Imigrantes ilegais




Quelimane regista um fluxo de Imigrantes ilegaisTexto e fotos; Estacios Valoi
12/08/10

Recentemente os serviços de Migração Nacional celebraram 35 anos da sua existência num Moçambique ‘independente’ após de ter sofrido várias mutações com o seu prelúdio no Ministério do interior mais tarde para o de Segurança e actualmente sob a égide do primeiro.

A Província da Zambézia tem vindo a verificar uma avalanche de imigrantes ilegais que encontram esta parte central do Pais como ligação entre as zonas Norte e Sul do Pais tendo só neste trimestre o registo de 154 cidadãos de nacionalidade Somaliana provenientes do centro de Maratane na Província de Nampula.

Actualmente encontram se nas instalações dos serviços de migração de Quelimane outros 57 imigrantes de nacionalidade etíope também provenientes do mesmo centro a espera de serem recambiados em condições de acolhimento menos abonatórias, visto que o sítio carece de infra-estruturas adequadas para tal propósito, inclusive para os seus funcionários.

Apesar da introdução do sistema de controlo informático biométrico com base no qual o chefe dos serviços se vangloria como um dos marcos alcançados nestes 35 anos, ate que a tal 'biometricidade' chegue a estas bandas muitos dias ainda vem por contar.

Segundo o chefe dos Serviços de Migração da Zambézia Armando Cossa, a introdução do sistema informático implica uma boa disposição o que também lhes permitira ter acesso a dados esboçados a partir da Direcção Nacional em ‘ online’.

‘Provavelmente a partir do próximo mes de Agosto teremos aqui na Província técnicos para montarem o sistema informática, e neste momento já começamos a receber pedidos dos documentos que enviamos para a Direcção Nacional para a sua devida emissão biométrica, mesmo até a atribuição do visto.

Relativamente a azáfama dos imigrantes nesta Província, Cossa reconhece o facto mas opta por girar em torno dos ‘ papeis’, os passaportes em cima mesa.

‘Uma avalanche de estrangeiros! Talvez não iria por aqui porque em termos de emissão de passaportes esta tudo em ordem, é verdade que se esta a constatar uma avalanche de estrangeiros ilegais mas são cidadãos provenientes de países em que há guerras, onde existe uma certa instabilidade, e violam as nossas fronteiras País adentro onde a ‘ luz’ da convenção internacional das Nações Unidas são acolhidos.

Estes são provenientes de Maratane na Província de Nampula. Aquele é um centro para abriga-los que esta sob auspício do núcleo de apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros e por alguma razão estes cidadãos desertaram do centro a andam por aqui. De certa maneira nós temos sim uma avalanche de cidadãos descontrolados, mas destes indivíduos que não têm documentação muito menos profissão, e talvez alguns destes por estarem entregues a sua sorte fazem parte dessa onda de crimes.

Estamos a registar um número crescente de cidadãos Etíopes registando-se neste momento que estamos a falar cerca de 57 cidadãos aqui na migração e todos também provenientes de Marratane mas com a usando a prorrogativa de que iriam passar para Maputo onde já não existe centro para imigrantes ilegais e estamos aqui a criar condições para retornamo-los para o centro.’

Segundo Cossa existem duas formas de ‘pular a cerca’, o primeiro os que são interpelados ainda na sua tentativa de chegarem ao ‘ porto seguro’ e são directamente recambiados nas mesmas viaturas em que se fazem transportar e o segundo quando são abandonados pelos sindicalistas do crime pelos distritos ou mato de onde mais tarde são recolhidos e levados pelos agentes da migração para a sua sede.

‘Naturalmente a questão passa de um certo controla com base nos dispositivos internacionais, as convenções com preceitos legais tratados nível do Núcleo de apoio ao imigrante ilegal do Ministério dos Negócios Estrangeiros que trabalha em coordenação com o Ministério do Interior.

‘Creio que uns saiem do centro porque procuram melhores condições de vida, outros até munidos de uma declaração atribuída pelo próprio centro, ate podemos os encontrar por aqui a fazerem pequenos negócios para o seu auto sustento.

Em conversa com alguns imigrantes ilegais nomeadamente Tas vai Detiof, Ketafi e Bash ambos de nacionalidade etíope foram unânimes nas suas afirmações quanto a sua fuga do centro, isto é, desde a falta de alimentos, documentação, conflitos internos e o tratamento desigual entre as diferentes nacionalidades que lá existem.

‘Em Maratane não têm comida suficiente, lutamos entre nacionalidades Etíope, Congolesa e Somaliana, olha este aqui tem uma cicatriz enorme na cabeça. Estamos a mais de cinco meses e não temos documentação, existe desigualdade. Quando os congoleses chegam logo tem documentos. Aqui somos mais de 300,o centro esta lotado e somos obrigados a permanecer aqui o dia todo e só de noite é que conseguimos sair. Não somos livres. Esperamos ir a Maputo e depois Nampula. Moçambique é bom sítio. Nós somos refugiados e em Maputo não tem centro, esta em Nampula. Estamos a espera que a migração encontre soluções para nós 57’.

Enquanto o passageiro 57 espera pela sua vez, onde e que param sindicatos do crime migratório?

De acordo com o Chefe da Migração na Zambézia existem sindicatos do crime imigratório compostos por transportadores assim como a existem de vários interesses por de trás disto onde cidadãos desonestos vão se aproveitando daqueles precisam.

‘São transportadores, alguns até licenciados inclusive organizados em sindicatos que os transportam em camiões. Temos exemplos de alguns transportadores que foram detidos, contudo as detenções não produziram matéria suficiente, mas nós sabemos que por de traz disto há um trabalho obscuro que estão a fazer, contudo esta a fazer se um trabalho profundo para que se descubram os mentores deste tipo de crimes’.

Este é um assunto que requer um estudo profundo porque isto deixa transparecer uma certa insegurança do Pais e muitos desses indivíduos quando chegam aqui já pensam em transcender para a África do sul onde ao chegarem dirão que passaram por Moçambique e então o Pais é visto com muitas fragilidades. Mas, é preciso observar realmente que essas pessoas precisam de alguma protecção, é preciso mecanismos para tal e penso que os estados, a comunidade internacional vão estudando e tem muito a dar sobre este assunto, disse Armando Cossa.

terça-feira, 22 de junho de 2010

ONDE É QUE PARAM OS SALÁRIOS NO MUNICIPIO DE QUELIMANE


Onde é que param os salários no Município de Quelimane?


Texto e fotos: Estacios Valoi
14-06-10
Mais de 700 trabalhadores da Assembleia Municipal da cidade de Quelimane não auferem seus salários e retroactivos desde o mes de Dezembro do ano transacto.

A falta de salários deu azo a uma crise entre a assembleia e o conselho municipal daquela urbe, onde o mensalmente o conselho municipal despende cerca de 2.5 biliões de meticais só em salários para cerca de 647 trabalhadores sem incluir os 39 membros da assembleia.

São 3 meses de divida de salários onde 71375 meticais são para os membros assembleia municipal enquanto que 20.000Mt, 39.000Mt e 10.000Mt cabem respectivamente aos membros vereadores.

Segundo fontes da assembleia municipal a falta de salários resume se na falta de interesse do presidente do município Pio Matos em solucionar esta questão, usando sempre a prorrogativa da falta de fundos nos cofres da instituição que dirige a três mandatos.

Segundo um dos vereadores do município, durante a preparação da 4º sessão da assembleia que teve lugar no dia 20 de Dezembro de 2009 a 2010, ‘o Senhor Presidente do Conselho Municipal solicitado pela comissão permanente desta assembleia para responder sobre a falta de pagamento de salário dos mêses de Dezembro de 2009, Abril e Maio de 2010, este prometeu que iria pagar o mesmo antes da realização desta, o que não veio acontecer, apenas pagou o mês de Novembro e saltou o mês de Dezembro, argumentando que não tinha fundos e até hoje continua a bater com o pé no chão que não tem fundos.

Em entrevista com o presidente da Assembleia municipal Afonso João subscreve tais afirmações e enfatiza referenciando a falta de retroactivos dos últimos 7 meses, isto desde Dezembro ate a esta fase e que também na altura Pio Matos disse que a falta de pagamentos prendia-se no facto da ausência de fundos na sua instituição.

Segundo um dos vereadores em termos analíticos as alegações de Pio Matos não passam de uma mentira o pronunciamento do presidente do Conselho Municipal, sobre a falta de fundos constitui uma mentira e mesmo na 4º sessão ordenada da assembleia municipal realizada no dia 23 de Dezembro de 2009 nós aprovamos taxas que sustentam que o seu aumento passaria necessariamente a regularização do pagamento do salário a tempo e horas, assim como outras despesas da assembleia. Então quando ele alegava que não tinha fundos para pagar os membros, nós ignoramos esta afirmação’.

O conselho municipal para além de cobrar taxas relacionadas ao imposto pessoal autárquico, a circulação na cidade, cobrança nas bancas fixas nos mercados, o imposto automóvel veículos, bicicletas que circulam na cidade de Quelimane, também tem como fonte para o seu funcionamento o orçamento do estado anualmente canalizado através do Ministério do Plano e Finanças.

‘ Além de que houve outras taxas provenientes do Ministério do Plano e finanças, o Conselho Municipal até aqui esta a dever os membros que fizeram parte do mandato passado, então isto significa que o problema vem desde 2007`.

Na última intervenção o Senhor Presidente dizia que não tinha fundos mas o que nós sabemos é que as finanças têm drenado um valor de compensação autárquico e hoje temos este tipo de problemas sem uma solução plausível e quando diz que não tem fundos, o que nós sabemos é que Conselho Municipal recebe um fundo de compensação autárquico’.

‘Quando diz que há falta de salários, tanto para os membros da assembleia municipal assim como para os trabalhadores, praticamente cria um mau relacionamento entre o Conselho e a Assembleia Municipal. Se não vejamos, em 2007 assembleia municipal não realizou nem se quer uma única sessão. A não realização desta sessão pensamos nós que pode ser uma sabotagem do presidente do Conselho Municipal porque ele vai ter que responder porque é que não paga os salários tendo em conta que esta mesma assembleia aprovou o orçamento de 2010, isto para além de que a própria assembleia municipal como está a ver precisa duma reabilitação e nós já aprovamos uma rubrica que contempla a sua reabilitação, assim como uma viatura para presidente da Assembleia Municipal, isto consta no plano do Conselho Municipal desde 2009, mas até hoje nem a viatura e muito menos a reabilitação das instalações da assembleia municipal `.

Quando sai do local, na altura faziam se as convocatórias para a realização da 5 sessão no dia 4 de Junho a qual mais tarde teve lugar mas que durante a sua realização os membros do Partido Renamo abandonaram a sala por falta de consenso relativamente a algumas questões incluindo o paradeiro dos fundos aprovados pela assembleia e outros.

´Não têm tinta no computador e quando requisitamos no dia 20 de Abril o Conselho Municipal disse que não tem dinheiro e agora vou para lá para saber se já temos essa tinta, dizia um dos funcionários

Nos últimos anos as receitas provenientes da cobrança de impostos também tem servido a instituição dirigida por Pio Matos para financiar actividades culturais como o Carnaval e que segundo Matos este ano foram retirados cerca de 400 mil meticais para tal propósito.
Ainda segundo o nosso interlocutor que solicitou anonimato, disse que por ano são realizadas cinco 5 sessões da assembleia municipal com o intuito de analisar o estágio do desenvolvimento desta autarquia.
´ Nem se quer uma sessão foi realizada mas tudo deve-se ao facto do Senhor Presidente estar sempre ausente do Conselho Municipal ou da cidade de Quelimane para fora do País sem justificação para a própria assembleia e concluímos que isto deve se a falta de vontade própria do edil municipal que não quer ver o município progredir.

‘Eu penso que isto não tem nenhum espaço porque não é o Senhor Presidente que pode avaliar o seu empenho mas sim o munícipe e não há nenhum que apareceu em público a elogiar o bom desenhinho ou trabalho dele. Se não vejamos que foram destruídas todas as estradas e a dias atrás houve um grupo de ciclistas que se manifestou em frente ao município e no seu manifesto até diziam que afinal de contas o Senhor Presidente do Conselho Municipal não paga os membros e os trabalhadores do Conselho Municipal. Pensa que com esta pequena taxa e que nos vai pagar, dar soluções para este tipo de problemas. Eu penso que as pessoas ou os munícipes não respeitam o presidente Pio Matos apenas o partido Frelimo que colocou Pio Matos. Então nesta perspectiva haverá um dia próprio que os munícipes vão ter que pedir contas ao partido Frelimo pela estadia do Senhor Presidente Pio Matos no Conselho Municipal’.

` São dois meses sem salário, Abril e Dezembro para os membros da assembleia e para os trabalhadores desta apenas o mes de Abril, derivado a faltar de tesouraria.
Em contacto via telefónica com o Presidente do Conselho municipal daquela urbe Pio Matos, relativamente as alegações que pesam sobre ele disse que existe dinheiro proveniente das taxas acrescidas, impostos para os salários e que quanto as estradas foram canalizados 8 milhões de dólares para a construção e reabilitação e que as empresas estão a mexer com elas contudo com alguma lentidão mas satisfeito porque as obras estão a decorrer, mas sem deixar de reconhecer os problemas salariais que enfermam o município. ´ Existem prioridades, não é o carro do presidente da assembleia, se eu tivesse dinheiro pagava lhe uma viatura´.
Mas as questões no Conselho Municipal assim como no município não se resumem apenas no pagamento de salários, segundo documentos na posse do jornal, também ilustram a disparidade no pagamento de salários onde alguns funcionários com nível de Bacharelato auferem cerca de 4.315 Mil Meticais como salário básico enquanto que os outros com apenas 4ª Classe são bonificados com 11.812 Mil Meticais.
`A Circular nº 01 27 de Maio de 2010, que rege os princípios e regras de organização e estruturação do sistema de carreiras e remunerações, esta tabela tem como referência no vencimento do secretário permanente. Decreto nº 54 _2009 de 8 de Setembro estabelece que o pagamento dos retroactivos referentes aos meses de Abril e Maio do corrente ano, resultantes do aumento salarial deverá ser assegurado na primeira quinzena do mês de Julho`.
Para alguns funcionários que pediram anonimato o Presidente vai tentando desembaraçar se dos antigos funcionários empregando seus amigos e ou familiares que vão auferindo somas elevadas sem que tenha um nível de escolaridade para tal.
Alguns funcionários que aqui trabalham sob contrato, não fazem parte do quadro da instituição mas ocupam cargos de chefia. Como e que isto é possível? Questionava um dos funcionários.
´Falo de Laura Calisto Malaune chefe da contabilidade da empresa Emusa e Maria de Jesus Perdiz Directora desta empresa criada por Pio Matos que para além de serem funcionários desta também trabalham para o município sob regime contratual e o mais agravante é que ocupam cargos de chefia. Temos a Senhora Perpetua Água Cheiro como chefe do património no Conselho Municipal o que é inadmissível porque não fazem parte dos quadros do Conselho ´.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Pio matos e as estradas de Quelimane


PIO MATOS CLAMA PELO ESTAGIO DAS ESTRADAS
Texto e foto:Estacios Valoi
21/04/10
Um olhar sobre Quelimane durante os três mandatos do actual presidente Pio Matos que segundo ele durante os seus 11 anos de poder autárquico tem a enaltecer alguns avanços alcançados pelos munícipes desta urbe, desde a compreensão, a responsabilização, o crescimento da consciência da população em contribuir e proteger a cidade que lhes pertence.
Que balanço dos três seus três Mandatos, isto sao, 11 anos como Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane?
Enaltecer os avanços que os munícipes tiveram, refiro me a compreensão, o contributo em sedimentar este poder autarquico e acredito que um pouco por todo o Pais, ‘e uma nova forma de governar a qual veio para ficar e penso que ainda nesta geração a municipalidade e as autarquias em Moçambique vão desenvolver ate alcançarmos os municípios de povoação, é um dado a constatar porque é a maneira do estado responsabilizar o cidadão a sua auto governação, auto gestão onde o munícipe começa a perceber se de que o bem público é sua pertença. Acredito que foi a maior conquista do poder autárquico em Moçambique. Foi o que pudi observar.
Que outros exemplos concretos podem espelhar estas afirmações?
A abertura de estradas. Quando a esta cidade viemos, apenas tinha 58 quilometros de estrada asfaltada e 25 de terra batida mas com a participação das comunidades conseguimos abrir novas com mais de 120 quilómetros e não houve indemnização, penso que este voluntarismo foi um grande marco de mudanca consciência. Contudo juntos fizemos outras coisas como a expacao da rede de distribuicao de água para todos os bairros da cidade e em paralelo levamos a energia para todas as ruas que abrimos.
O senhor presidente refere se a estas estrada que estão um caos, cheias de buracos, soltando poeira por todos os lados , um atentado a saude publica ?
As estadas precisam de ser mantidas para que se possa evitar essas grandes reabilitações, não se pode fechar em copas assim que este processo finda e assim como a entidade responsável, neste caso o município tem que ter recursos, uma equipe de manutenção. Muitos foram os anos em que não fizemos manutenção, reabilitação e esta questão não se resume apenas na manutenção mas sim na construção de estradas de raiz o que acarreta custos elevadíssimos que estao além das nossas capacidades, esta é que é a politica do mal menor manter com aquilo que temos, esta é a triste realidade.
Neste momento duas empresas de construção de estradas de nível técnico acima da media, a INCC, a Condoril que sao responsaveis pela reabilitacao de cinco estradas estradas asfaltadas porque a reabilitação das estradas peri- urbanas, as tais que nós abrimos continuam em com as obras no seu curso normal, ensaibrar novas estradas, construir novos aquedutos, o sistema de drenagem, pavimentação e os passeios, pontes e este trabalho continua a decorrer com a participação da comunidades mas se olharmos para as estradas asfaltadas e de lamentar porque não há capacidade técnica instalada para uma intervenção de grande vulto. Esperamos que ao longo dos próximos três, quatro meses as 5 estradas possam ser concluídas,
Com um orcamento de cerca de 8 milhões de dólares Americanos muito ainda a por fazer.
A cinco anos atras, isto durante a construcao destas estradas ou na primeira reabilitação o município não se lembrou de incluir a componente de manutenção no contrato com o empreiteiro e a que mal menor se refere?
Fica bastante difícil e oneroso entregarmos este trabalho de manutenção a empresas, a manutenção destas estradas municipais deveria continuar na posse do próprio município com a criação de uma pequena equipa de intervenção e manutenção, um sector de obras do próprio município. Temos o material aqui em Nicoadala. Não há dinheiro que pague as empresas.
Com a existência do tal material nas proximidades da cidade o que esta a falhar?
Penso que a politica da Administração Nacional de Estradas, é a politica, porque nos impõe contratação empresas, temos que pensar que para fazer esta manutenção torna se necessário entregar as estradas a comunidade, sempre foi assim e não podemos reverter a favor da rotura de um processo histórico de forma abrutada e sem solução para poder cobri-la. Portanto nós não temos alternativa e queremos que sejam as empresas que são bastante onerosas!
Temos tecnologia, técnicos, supervisores formados estamo-nos a equipar lentamente mas queremos ter esta parceria com o governo, esta autorização que diz que nós temos que ter um a equipe de manutenção própria para os municípios e a partir dai seremos autónomos nesta matéria de manutenção de estradas.
É daquelas, aqui em casa também se faz. Nesta cidade existem cerca de 7 cemitérios principais . Onde é que param as funerárias apetrechadas de todo material necessário para as exéquias?
Não temos agências funerárias com todo o requinte. Apenas existem duas mas que são de facto carpintarias que apenas produzem caixões, fazem embalssamento, tem alguma técnica mas não tem carros fúnebres e outros apetrechos, como flores e outros serviços.O nome de agência funerária ainda é um sonho.
A quem diga que alguns já tentaram transportar cadáveres da casa mortuária No ‘Xtova ‘ ou nas mãos ate ao cemitério. E para quando as funerarias de raiz_
Talvez tenha sido um caso esporádico. Penso que a solução não passa só pela aquisição do carro funerário. No mandato passado o município tinha uma viatura de caixa aberta que apoiava os mais vulneráveis a custo zero mas esta teve problemas mecânicos e por falta de recursos ainda não conseguimos fazer a reposição. Provavelmente convidar os empresários a abraçarem esta área.
Entre os munícipes existe muita solidariedade de uma forma geral sempre aparece um carro do vizinho, amigo, empresa, ou recursos para se alugar um carro. É verdade que há famílias baste carentes. É por isso que vamos buscar as taxas, os impostos para que os serviços sociais possam funcionar de forma directa ou indirecta mas ainda necessitamos da injecção do governo.
‘O munícipe vai contribuindo’’. Muitas bichas, recipientes ‘bidões’ a solta. As pessoas reclamam pelo preço ‘alto‘ estipulado para a aquisição da água. A que ponto o município se encontra?
E verdade que ainda há muito por fazer, todavia ainda estamos com muitas fontenárias em serviço e os projectos continuam em carteira. Provavelmente este ano vamos iniciar com a obra da construção de um centro distribuidor que se vai localizar em Sampe para aumentar a pressão na cidade, porque ja constatamos que depois desta expansão e que durante as horas de ponta há algumas zonas em que a água não chega com pressão necessária. Actualmente fala se de uma cobertura de cerca 70% e vamos melhorar, queremos que cada casa tenha agua a sair nas suas torneiras. É um dos desafios importantes porque achamos que a agua adquirida na fontenária é sempre mais cara que a da torneira em casa. Combater a pobreza levando este precioso líquido a casa de cada um.
Combater a pobreza a 1 metical o recipiente de agua nas fontenárias e com as pessoas contestarem ‘não temos dinheiro’?
O preço da agua é sempre discutível, no nosso País a agua ainda esta bastante barata, ‘e um dos países da região com o preço bastante reduzido. Por mes na agua gastam se 30 meticais,penso que vendendo uns cocos, camarão, carangueijo, as pessoas terao agua, é preciso que elas dêem importância a isto, foi o que senti nesta cidade, todos dão importância a agua, ganharam consciência,. Poupar na água e gastar nos medicamentos, isso já é grave e com esta atitude nós nos sentimos mais motivados para irmos alastrando a rede.
Apesar de a população estar ‘ consciencializada’ , não acha que existe alguma disparidade quanto ao direito a agua que todavia não faz parte da constituição moçambicana?
O direito as coisas é este. O governo tem por missão levar este produto a todos e nós hoje falamos da cólera. É função do governo tratar destas questões e levar a agua as comunidades mas que estas tem que pagar pelo custo do produto para o suporte da própria comunidade. É verdade que podemos não ter emprego mas este não é tudo, podemos muito bem recorrer a recursos da nossa riqueza, vamos produzir o arroz, 25 sacos, 5 para a venda e o remanescente para a nossa casa.
Combater esta pobreza, ciência versus ignorância. Como é que vê a questão do fenómeno anual dos revolucionários da cólera?
Penso que o governo não precisa de ir tratar da água somente quando há um surto de cólera, mas sempre. Se nos deslocamos para esses lugares somente quando surge um surto eminente de cólera obviamente que podemos ser conotados como os causadores desta doença e penso que não é estratégico irmos a comunidade tratar da água só quando prevemos que as condições climáticas apontam para ai.
Sendo homem da cultura e depois de o ter visto no carnaval num pé de dança também a esquivar se das bicicletas, motas e carros que circulavam entre a moldura humana que este ano se fez presente, alguns dos fundos para financiar o carnaval tem a sua proveniência nos cofres da contribuição dos munícipes, taxas, impostos. Esse valor monetário não teria tido outros destinos empreendimentos em prol do município?
Não é só de pão vive o homem, apesar dos problemas todos que temos na cidade também precisamos de alimentar o nosso espírito, estes aspectos que ligam de facto com a nossa alma que é a cultura, precisamos de espairecer, de reencontrar, conviver para ganharmos energias para irmos ao combate. Nestas festas o município participa e financia, é por isso que o município faz aquilo que a população gosta, e se esta quiser que nós tenhamos um carnaval forte assim será porque eles são merecedores.
Parece me que nos últimos anos o carnaval tem andado em decadência não?
Depende de quem olha, para mim o carnaval esta sempre a crescer, a evoluir e meço pela participação das pessoas e este ano custou nos cerca de 400 mil meticais.
Completa ausência de salas de espectáculos de raiz, para uma exposição de artes plásticas, fotografia. Sei que algumas salas de cinemas são 3 estão quase todas lacradas a mais de 20 anos. Que cenário cultural se espelha?
Não sei, mas o conselho municipal tem uma sala onde sempre realiza as exposições contudo os artistas não tem aparecido, fazem exposições no Hotel Chuabo, talvez as condições das salas que se pretendem nao sejam as melhores, quanto aos sítios para diversão existem, é verdade que para quem chega a cidade e quer estar aqui no centro talvez ter’a 1 ou 2 alternativas mas se formos as periferias temos muito pano para manga, aqui no centro vivem 30 mil habitantes e nas periferias 150 mil, Portanto é preciso sempre olhar e aconselho isto aos turistas que vem para aqui para que não fiquem muito agarrados ao centro mas que possam ver os 150 ou 180 mil habitantes, como é que eles convivem, a sua manifestação cultural. Acredito que Quelimane continua sendo uma rota preferida dos empresários de espectáculos.
Os cinemas. Que projectos para reactiva-los?
Penso também que tem a ver não só com o problema das infra-estruturas que já não oferecem condições, a dada altura o negócio do cinema entrou em crise, surgiram novas tecnologias, parabólicas, televisão, isto, acabou com os cinemas, tiveram de novo um revés, e sendo propriedades privadas provavelmente não estao ao alcance de uma visão certa. O governo terá que intervir, fazer o seu papel para salvar estes monumentos culturais, servirem o objectivo real para o qual foram construídos.
Intervenção do governo! Refere se a mesma intervenção que se fez na casa da cultura da Zambézia onde no próprio dia do espectáculo, este é foi adiado para a realização de mais uma sessão da assembleia provincial, isto para não dizer que esta tomou de assalto a casa da cultura que virou casa da política?
É violento, acredito que não foi o caminho mais acertado. A criação das assembleias províncias vinha sendo preparada a ja bastante tempo , não caiu de pára-quedas, ‘e um assunto que de facto esta na agenda da acção do governo, surge e efectivamente não há infra- estruturas para acomoda-las! Ate certo ponto é uma aberração entre aspas, peco desculpas para aqueles que possam não compreender este meu desabafo, mas que acreditem que a sua presença naquele espaço cultural deve ter os dias contados porque eles estão fora dos’ carris ‘é como um peixe fora da agua, a assembleia provincial terá que encontrar o seu espaço para mim não significa alugar uma sala mas uma construcao de raiz, ajudar a fazer crescer Quelimane. Esta é a visão que acho que os dirigentes em frente da assembleia deveriam ter.
Onze anos ainda aqui, qual é o seu projecto pessoal mais almejado?
Melhorar as condições de vida destas pessoas, sou mandatário, elas confiam em mim e acreditam que o projecto apresentado pelo município os satisfaz, é esse com qual me bato porque acredito que é este que resolve os problemas dos munícipes e o meu slogan é: se estamos aqui é porque cumprimos.
Não se trata de nenhuma retórica ou utopia pois não?
É uma evidência, não nos ocultamos, tivemos, fomos desafiados por outros programas mas os munícipes escolheram este que é o programa que tem resolvido os seus problemas. Ate ao próximo carnaval na espernca de nao encontrar o Presidente a esquivar, carros, motas e bicicletas.
(Risos) É verdade que no primeiro dia do caranaval houve algum erro quanto a a localização das placas proibitivas, onde tudo se misturava, mas isso foi colmatado no segundo dia, num carnaval de 7 dias, conseguiu se reparar.

Amanda Tifanni -Cape Town International Jazz Festival 2010


Amanda Tiffane on th e11th Cape town international Jazz Festival

Estacios Valoi

Who is Amanda Tiffin?
I am a musician: Singer, pianist, composer, arranger and teacher.
How was your childhood?
I grew up in Bulawayo, Zimbabwe. It was a fairly sheltered childhood growing up in a small city. I think I grew up more slowly than most kids of today, because we did not have internet, cellphones, Satellite TV. I played outside a lot, read a lot of books. Most kids now seem to spend time in front of the computer, or cellphone, or in the shopping mall. I spent a lot of time on my friend's farm, running around, riding horses, helping with chores etc.
When was the first time you dreamed about to became a musician?
I started learning piano at age 8. Around age 9 or 10 I used to watch the TV show Fame, and dream of being like those people - singing and dancing and playing music all day!
What is you philosophy of life ?
I believe in the connectedness of all human beings, and the existence of a larger purpose. I believe in the power of now, and in the power of joy and positivity. Life is such a gift, and humans have such a capacity for joy, if we only learn how to tap into it.
In terms of cultural development how do you see the African continent? are we loosing our heritage?
I think that in the large cities in Africa, we are losing our heritage slowly. Languages are changing, and becoming mixed with other languages. Modern culture is changing old culture, and old ways are lost. The way that we live in cities is so different from traditional ways, and I think that it is sad that many of the old values and ways of African life are not preserved and honored anymore. However, I know there are many people who are working hard to preserve the traditions and language of the many African cultures.

Be in this major festival for the first time. What is you expectation ?
This is the first time I am performing on the Cape Town International Jazz Festival. I am very honored and excited about performing (and a little bit nervous!) I am hoping that we will have a large audience, and that I will play for many people who have never heard of me, or my music before, and thereby introduce and my music myself to some new people.
With current unstable situation in your country how can you help you people through you music?
I think every country has issues and problems that people face every day. Some countries more than others. I think music has the ability to reach people emotionally, to make them feel good. Music has an amazing way of helping people to relax, and release tension. I hope that my music will touch people, make them think a little bit about a few things, and mostly just enjoy themselves and forget about their problems for a few hours.
What kind of music do you play and how does life inspire you?
I play jazz music, that is influenced by African rhythms and melodies, and European and American harmony. I am inspired by things that happen in daily life. I am inspired by the stories of ordinary people, by the great beauty of nature and especially the beauty of South Africa and Zimbabwe.
Who will be part of you band for the festival? and why these musicians?
My band members are Shaun Johannes on bass, and Heinrich Goosen on drums. Shaun is one of the best bass players in Cape Town, and he has been playing in my band for 7 years (he was only 19 the first time he played with me).
Heinrich is a fantastic drummer - he is one of the few drummers in Cape Town who is able to combine African rhythms with open-style jazz drumming. We will also play some more "straight ahead" jazz style songs, and he is really great with that style as well. Heinrich has been playing with me for about 3 years.
What comes on you mind when you are on the stage?
So many things! Mostly, what's coming next in the tune, how to find the best expression of the song. But also things like - who is in the audience, how are they responding to us.
What is you main focus within society in order to improve other people its living condition?
I have two projects that I am working on in society. One is a fund-raising project for People with Disabilities. I do a big concert every year to help raise money for a rehabilitation Centre for People with Physical Disabilities.
The other project is community jazz education. I like to assist with music workshops for School children.
Do you have what you consider your best album and why?
Not yet... I am proud of the 3 albums I have recorded, but I think the best is still to come. Hopefully this year!
What most do you fear in this world?
I fear being unable to make or hear music.
How do you see the first ever world cup football be held in the continent?
I think its a wonderful opportunity for us to show off our beautiful continent. It is also a great thing that there is so much improvement on roads, facilities that we will benefit South Africans long after the World Cup is over.
Many African government have thy motto ' reduce poverty ' do you think that they are doing enough or are seeking more deep into corruption living stile?
I do not think most African governments do nearly enough to reduce poverty. It is really sad that when politicians are elected, they are too busy filling their own pockets, and living comfortably, to get down to working towards helping the poor, and improving their standards of living/
I think corruption in Africa is very deep, and it will destroy us all if it is not stopped.
Do you think that education is the main key to boots the continent and what are you reading?
I think education is essential and key to improving life for people. It is essential to help people learn to create work for themselves, and to be able to live sustainable and productive lives.
I am reading a novel by J.M.G Le Clezio, called Desert. it is about a tribe of people living in the North African Desert in the early 20th century.
For you , who could you consider best writes and musicians? Why?
There are so many amazing writers and musicians, too many to think of! I love music from many different genres and countries. Jazz, old and new, world music, folk music, classical music....
Do you have tough about coming and perform in Mozambique?
I would love to come to perform in Mozambique, it is place I've always wanted to visit. I have many friends from Mozambique, so maybe I will get a chance some day!

Regards

quinta-feira, 25 de março de 2010

Colombia



‘Uma viagem pela ‘Colômbia’

Texto e fotos por: Estacios Valoi

10/06/10

Pensei um dia em terras ainda desconhecidas que fazem parte deste vasto Pais.
Apenas embarquei num daqueles camiões cavalos a 26 rodas rumo a foz do Rio Ligonho lá para os fundos da província da Zambézia.

Ao longo das estradas de alcatroadas e de terra batida algumas esquecidas pelo tempo pareciam o sítio onde Cristo ou Judas perdeu as botas, um lugar de olhares profundos estampados no rosto daquelas pessoas que deixavam transparecer, muita sede, obrigadas a embrulharem se num único furo de água para cerca de mil a duas mil pessoas, a fome rasgava suas peles em culturas inexistentes ou apodrecidas em canteiros por falta de escoamento.

O destino todavia continuava distante mas o corpo já fatigado deixava transparecer veias vincadas de tantos solavancos, charcos, terra escorregadia que a estrada ia nos proporcionando ao longo do percurso em direcção do sítio almejado. Afinal tratava se de uma expedição quase que sem fim.

Apesar de mais tarde ter entrada numa viatura de marca Land Cruiser de cor branca que dias antes teve o seu vidro de traz quebrado pelos revolucionários da cólera, aquele quando passava por um dos distritos da Zambézia, refiro me a aquele fenómeno anual em que os homens da cruz vermelha na tentativa de socorrerem as vitimas tornam se vitimas.

De tanto andar por fim chegamos a foz do rio Ligonha, estafados, a primeira foi um mergulho naquela água corrente incolor, contudo de cor acastanha que ao olho nu deixava a sensação de estar carregado com o vibrião da cólera e outras coisas mais nocivas a saúde pública.

De tantos cansados de sonhar e de esperara de uma fonte de água potável para o seu consumo, vão consumindo freneticamente o liquido em causa.
Mas eis que me surpreendo com o vaivém das motorizadas, bicicletas dos peneireiros do ouro que vão cruzando o rio a outra margem do rio onde se encontra o sítio chamado de Colômbia.

Exclamado perguntei de que se tratava, mas antes pensará quer pudesse encontrar os discípulos do Escobar ou outros druidas quiçá um cocktail de cocaína, êxtase, brown sugar e outras substâncias alucinantes ou depressoras.

Eis que vou entrando na dita Colômbia, um corredor de barracas carregada de produtos comestíveis, álcool mas que durante o dia ou noite viram dormitórios para os caçadores da fortuna. Sitio onde impera a lei do mais forte, há um pouco de tudo, bens de primeira necessidade ate as prostitutas que hoje pernoitam aqui e outro dia acolá, depende do que maior quinhão de ouro tirar.

Enquanto uns vão cavando mais e mais fundo, outros vão metendo se em túneis que só eles sabem onde vão parar, para não dizer que alguns vão sendo presos pela própria terra que vai desabando naquelas terras duras que a velocidade da agua do rio Ligonha que roendo as partes laterais dos túneis tornando os o lugar de morte certa.
O numero de mortes que se vai registando não impede ou assusta aos peneireiros que tos os dias cruzam o rio em canoas feitas a partir da casca de uma arvore denominada ‘ Moroto’.

Em algumas conversas fui constatando que algumas das pessoas que ali se encontram, tem como proveniência a os arredores da cidade de Quelimane assim como de outros destinos longínquos que na procura da sorte decidiram cruzar vários caminhos ate a Colômbia, uma estadia de uma semana ou mes mas que por fim permaneceram por alguns anos.

O Fernando Botão dizia ‘ali morreu, não faz mal, a vida continua. Estas a ver aquele buraco, no ano passado ali morreram dois gajos, aquele buraco vai dar ao rio, agua essa que ‘e utilizada para lavar o pó ate ao conseguir ouro’.

Primeiro cavamos, tiramos blocos de pedra, peneiramos, pilamo-las ate que se transformem em pó e depois lavamos no rio’.

Eu já encontrei muito ouro ate comprei duas motas, aquele meu amigo comprou um a bicicleta mas esta a espera ate encontra boa quantidade para comprar uma motorizada que custa entre 15 a 18 mil meticais. Motos que vem de alguns paises asiáticos, creio que da China.

São peneireiros em número considerável que possuem essas motas. Por alguns instantes lembrei me da Cidade de Quelimane, a avalanche das bicicletas que por lã circulam.

‘Eu vou comprar, não importa, posso esperar muito tempo. No ano passado consegui um bom ouro mas gastei o dinheiro todo.

A medida que ia me aproximando barracas adentro, pelo ar cruzam se sons soltos pelos rádios que iam tocando pela esquerda ou direita, roupas a venda, uma cidade de capim e blocos feitos de blocos locais de paredes lisadas a lama, ora por dentro assim como por fora.

Mas a alegria era patente no rosto daquelas pessoas, ora acompanhadas de muito álcool a moda nova, de 'Tentação ate a outra que segundo os habitantes do ouro chamam-na de 'Boina Vermelha, dei uma tragada, um veneno autêntico.

Dia e noite, a procura é constante, dormem, acordam e sonham com o ouro, ou deitam suas lágrimas em garrafas transparentes que mais parecem um rastilho de pólvora.
A vida continua naquele mundo distante, a quem diga longe da civilização, mas para os penereiros aquela ‘e a sua zona, Colômbia.

Chiwonisso


Chiwonisso actua em Maputo
Texto: Estacios Valoi
Foto: Cortesia Chiwonisso
31/03/10

A cantor Zimbabueana Chiwonisso Maraire actua pela primeira vez amanha Quinta-feira 1 de Abril as 19h30 no Cinema Gil Vicente na Capital Moçambicana Maputo.
Nesta sua actuação a cantora Zimbabueana faz se ao palco na companhia do musico Max Wild e outros músicos que vão compor a banda para esta ocasião.

Não menos conhecida no seio de algum publico moçambicano assim como a nível internacional, Chiwonisso vem percorrendo o mundo musical faz tempo que só a história pode contar. São vários os músicos com quem teve a oportunidade de estar.

Nascida em Olímpia-Washingtn nos Estados Unidos da América onde seu pai um etnomusicologo trabalhava leccionando Marimba e Mbira, ambos pai e mãe reconhecidos como pessoas de palco com os quais grava o seu primeiro álbum intitulado ‘Tichazomuonay’.Maiso tarde retorna ao Zimbabwe onde ingressa na Universidades de musica onde na companhia de outros músicos a semelhança do moçambicano Luka Mukhavele partilharam a mesma sala. Mas a menina não permaneceu naquele estabelecimento de ensino superior por mais de ano e meio tendo partido para outras paragens a busca de espaço para libertar o que trazia no seu interior, a Musica, mas também a procura de outros amores onde toca e contrai matrimónio com Musico Endy Brown que na junção dos ‘The storm’ embarcam no álbum ‘Native Voices' com o qual arrecadou o premio da UNESCO com melhor vocalista feminina africana, categoria de Cora.

Participou em filmes, produziu bandas sonaras, cantando em Inglês e Shona traz ao mercado o seu segundo álbum a solo intitulado ‘Timeless’.actualmente faz parte do agrupamento ‘ATOM’com o qual gravou o album’Hepenyn Kumusha. A cantora encontra se a trabalhar no seu 3 álbum a solo.

Depois de uma longa conversa com a cantora aqui trago o estrato alinhado do dia.

EV - Quem é a Chiwonisso?

C - é o café do livro, na quinta avenida em Harare no Zimbabwe


EV - De que peripécias a tua infância é marcada?

C - É Toda carregada de dança e muita música. Os meus pais eram músicos, intelectuais e artistas que exibiam as suas obras assim como a maioria dos seus amigos em volta deles. Na nossa casa tinhamos uma colecção considerável de musica assim como de livros oferecidos…era uma casa cheia de muito barulho com cinco crianças que cresceram juntas

EV – Carreira musical um sonho de infância?

C - Penso que sempre fui uma cantora, artista. As lendas vem desde da fase em que a minha mãe foi agraciada com a minha nascença, o meu pai e os seus irmãos ficaram fora do quarto a tocar, cantar bateria batuques tradicionais e a cantarem. Este foi o primeiro som que me veio aos ouvidos. Com cerca de quatro anos já tocava Mbira, e anos mais tarde a Marimba. A música sempre esteve a minha espera, com 16 anos estava a viajar o mundo actuando. A musica e que me escolheu.

EV- Qual é o teu modo de vida?

C - Viver o dia-a-dia com forca humildade com a graça de deus. Estar agradecida pela sua dádiva, ser sincera e real com tudo aquilo em que acreditamos, libertar a sua mente para novas aprendizagens, respeitar os que te rodeiam, amar a tua família, teus amigos e estar apaixonado pelo seu trabalho.

EV - Relativamente ao desenvolvimento cultural como que olhos vês o continente africano? Estamos a perder a nossa cultura?

C - Não acredito que o continente africano esteja a perder a sua cultura, acredito que as nossas culturas tradicionais são envolventes o que é natural. Existem pessoas como o meu pai que era um musicologo, que durante a sua vida toda tentaram preservar o legado dos anciãos, os sons anciãos. Acredito que o mundo em que vivemos anda preocupado, a África é um continente poderoso na manutenção muitas das nossas práticas culturais apesar das influências ocidentais com as quais o mundo tem que lidar.

EV- Pela primeira vez que vais actuar em Maputo. Que expectativa?

C - Adoro Moçambique. Espero um espectáculo apaixonante.

EV relativamente a presente situação de instabilidade no teu pai Zimbabwe como é que tens apoiado as pessoas através da música?

C -A minha musica é na sua maioria sobre questões sociais, a experiencia das pessoas no seu dia-a-dia. Também canto sobre o nosso elo espiritual, a nossa existência como pessoas, as nossas preocupações. Com a minha música tento estimular a vida das pessoas, lembra-las pessoas que somos um todo mas diferentes na reflexão divina. 'Cada homem é uma raça' já escrevia o Mia

EV- Que estilo de música realmente toca e como é que a vida te inspira?

C - A Mbira é o meu principal instrumento e em resultado disto, a maioria das minhas composições musicais vem estruturada com base na Mbira. Toco um tipo de Mbira denominado Nyunganyunga, originaria de Moçambique. As minhas influências musicais tem a raiz numa vasta gama de outros ritmos musicais, de uma coleccao de discos considerável do meu pai com os quais cresci aprendendo a ouvir a música. Quando actuo com a minha banda pessoal mergulho no Funk, Reggae, Soul. Também com a Mbira toco profundamente a música tradicional isto para alem do amor que tenho pelo Jazz e esta colaboração que terei com Max Wild em Moçambique reflecte a expressão do da costela Jazista que tenho em mim. Tudo que faz parte da vida me inspira, o bom, o mau. Altos e baixos da vida.

EV – Quem são os músicos que estarão contigo em palco na noite do concerto no Cinema Gil Vicente e porque?

C - A banda será composta de músicos que trabalham com Max Wild e outros que trabalham comigo. A escolha recai na versatilidade e na vasta capacidade de criatividade destes músicos.

EV – Quando estas no palco em que pensas?

C -Quando estou no palco transformo me no que canto, pessoalmente emerjo na musica. Quando estou em palco, na maioria das vezes encontro me num voo e espaço diferente, ‘desligo a ficha”. Muita das após o concerto as pessoas vem para conversar comigo e sempre peco as para que esperem ate que eu ponho os pés de volta a terra, que volte a encontrar me deste lado com a Chiwonisso.

EV – Dentro da sociedade qual é o teu principal alvo de forma a contribuíres para a melhoria da vida das pessoas?

C- Esta é uma longa questão! Penso que tudo se resume na compaixão e no respeito mutuo…
What is your main focus within society in order to improve other peoples’ living conditions?
That's a large question! But I think, really, that it all comes down to respect and compassion...

EV- Do teu leque de álbuns gravados qual seria o melhor de todos?
C - Nunca comparei os meus álbuns, cada álbum versa uma história diferente.

EV- Nesta aldeia global o que mais te assusta?

C - O alastramento do aquecimento global. A vida do terrorismo a proliferação da descriminação racial.

EV – a Copa mundial de futebol aqui no vizinho. Que te oferece dizer?

C - Estou profundamente orgulhosa! Finalmente!!! Sou uma fá incondicional do Futebol.

EV – será educação a principal chave para o desenvolvimento do continente e de que livro estas a ‘beber”?

C - Logicamente que sediação é principal chave. Mas torna-se necessário que as nossas escolas africanas ensinem mais as crianças sobre o próprio continente africano assim como sobre as culturas que este carrega. Muitos dos livros proliferam pelas escolas africanas não foram escritos por africanos, assim como acredito que a África deveria ter um passaporte e moeda única.
Neste momento estou a ler um livro intitulado ‘Mama’ do escritor Terry MacMillan, o mesmo que escreveu ‘ Waiting to Exhale” ‘Mama é uma historia sobre uma mãe solteira na América Negra que cria os seus cinco filhos sozinha.

EV – Quais são seus melhores escritores ou músicos de eleição?

C- Todos os que criam. É algo magico. Alguns dos meus artistas favoritos são o Salif Keita, Baba Maal, Manu Dibango, Angelique Kijo, Simphiwe Dana, Thandiswa, Thomas Mapfumo, Oliver MTUKUZI…é uma lista infindável. Também gosto da musica do Max Wild e Josh Meck. Quanto aos escritores …Chirikure Chirikure, Shimer Chinodya, Dambuzo Marechera, Tsitsi Dangarembgwa.. São todos africanos em sintonia com a sua alma interior.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Famigerado Carnaval de Quelimane



De Carnaval só ficou Naval
O tão famigerado Carnaval de Quelimane.
Estacios Valoi
20/01/10
Conforme enfatizou o secretario Geral do Partido Frelimo Filipe Paunde na entrevista feita para o nosso jornal Filipe, cargo de direcção e/ou chefia ‘exigem confiança politica’.
No meu périplo pela cidade de Quelimane para ouvir falar do tão falado carnaval do ‘pequeno Brasil não foi mais do que a pé na possa.
A 16 km de Maputo todos os anos no mês de Fevereiro realiza se o carnaval nesta cidade, por sinal um dos símbolos pela qual é bem conhecida, contudo nos últimos anos a aderência ao evento não é das melhores, tendo como um dos problemas graves a ausência participativa de varias empresas de forma a dar mais ‘gás ‘ a esta festa de longa data e com muitas historias por contar.
Como dizia Sérgio, completamente perplexo com o rumo dos acontecimentos, com perguntas e respostas que só os outros saberão responder
‘Mas que carnaval se vai dançar se é que ainda existe por estas bandas e como dizia o meu interlocutor não sabia se era a amizade que mina o desenvolvimento do Pais, ou não se saber separar as coisas. A título de exemplo questionava sobre o que o musico Mc Roger estava a fazer f na tomada de posse do Presidente Guebuza, mais ainda actuar perante aqueles chefes de estado, delegações que se fizeram presentes no acto da investidura. Tem músicos como o Alexandre Mazuze, a Mingas e outros que cantam algo de raiz, com aquele toque tradicional moçambicano. Aquilo foi brincadeira de mau gosto’.
‘Uma coisa é você fazer algo com conhecimento de causa e a outra é ter um amigo engenheiro de Construção civil que te convida a fazer parte da construção de uma ponte quando você não entende nada da matéria e a ponte cai! É o que esta a acontecer aqui nesta merda de Quelimane’.
De tanto ouvir o Sérgio, a minha curiosidade foi se agudizando, afinal de contas trata se de um de uma festa que em tempos longínquos Quelimane era famosa por ter o melhor carnaval, mas carnaval mais enraizado onde outrora considerou se de pequeno Brasil por ser multicultural e este já é parte da tradição local. Contudo os últimos carnavais como o do ano [passado que registou total ausência relativamente a participação das empresas’ patrocínio foi completa tendo o Município local sido forcado a desembolsar dos seus cofres cerca de 400.000mt, receitas provenientes das colectas nos, mercados.
‘São problemas de vária ordem que vem minando daquilo que era considerado de Carnaval porque actualmente as pessoas confundem tudo, criatividade não é fazer coisas só porque se tem dinheiro, os meus pais e mantém a sua tradição, mesmo que procure o luxo e conforto, isto, não significa que devo ‘atropelar’ as raízes culturais dos meus progenitores, pelo contrário tenho que a preservar ‘.
Segundo Sergio os outros Carnavais de Quelimane elogiados não só a nível nacional foram realizados ali na praça mas elogiados porque estavam carregados de cultura, entretenimento e hoje esta se a entrar na época do Carnaval e não há quase nada. Em anos anteriores nesta fase estavam todos a ensaiar.
‘Perguntaste a alguma criança quando é que será o carnaval. ‘hoje ‘só participam crianças entre 0s 16 e 20 anos, numa festa que é para todas as idades e anteriormente encontravas pessoas dos 20, 35 anos em diante a desfilarem, boas bandas como o dançarino Ratan que abrilhantava a festa e o falecido musico David e tinha s musica ao vivo ate as 4 ou 5 horas do dia seguinte, verdadeiro ‘Samba’, batuques saias feitas de latas, de folhas de bananeira, blusas chapéus para a ocasião’.
A famosa cozinha da galinha a Zambeziana, palmeiras, jardins os abacaxis gigantes nesta província populosa no seu interior como no litoral de línguas tradicionais como o Chwabo, Makwas, lomwe, de cultura miscigenada crioula a comida típica a óleo de palma de riqueza cultural espectacular hoje o carnaval parece mais abrasileirado, o mais agravante se é que ainda se pode chamar de carnaval. Melhor naval que não caio em erro pelo menos fico entre o 'car e o naval'
‘Hoje só tens playback e quando me recordo daquela época é tanta a tristeza que me pesa. Vai ver este carnaval e dirás que é uma palhaçada, tirar dinheiro de um lado para investir numa tristeza’.
Era Musica ao vivo ate as 4 ou 5 horas do dia seguinte ‘samba’ de verdade e não musicas a moda Playback como se faz actualmente. Hoje o carnaval virou uma espécie de ‘ zona quente’ prostituição a torto e direito’. Escolhes a prostituta que bem te quiseres. Tudo bem estamos num sítio de laser mas vamos conservar aquilo que é nosso ‘.
‘Desde que nasci aqui em Quelimane participei em todos os carnavais, no pavilhão do Benfica um completamente natural, ao largo dos CFM cheio de barracas e actualmente só vou ao carnaval porque os meus amigos estão lá, sento me com a minha mulher na barraca a beber e comer’ .‘Os carros alegóricos feitos de madeira as mascaram, os grupos da cidade como o Carlos S, a Coquinha, a festa no pavilhão Benfica, a mucapata e a galinha cafreal o som de samba e vestimentas especiais já era. Já nem se sabe quem é a rainha de que escola de samba vem, qual foi a vencedora do ano passado é só sentar comer e beber’.
Em 2009 o Edil do Município Pio Matos numa entrevista reconhecia que nas primeiras semanas do festival nas primeiras o som não era dos melhores. Ano este em que a empresa de telefonia móvel mCel deixou de patrocinar o evento.
‘Quelimane sem carnaval não é Quelimane a semelhança do que esta a acontecer com a Casa da Cultura, ‘passar a ser Assembleia Municipal ‘! Há faço parte da geração Bis, fizemos um projecto com o Dr. Baizamo e solicitamos um espaço para as nossas actividades onde jovens dos vários bairros se reuniam e debatiam varais questões de entre elas a problemática do HIV/Sida, o espaço foi tomado pelos camaradas e não quero citar nomes, passou a ser deles porá. Hoje Comité do partido. E diziam eles mas que é isso de Geração Bis ! isto é do partido. É muito triste’

Luka Mukhavele



em concerto no tradicional CCFM
‘ Foi sempre meu sonho de infância ser musico’
Estacios Valoi
13/01/10
Das terras do Chilembene sua terra natal Mukhavele ou o ‘Muguijana’ nome que se as pessoas provenientes daquela zona do sul de Moçambique, digamos quem chega a província de Gaza-Macia em direcção a Cidade de Xai-Xai desvia a esquerda e dali em diante esta em solo Guija.
Na altura pensei em assobiar, para ver se ia aos tempos da pastagem do gado, mas bom não ter feito porque nem tudo faz parte da pastorícia.
EV - Como é que foi para ti começar a tocar música tradicional e o teu primeiro instrumento?
LM - De facto os diferentes instrumentos estão ligados a diferentes contextos não só a pastorícia, existem instrumentos ligados a cerimónias religiosas, rituais. Mas o primeiro instrumento que toquei, muitos destes aprendi na infância mesmo que não tivesse o contacto directo com alguns mas já os consumia teoricamente.
Alguns tocava na pratica porque estavam sempre em meu redor e de quando em vez mexia e via qual era a técnica, foi mesmo na infância contudo não sei com que idade mas sempre gostei e andei próximo dele, isto é, onde houvesse um evento musical fazia me presente e absorvia a musica.
Ev- Quando é que começa a expor esta música em palco para o público?
LM -As primeiras vezes que fui ao palco, foi no internato onde vivia no Distrito de Namaacha onde cheguei em 1980 e por volta de 1982 no centro existia um grupo de musica residente que tinha o seu próprio equipamento e regularmente actuava naquele palco ate que um dia pedi para tocar, deixaram me subir e pela primeira vez toquei guitarra eléctrica.
Normalmente em casa tocávamos aquelas violas feita de lata de azeite ou outra coisa, foi com estas que comecei, mais tarde transpus o meu reportório para a guitarra acústica para além do piano acústico que também existia no centro. Mas antes disso fui exposto a musica porque o meu irmão mais velho era seminarista e organista na igreja Católica de Chilembene, tocava, aprendia música e nos fins-de-semana voltava a casa com guitarras, incluindo aquela música na comunidade em particular depois da independência de Moçambique naquelas actividades culturais dos tempos de Samora Machel que a presença era mais ou menos obrigatória ‘convocatória’ onde convergiam grupos musicais da zona e não só onde praticavam diversas danças e cantos para o povo. Aqui aprendi muita coisa.
EV- Musica tradicional. Foi sempre um sonho teu te tornares musico principalmente neste vertente?
LM -Sim sempre foi. Porque sempre que me lembro, desde a minha infância pensei que esta seria a minha profissão, houve tempos em que este sonho parecia estar nublado porque os caminhos são sempre imprevisíveis mas o sonho não morreu. Quando pensei que devia formar me como musico a minha primeira foi como professor de línguas - Inglês, trabalhei nesta área e a seguir em outras como a electricidade mas sempre a fazer música. Naqueles tempos não havia muita opção para fazer musica, a falta de escolas para além da Escola Nacional de Musica. Passei por lá em 1985 onde aprendi a teoria de musica mas nessa altura estava a fazer a formação de professores e nos tempos livres ia a musica ate que chegou uma altura em que não deu para continuar, foi a segunda vez em que fui formalmente exposto a musica de maneira cientifica para alem do Internato de Namaacha onde também aprendi a um pouco sobre a teoria de musica e noções da leitura.
EV- Esta incursão pelo mundo da música, a tradicional apesar da avalanche Samoriana em termos de convocatórias. Acreditaste que havia continuidade ate te formares e prestes a finalizares o mestrado em musicologia?
LM- Foi sempre um sonho e quando a gente sonha o sonho vem. Os outros dizem que o sonho vem dos espíritos que nos vão guiando através do sonho. O que posso dizer é que foi uma chamada, senti um apelo pela música que não consegui resistir apesar de todos os obstáculos que fui encontrando pelo caminho mas o magnetismo foi sempre forte e acabei voltando a música, não sabia se isto iria se materializar mas sonhava que isto se materializasse. Há sonhos que fracassam e outros que vivem.
EV- Actualmente como é que vê a música tradicional em Moçambique?
LM -A musica tradicional é muito rica apenas precisa de ser trabalhada em todas as vertentes possíveis, principalmente na cientifica e artística mas é preciso pesquisar, ir buscar e analisar as coisas separadamente e voltar a uni-las. Naturalmente alguns aspectos da música que vão sobrando devido ao processo de evolução mas actualmente para esta se enquadrar na sociedade e funcionar há algumas coisas que ela tem que deixar atrás que não se enquadram porque a musica sempre foi funcional e continua sendo parte de diversas actividades.
É como as coisas que se fazem, sem música não era possível organizar um ritual, a música também é um ritual é parte integrante do ritual não é só para acompanhar. Não era ‘só entretenimento mesmo que as pessoas depois tocasse e dançassem dentro daquele ritual. É a função da música porque sem ela aquele ritual não iria acontecer e ate hoje nós continuamos a constatar isto mesmo em cerimónias religiosas a exemplo dos ‘Maziones’, na igreja Católica aqui ou no ocidente e que sem música não existiria apesar de constatarmos a oração que é cantada mas sem aquela música, canção aquelas pessoas não rezam. É nesta perspectiva que vejo a música.
EV- Olhando para esta perspectiva, o investimento na musica principalmente a tradicional pareci me insignificante?
LM- De facto há pouco investimento. Penso que tem mais a ver com aspectos de índole políticos, o que deve ou não ser feito. Essas pessoas desenham as suas estratégias de acordo com os seus objectivos, creio que é um erro grave por parte dos fazedores da politica porque a musica tradicional é aquela que mais nos alimenta, que nos da forca, que garante a continuidade ligando o passado presente e o futuro. Musica é um meio de comunicação de educação, de ensino mais ainda um elo de ligação na vida dos homens. As pessoas começam a importar muita música ignorando a autóctone, e começamos a perder muitos valores.
EV-Alunos na música tradicional. Como é que estamos?
LM - Há muitos que aprecem interessados em aprender, talvez não esteja disponível para leccionar as pessoas de forma individual porque penso que é muito tempo para ensinar uma única pessoa. Actualmente estou a trabalhar com a Universidade Eduardo Mondlane e com outro grupo com cerca de 50 alunos e é gratificante ver que aquela informação é consumida por um grupo maior e espaço para que esta tenha continuidade. Os outros vêm a minha oficina aprender a construir instrumentos tradicionais.
Prestes a realizar um concerto que expectativa para o publico?
LM - O concerto vai ser realizado no dia 19 de Fevereiro no centro Cultural Franco Moçambicano e terei os meus acompanhantes afinal de contas quem é que vai a batalha sozinho! De princípio conto com o Filipinho no baixo, Zito, Leonelio na bateria, Pedro Justino da companhia na precursão, Hélio na guitarra, Carolina, Dulce e talvez a Noémia no coro e com Eugénio Santana também da faculdade de musica da UEM no xilofone.
Quanto ao público tem que esperar algo inédito, uma nova experiencia, nova proposta para os artistas, forma de pensar e de organizar a música e para os políticos uma proposta diferente de olhar para a realidade, de digerir a nossa sociedade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

CASA DA CULTURA ZAMBEZIA QUELIMANE


Era uma vez a casa da cultura da Zambézia
Estacios Valoi
27/01/10
Gualino Da Silva Grimone é dançarino de raiz e o actual ‘timoneiro’ da Casa da Cultura da Cidade de Quelimane -Zambézia
Vindo das terras de Milange, onde há muitos anos aprendeu a dançar, aterrou no dia 15 de Janeiro do ano 2000 na Casa da Cultura da Zambézia - levado pela única razão que vem carregando durante todos estes anos: dançar.
Elemento da Companhia Provincial Montes Namule virada para a dança tradicional, o jovem esteve envolvido em algumas formações na sua maioria ministradas pela Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) principalmente na dança contemporânea moderna.
EV - Dança contemporânea vs dança tradicional. O que se deve fazer para que ambas as correntes andem nos mesmos carris?
Gualino Grimone - No mês de Dezembro do ano passado tivémos uma formação feita pela Companhia Nacional de Canto e Dança (CNCD) que abraçou a dança contemporânea; nela estiveram elementos da CNCD com o Lulu e outros elementos. Contudo, o nosso grupo está mais virado para a vertente da dança tradicional típica da Zambézia mas temos momentos em que também dançamos a contemporânea incorporando tudo num só corpo.
EV - Em que estágio está a dança tradicional aqui em Quelimane?

GG - Primeiramente dizer que está num estágio avançado considerando que tudo e todos têm a dança como tradição no seu dia-a-dia. Mas falta-nos apoios que nos levariam a um nível mais desenvolvido; e de facto precisamos de sobressair.
EV - Agora olhando para a vossa casa da cultura, nova roupagem ‘ tinta branca’ e pela primeira vez um novo sistema de frio a ser instalado, a falta de apoio de que falas em que se circunscreve?
GG -Senhor jornalista o investimento que você está aqui a ver está ligado à Assembleia Municipal da Cidade; ‘camadas’ que tencionam utilizar o salão da casa para fins que só a eles diz respeito. O município está a remodelar a sala com um sistema sofisticado mas exactamente para dar vazão ás suas sessões e reuniões mas penso que a actividade cultural não vai parar.
EV - Casa da Cultura ou da Assembleia Municipal? E nos dias em que os vossos eventos coincidirem com os do Município o que vai acontecer?
GG - Esta é outra questão, não sabemos como é que as actividades serão realizadas no dia em que o nosso evento coincidir com o da Assembleia; acredito que a prioridade no uso do nosso espaço ‘salão ‘ seja para a ‘Assembleia dos Camaradas’.
Eles estão a reabilitar a casa não exactamente por razões culturais mas para as ‘politiquices’.Em dias como estes a única alternativa será procurar outro espaço.
EV -Não acha que deveria ser o próprio município a procurar uma outra sala?
GG- Penso que é injusto o município transformar a casa da cultura numa assembleia, mas segundo o argumento do órgão Municipal, o salão será ocupado só nos dias em que tiverem sessões.
Patrocínio, patada causa e efeito. Qual é a participação das outras instituições e empresas em prol do desenvolvimento cultural local?
GG - Alguns têm participado, mas é necessário fazer um grande esforço escrevendo cartas e por muitas vezes passá-las porta a porta até que o apoio chegue às nossas mãos.
EV - Voltando à cultura de facto, quantos grupos existem aqui na casa de cultura e o número de pessoas?
GG -Neste momento apenas existem dois grupos, nomeadamente a Companhia Provincial de Dança Tradicional Montes Namule e o grupo de Canto e Dança da Casa da Cultura; ambos são os que apresentam qualquer evento a ser realizado na casa da cultura, mas pelos bairros também existem outros grupos fortes no campo tradicional.
EV - Dizes Dança Tradicional em pleno desenvolvimento. Quantas apresentações tiveram no ano transacto?
GG - O Grupo de Canto e Dança teve algumas actuações dentro da Cidade de Quelimane; outro sobre a ponte do rio Zambeze com Emílio Armando Guebuza no dia da inauguração e a nível da Província em Malei, na Maganja da Costa e em Pebane.
EV - Em termos de aparições existe ou não um défice considerável?
GG - O nosso trabalho é apresentado através dos contactos que temos com algumas empresas que nos vão ajudando a não esquecer a tradição. Infelizmente ainda não saímos para fora da província devido à falta de oportunidades, e não é fácil, é preciso cumprir com muitos requisitos onde geralmente os patrocinadores falam de custos.
O meu grupo é composto por cerca 40 elementos, portanto, tratando-se de actuações fora da cidade ou província não são todos que participam. Somos obrigados a levar 15 ou 17 elementos por falta de recursos, o que dificulta o nosso trabalho. E por esta ausência de apoios, muitos dos dançarinos acabam tendo o seu sonho frustrado e desistem.
EV - Em traços gerais pode se considerar o estágio cultural quelimanense de deficitário?
GG -Bem, em alguns aspectos não está bom mas se tivéssemos patrocinadores estaria melhor porque aqui temos muitos e bons artistas para fazer cultura.
EV - Para além da dança onde mais se podem ver eventos culturais?
GG - Não há nada para ver. Muitas vezes só existem eventos culturais de peso em dias festivos mas principalmente quando estão todos os grupos da cidade incluindo os dos bairros. Gostaria que a cultura crescesse, mais troca de experiência com as outras províncias; isto para além dos vários projectos que temos. O artista daqui é de vários sonhos e gostamos de os realizar e este é um dos meus sonhos: continuar a dançar.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

JARDINS PERDIDOS




‘A pintura tem que ser verdade ’
Texto e fotos por Estacios Valoi
30/12/09

De Lorenço Marques, Maputo, Carlos Fornazine, filho de um operário e escriturário dos Caminhos de Ferro (CFM) foi deixando lembranças no Bairro da Polana numa infância da qual bem se recorda das viagens nostálgicas pelos parques verdes, os jardins, a marginal, essas coisas todas de um menino jovem… e por ai afora.
Nascido em 1960, por coincidência ou não, na rua do Núcleo de Arte onde mais tarde viria a fazer parte daquela casa onde vários artistas plásticos da praça vão surgindo. Com algumas exposições individuais e colectivas, Fornazine começa a aprender rasgar a tela, cruzando cores, pinceladas, o verde e a mulher… exprimindo os seus mais profundos sentimentos.
E.V: Dos 12 anos de idade até hoje, os teus 50 anos, como é que descreves esta coisa de pintar?
C.F: Para mim a pintura tem a ver com o DNA. Acho que pinto aquilo que eu sou, nós não somos o princípio nem o fim de nada mas sim e sempre a continuidade de alguma coisa, acho que cabe a mim dar continuidade àquilo que já fui no passado.
É na pintura que devo mostrar como sou exactamente e quando me refiro ao DNA quero dizer que pinto aquilo que sou e não consigo fugir à minha maneira de ser e estar. As coisas que normalmente pinto são aquelas que vêm carregadas dentro de mim, a pintura tem que ser verdadeira e não uma invenção, tem que vir de dentro.
E.V: Pintar foi um sonho de infância?
C.F: Sonhos de infância! Não. A pintura acontece na minha vida de um momento para o outro. Sempre gostei de desenhar, nunca prestei muita atenção mas é em 1996, 1997 que surge em mim com bastante intensidade. Em vez de escrever, ou tocar um saxofone, pintei, então tudo remonta dos meus tempos de infância, porque sempre fui uma criança feliz embora não fosse filho de pais ricos.
Depois de ter estado a pintar desde os 12 anos de idade, penso que começo a pintar exactamente pelo verde, a clorofila e as cores. Na minha pintura predomina o verde, as flores e a mulher que é o princípio e o fim de tudo, apesar de ter 50 anos de idade, não mudei tanto naquilo que é essência do que faço. Penso que estou no mesmo sítio.
E.V: Teu ‘ ponta pé’ de saída pelo, verde, flores, jardins, parques. Hoje como é que vês esses parques ou jardins, e a mudança física ou arquitectónica da cidade de Maputo?
C.F: Outros tempos, naquela altura eram menos e havia mais tempo para nos ocuparmos dos espaços verdes, jardins, parques infantis, lagos, os peixinhos, aquela coisa toda da infância. Hoje estamos numa outra dimensão, diferente sistema, todo o espaço que era verde ou nesse mesmo espaço podia ou surgiu um prédio. Não podemos dizer que ontem era melhor e hoje é pior, cada tempo na sua hora. Recordo a infância com muita saudade, hoje as pessoas não são as mesmas, os jardins também não, mas a cidade é esta, a capital, é esta cidade minha querida.
E.V: Fases diferentes e hoje com filhos e netos em que jardins vão os teus filhos brincar se naquele espaço já existe um prédio?
C.V: Não sei, penso que existem muitos jardins e a cidade tem que crescer para fora. Eu cresci aqui na cidade de Lorenço Marques, hoje Maputo, mas aos 9, 10 anos fui para o bairro da Liberdade na altura Bairro Silva Cunha. Corria descalço, pés sujos, as micaias, a caca, a fisga essas coisas todas. A Cidade tem que crescer para fora e jardins podem haver muitos nestes sítios limítrofes, Infulene, T3,Congolote, Zimpeto e estas crianças de hoje neste âmbito terão os seus jardins. Estamos a falar de Maputo, que já era, acabou. Maputo é uma cidade comercial, não há mais jardins, tem gente a mais, carros a mais… adeus jardins!’ ‘ Vejam se não começamos a estacionar as nossas viaturas nas nossas varandas do 33 andares’!
E.V: Parece me que só mudam os números. Prestes a saltar de 9 para 10 que balanço fazes do teu trabalho?
C.V: A pintura é a minha vida, anos bons, melhores outros mais ou menos. Este foi mais um ano em que se vendeu. Vou abrir uma página na internet, estou a acabar de fazer o meu primeiro livro que versa exactamente sobre a minha pintura que vem com o titulo ‘A pintura tem que ser Verdade’, porque se a pintura não for verdadeira serão só cores, tintas, formas e o material didáctico.
E.V: ‘A pintura tem que ser verdadeira’. Como é que é viver da pintura ou viver como artista plástico em Moçambique?
C.V: As artes plásticas não têm que deixar de existir ou de praticar a pintura porque o País vai melhor ou menos mal. Penso que cada coisa deve estar no seu devido lugar. Fico meio aborrecido porque nas entrevistas geralmente perguntam assim ‘Será que em Moçambique é possível viver da pintura’? Penso que uma coisa não tem a ver com a outra porque nós vivemos num País emergente que ainda vive de doações.
A pintura deve existir naquilo que é o seu âmbito, dizer que vivo muito bem da pintura e que sou feliz, seria gozar de uma data de gente, até com melhor formação mas que é desempregada.
Viver da pintura num País como este, talvez o Malangatana, Naguibe, Manqueu, o Chissano escultor se ainda fosse vivo, pessoas que estão mais adiantadas neste panorama cultural das artes plásticas.
E.V: Âmbito cultural num país que vive de doações. Que pensas que se está a fazer em prol do desenvolvimento cultural?
C.V: Não sei. Nós os artistas temos a paranóia de que o Estado na pessoa do Ministério da Educação e Cultura devia dar mais, não vou dizer que não. Penso que cada artista deve fazer algo por si, ser artista num País como este não é fácil, o artista tem que velar por si, ver como é que vai comprar o material, fazer as obras, como apresentá-las, onde é que vai buscar o patrocínio, como é que vai fazer a exposição, quem é o potencial comprador e deixar de lamentar dizendo que o Estado não apoia. O governo tem outras coisas mais importantes como foco. Cada um por si, mas não quero dizer que não devemos conviver em associações como o núcleo de arte, a casa da cultura do Alto-maé e tantas outras que vão surgindo. O artista deve ter a mentalidade de que ele deve valer pelas suas acções e não ficar à espera que o governo esteja ali como uma muleta. Não é fácil.
E.V: Um livro e uma exposição na forja. Quanto à exposição, será individual ou colectiva? E como será intitulada?
C.V: O título da exposição virá com o tempo, possivelmente será uma colectiva mas com a mesma abordagem, com pessoas que compartilham esta minha maneira de ver as coisas, não me posso esquecer que sou africano moçambicano. Recentemente findou a 17ª Conferência sobre o clima em Copenhaga na Dinamarca, penso que os condimentos das minhas obras vão estar na esteira de tudo que tem a ver com esta problemática do clima, aquecimento global, as flores, as plantas, os animais que estão em vias de extinção, e esperar para ver.
E.V: Que ilações da conferência?
C.V: Penso que seria justo de facto que os países mais industrializados e capitalizados parassem e pensassem em nós os outros, países emergentes ou do terceiro mundo. Agora temos um outro problema que é o factor corrupção que faz parte do processo evolutivo não só do nosso País mas da maioria dos africanos.
Viva a pintura, viva as artes plásticas, e não é por não ser possível viver das artes plásticas que elas vão deixar de existir.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

CARA MASTREY



Mastrey, a digressão mais esperada
Estacios Valoi
06/01/10


Cara Mastrey nascida nos Estados Unidos em Minneapolis Minnesota (MM) é a quarta filha de um conjunto de cinco irmãs, filha de pai americano marine e de mãe italiana. Seus pais e familiares, ao todo 12 pessoas, emigram da Itália para o país do ‘Tio Sam’ e durante anos enfrentaram uma fase difícil durante a depressão económica que só a história pode contar. Cara cedo parte para a Irlanda, seguida de Escócia, Inglaterra e Alemanha, regressando mais tarde a Los Angeles, onde reside actualmente.
São muitos os músicos, professores, poetas que surgiram da sua família. A avó foi uma professora de piano na Escola de Música de Macphail em MN e a mãe, fundadora da Escola de Música ‘Carrinho’ na mesma cidade. Todas as irmãs cresceram a trabalhar em restaurantes da sua enorme família, alguns conhecidos no mundo, tais como Mama Rosa’s, Angelina Valentino em Minneapolis Minnesota (MN) e Iowa.
Mais tarde ainda na sua tenra idade se torna dançarina e ginasta. Na altura muito tímida, dificilmente conseguia falar com as pessoas. Dançou em palcos como forma de se libertar e se expressar.
‘Éramos uma família italiana-americana unida, partilhávamos um amor profundo pelas artes, música, comida, amigos e todos os dia eram de risos.
E.V: És casada?
C.M: Tive um casamento formidável. Com o meu marido, vivi e actuei além fronteiras. Actualmente estou comprometida num relacionamento que existe desde há 10 anos. Vivemos em comunhão e considero-o meu marido.
E.V: Pelo leque de actividades que vens desenvolvendo… é muita a adrenalina. Andas em cocktail da droga para actuares?
C.M: A actuação é a minha droga.
E.V: Quem é a Cara Mastrey por detrás da cantora, e como é que vive?
C.M: Sou uma mulher forte, apaixonada, com um cérebro que nunca pára de criar e com o desejo de sempre inspirar os outros. A criatividade dá azo à liberdade de expressão e de pensamento. As crianças e os jovens são a minha preocupação. Continuamos crianças e a música mantém-nos jovens. Acredito que quando não criamos, as nossas almas começam a dissipar-se e meu propósito é partilhar a dádiva, o prazer de cantar e através da música do amor que transmito poder viver em paz e harmonia com o planeta.
E.V: És compositora, cantora profissional, actriz e artista desde os 15 anos de idade em Los Angeles. Para além disto tens a graduação do cinturão preto em artes marciais e incorporas esta prática no teu dia-a-dia.
E.V: Quantas noites e dias vêm traçando a tua música?
C.M: Sempre. Sempre escuto melodias maravilhosas que vagueiam dentro da minha cabeça. Na música comecei com uma harmonia natural. A minha primeira banda era formada por mim e as minhas irmãs onde escrevi a minha primeira canção ainda na minha adolescência e fui crescendo na banda Tawn em que a minha irmã mais velha era a líder.
E.V: Quando é que realmente decides entrar pela música?
C.M: Cresci sonhando em ser uma actriz, dançarina e professora. Quando me cansei da indústria cinematográfica, continuei fazendo algum trabalho como hobby ou extra em Los Angeles como modelo, participando em aulas de representação, sempre batalhando. Na altura fui considerada muito exótica, fiz algumas comédias na ‘Sala de Memórias’ no verão na abertura da série do comediante Robbin Williams, o que foi muito divertido! Também representei em filmes como Blues Brothers ou Mobster mas senti que não tinha espaço suficiente para criar. Naquela fase o meu namorado era músico na sua própria banda e por coincidência ouviu-me cantar na Rádio. Ele não fazia a mínima ideia de que eu podia cantar, perante ele sentia me envergonhada até ao ponto de não conseguir expressar os meus dotes artísticos. De seguida convidou me para cantar na banda dele e desde então tive muitas bandas partindo do pop rock, hard rock, rock alternativo, acústico, blues, jazz e hoje heavy metal.
E.V: Que te inspira?
C.M: O Amor.
E.V: Quantos álbuns e qual seria o teu favorito?
C.M: Tenho milhares de álbuns e CDS que na sua maioria fazem parte da colecção privada da minha irmã Tawn. Não poderia mencionar os meus favoritos por serem muitos. Quanto ao meu álbum pessoal todavia ainda não lancei, à excepção de um CD para aulas de música intitulado ‘Canta com Mastrey’ (Sing with Mastrey) e hoje pode ser encontrado no http://www.rocksource360.com. Este ano lançarei o meu primeiro álbum, é pesado e maravilhoso. A minha mais recente música favorita foi a que escrevi com o meu parceiro da escrita Dodd Lowder, que é a música de apresentação para a digressão da TMF, onde constam líricas como Slay the Dragon’ as mais favoritas da Tawn para além de que esta foi a promessa que lhe fiz antes da sua morte.
E.V: Quem são as pessoas que cruzaram as tuas bandas e que farão parte desta digressão tão almejada da Fundação Tawn Mastrey (TMF)?
C.M: A fundação Tawn Mastrey da qual sou directora executiva vai levar a cabo esta tournée com o intuito de alertar as pessoas sobre o perigo do Vírus Hepatite C (HCV). E a música, arte, entretenimento e media serão os meios utilizados onde teremos a presença de vários músicos de renome e internacionalmente convidamos a todos os músicos para se juntarem a este projecto planeado para ser levado a cabo anualmente. Tudo isto foi desenhado há anos até que sentimos que os desafios tinham sido resolvidos. Encorajamos as pessoas a fazerem o teste do HCV, para que se evite o alastramento desta doença, a mesma que surpreendentemente e desnecessariamente tirou a vida da Tawn.
Tenho muitos músicos de renome por anunciar os quais se predispuseram a tocar no meu álbum pessoal dedicado a minha irmã Tawn e para a digressão da Tawn Mastrey Foundation’ (TMF), e neste momento vou fazendo a audição da banda que levarei comigo para a tournée pelo mundo.
Todavia não temos o alinhamento final de todas as bandas que farão parte desta digressão, mas temos muitas propostas. Resta-nos apenas coordenar as datas dos eventos com as pessoas disponíveis de acordo com as datas a serem estabelecidas. Faz parte do plano dos que vão estar em palco e vamos começar a arrecadar fundos para a digressão com vários produtos, mercadorias memoráveis e doações para esta acção silenciosa.
Tawn Mastrey, é a lendária DJ Heavy metal da Rádio 93x bem conhecida pelo seu trabalho nos Estados Unidos da América. Geralmente reservada a ficção, depois dos 17 atinge a Califórnia na área da Baia e Los Angeles onde estava baseada. Tawn realizou entrevistas com estrelas do rock amigas como Slash, Ozzy Osborn, Sammy Hagar, Montle Crue e Poison. Sua página foi creditada por ter rebentado com AC/DC e o single dos ‘the police’ com a música Roxanne’, no seu programa de rádio na antena nacional naquele País. Adoeceu em 2002 de uma doença que ela não sabia qual, e faleceu a 2 de Outubro de 2007 com 53 anos.
‘As pessoas não fazem o teste porque não sabem que esta doença existe’.
E.V: Nesta digressão pelo mundo o que vão levar para as diferentes audiências?
C.M: Algo que eles nunca viram ou ouviram. Música forte, um palco carregado de enorme baterias, músicos talentosos, movimento, uma fábrica de cores e luzes e convidados de surpresa. Um entretenimento completo, mas acima de tudo educação através da experiência.
E.V: Que te vem em mente quando estás no palco?
C.M: A emoção das palavras que canto, o que sinto no momento e a música, embalam-me. A expressão na cara da audiência, a forma tão vulnerável como a expressão deles aparece aceitando as emoções por mim expressadas. A energia do público alimenta-me e retribuo com amor. É como fazer sexo, esta é a melhor discrição. No palco estou na zona, e a actuação irrompe como um vulcão excitado, levando a audiência a uma viagem que finda alcançando um clímax satisfatório para todos. Uma sessão de amor que explode em orgia. Nada me assusta.
E.V: Que livro consideras mais importante na tua leitura?
C.M: ‘Choque do futuro’ de Aldoux Axley.
E.V: Esta permanente procura do outro, dos nossos fantasmas e por ai além… De que andas tu à procura nestes 40 anos de idade que tens?
C:M: Quero encontrar e criar com muitas pessoas. O David Bowie está na minha mente, Paul C:M: McCartney, David Gilmour, Lenny Kravitz, Prince, Metallica, Madonna. Gostaria de actuar com Keith Richards. E porque não um dueto com Mick Jagger. Quem não gostaria?
A única pessoa que encontrei desta lista foi o Prince mas ainda não tive a oportunidade de criar com ele. Existem milhares de músicos desconhecidos com um talento formidável, e fui encontrando-os através do My Space com os quais também gostaria de actuar.
E.V: Fase boa e má na tua carreira?
C:M: Na minha vida faço a simbiose do bom e o mau. O mau torna-me forte e faz-me apreciar o bom. Não espero nada para além da vida isto para não ficar desapontada. Tudo é uma dádiva, então o mau também é o bom.
E.V: Projectos para este ano?
C:M: Tocar freneticamente o Rock Pesado (Hard Rock) ao vivo e disseminar a informação sobre a problemática do Hepatite C através da música, arte, entretenimento, medias, digressão mundial, através da rádio, entrevistas, filmes e documentários em prol da Fundação Tawns Mastey (TMF). E como fundadora e directora executiva da fundação estou honrada por poder servir as pessoas. Criar, criar e criar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

YURI DA CUNHA




Dois concertos mesmo balanço
Texto e fotos por Estacios Valoi

30/12/09
Ainda estávamos no Aeroporto Internacional de Maputo numa daquelas noites da semana passada quando é anunciada a chegada do músico e a sua banda de 24 pessoas. Ou melhor, 10 músicos e 4 bailarinas. 24 porque desta vez trouxe a casa, a família, malas, e outros utensílios, afinal o seu natal seria festejado no palco do Coconut no dia 24 de Dezembro e mais tarde, no dia 26, no Big Brother - por sinal a produtora do evento onde esteve em palcos com artistas moçambicanos como Samson, Mega Jr, Sweet Boy's e Neima. O evento foi possível com o apoio das Linhas Aéreas de Moçambique, G.U.T produções, Mira Mar cervejaria, Hotel turismo. Bem-haja em prol da cultura!
Mas a surpresa no segundo dia do concerto onde estiveram 2000 pessoas foi a nova jovem cantora moçambicana Cuca que recentemente voltou da Dinamarca onde esteve a actuar na 15ª Conferência Climática das Nações Unidas. No Big Brother actuou com o músico Yuri da Cunha e foi de arrepiar.
Mas a minha viagem é levar-vos sim ao encontro do Yuri da Cunha, músico Angolano com um percurso artístico muito longo trabalhando em prol da música de África, no geral, e em particular, de Angola. Cada vez mais representa ritmos afros numa dinâmica musical fazendo com que o mundo conheça cada vez mais os países que fazem parte do seu dia-a-dia, como Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, levando essa voz do povo que às vezes se cala através da música que faz para o mundo inteiro.
E.V: Onde é que o menino Yuri levou as mangas do vizinho?
Y.C: Esse sempre foi um miúdo muito traquina. Essa das mangas, a minha tia tinha uma mangueira ‘pau de manga’ em casa e nós passávamos o dia todo debaixo dela. Tinha um primo mais velho que era o Ruca, o controlador das mangas, e eu tirava-lhe as mangas e basava, o que à noite dava sempre problemas. Mas, a estória da minha traquinice que me marcou foi quando cortei o pénis de um macaco que tínhamos em casa e o meu pai ficou furioso comigo e deu me uma tarei, ainda bem, a educação africana sempre foi com correctivos, fazem bem. Hoje estamos aqui nós miúdos, crescidos, educados, bem aprendidos, apesar de que sou contra a violência mas às vezes um puxão de orelhas faz bem.
E.V: Depois do correctivo quando é que te ‘refugias’ na música?
Y.C: Muito novo, nasci na província de Kwanza Sul e depois dos 4 anos de idade fui viver na Capital Luanda. Mas quando me encontrei como pessoa já era músico, aos 2 anos de idade já andava pelos ao palcos a ‘reboque’ do meu pai que é músico e durante a minha escolaridade também representava as minhas escolas. Quando miúdo representou Luanda num concurso inter-provincial musical e em 1993 entrou para a escola pioneira da Rádio Nacional de Angola
E.V: Levar a música africana para mundo. Qual é o estágio desta?
Y.C: É preciso fazer mais fusão com outras músicas mas sempre com o pé assente no chão e dizer que temos uma identidade, estamos em Moçambique e temos a Marrabenta como cartão postal. Aqueles estilos musicais que são característicos, como a música cubana o que se fez com Compay Segundo (Buena Vista Social Club), esse grupo todo de artistas cubanos que de repente sai do anonimato para se virarem para o sucesso mundial. Mas é preciso ter uma boa equipa de jornalistas, de produção e promoção para eventualmente podermos chegar aos grandes muros.
E.V: Estamos a perder a identidade africana?
Y.C: Vou falar mais de Angola que é onde eu resido, estamos a viver um momento inverso, a juventude começa a fazer mais música de raiz relativamente a anos passados em que não se ouvia nada de raiz, porque acho que a guerra trouxe muitas coisas péssimas mas com ela também esse sentido multicultural. Creio ser positivo no sentido das pessoas terem o conhecimento dessa raiz mas não de a enraizarem, dai que hoje sinto que tivemos um crescimento grande e vamos continuar porque as pessoas estão decididas a fazer o seu melhor.
E.V: Quantos álbuns e em qual encontras o teu ‘eu”?
Y.C: 3 Álbuns e encontro me mais no disco intitulado ‘Eu ‘ por sinal o segundo, contudo o nosso mais recente trabalho discográfico tem também as minhas características.
E.V: Longa carreira artística qual foi a fase mais conturbada e próspera?
Y.C: A mais crítica foi de 1999 até 2003 porque foi muito difícil, depois de ter gravado o disco as coisas não correram como o previsto. Retorno para Angola vindo de Portugal onde estava a viver a procura da reafirmação, o encontro com todas aquelas coisas novas, foi muito difícil e os bons são este tempo em que a gente tem somado progressos relativamente àquilo que definimos como metas a atingir que é elevar a música Angolana, principalmente criar bases e alicerces bem firmes no sentido de amanha podermos ver os nossos filhos seguirem o mesmo caminho que é a identificação da nossa cultura.
E.V: Maputo com 40 graus centígrados, este calor e o público?
Y.C: Acho que os carros em si já controlam o mecanicismo certo, funcionando com hidrogénio e as fábricas que poluem muito… penso que o homem já encontrou o antídoto mas o mais importante é trabalharmos no sentido de não matarmos o mundo. Muita dança, animação, como tem sido sempre, o meu reportório vem carregado de algumas músicas antigas incluindo as do novo álbum intitulado kwuma kwaki, que significa amanheceu em Kibundo, língua tradicional de Angola e outras participações que fomos fazendo em outros discos que têm tido sucesso em Angola, sempre com a dança pelo meio.
Estes discos resgatam a música Angolana, com ritmos tradicionais mas também misturam elementos da música mundial como o funk, rock, pop e balada, sem perder a essência da música africana particularmente a angolana.
E.V: A primeira vez que actuaste em Moçambique te auto convidaste depois de uma conversa com o Júlio Sitoe. Desta vez como é que foi?
Y.C: Foi um pouco difícil decidir actuar em Moçambique nestas datas já que coincidem com o dia da família, 25 de Dezembro, mas trouxe membros da minha família já que temos que partilhar este dia com aqueles que nós amamos, aceitámos. Moçambique faz parte desse amor que nós transportamos. Depois de Angola, Moçambique é o meu segundo País de eleição no mundo todo e depois o Brasil. Moçambique proporciona-me mais um pouco relativamente àquilo que Angola me dá. A humildade dos moçambicanos, é tudo o que se pode ter num mundo minado de amor e é a primeira vez que vou passar um natal em trabalho, fora de Angola.
‘Sou apologista de que devemos resgatar os nossos valores, no Brasil ouve-se música brasileira e temos que valorizar as nossas coisas africanas’.
E.V: De onde surge esse ritmo Kintwene de que tanto falas?
Y.C: Kintwene é um ritmo de Cabinda, mas deixa-me dizer que estivemos num show na África do Sul aquando da celebração do Dia de África com vários artistas da raça africana, e falámos sobre isso. Vais aos Estados Unidos da América e não ouves música africana, Portugal idem. Os africanos têm essa potência africana cultural e se nos unirmos, com certeza mostramos ao mundo aquilo que nós somos e queremos.
A cada dia que passa o mundo vai se globalizando. mas essa não é a globalização da América, nós aqui cada dia que passa ouvimos musica americana. Quem aqui não conhece a Byonce? Todos. O Stewart Sukuma um grande musico moçambicano mas que quase ninguém o conhece em Angola, Dodo Miranda e muita gente não conhece.
E.V: Que se pode esperar de 10 músicos e 4 bailarinos em palco?
Y.C: Este show vai ser o show e não, mais um show com 13 composições do novo disco que traz a mensagem de paz, reconstrução e amor entre irmãos. Em Angola saímos de uma fase muito crítica que foi a guerra e muita gente cruzou os braços pensando que as coisas caiem do céu. E nós que já caímos tanto, sonhamos sempre com um novo dia, por isso o título do álbum é “Amanheceu”. Se o angolano esperar que o brasileiro venha fazer por ele, vai ser complicado. É preciso ir à procura daquilo que nós queremos, e aceitar que não sabemos nada. O angolano tem muito dessa mania de pensar que estamos em grandes mundos.
A primeira vez que vim a Moçambique fiquei surpreso, é assim tão rico! Tiveram a humildade de aceitar apreender e crescer.
E.V: Novos projectos?
Y.C: Temos uma digressão em que vamos escalar vários países da Europa e Cuba, a qual terá a sua abertura com a nossa participação em palco com o músico italiano Eros Ramazoti. Também fiquei satisfeito com o acordo rubricado entre as Linhas Aéreas Angolana TAG e a Moçambicana LAM que vai trazer benefícios no turismo. Mais angolanos e moçambicanos podem viajar em ambas as direcções, o dinheiro entra nos dois países. Nós pagamos e vamos passar férias em Portugal mas o português não vai passar férias em Angola, vai trabalhar em Angola. Por isso todo o dinheiro que sai de Portugal, a ele volta.
E.V: No fim, até os chuviscos que se fizeram sentir não afugentaram o público que lá esteve em massa.